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AtualizadoTer, 24 Nov 2020 4pm

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Daichii Sankyo

Mastectomia e evidência médica

Mastectomia_NET_OK.jpgSarah T. Hawley e colegas, da escola médica da Universidade de Michigan em Ann Arbor, publicaram no JAMA resultados de um estudo que traz uma reflexão importante sobre o valor da evidência na prática clínica.
Os pesquisadores usaram o sistema nacional de dados epidemiológicos (SEER) para selecionar e acompanhar os resultados cirúrgicos de 2.290 mulheres nos Estados Unidos diagnosticadas com câncer de mama.

Das 1.447 pacientes que tiveram dados de acompanhamento quatro anos após o diagnóstico, 18,9% consideraram a mastectomia preventiva contralateral (MPC) e 7,6% realizaram a cirurgia. A conclusão dos autores é de que a maioria das pacientes submetidas à MPC (69%) não tinha risco genético ou familiar que pudesse justificar a cirurgia.

Das 136 mulheres com uma razão clínica para se submeter à MPC, 24,3% receberam a cirurgia bilateral. 80% das mulheres que realizaram a MPC afirmaram que a cirurgia teve caráter preventivo. As demais pacientes da análise foram submetidas à cirurgia de mama conservadora (57,6%) ou à mastectomia unilateral (34,4%).
A idade média dos pacientes incluídos na análise foi de 59 anos. As mulheres eram das áreas de Detroit e Los Angeles, com bom nível sócio-econômico e cultural, e foram inicialmente diagnosticadas entre 2005 e 2007, com nova avaliação entre 2009 e 2010.

A análise da pesquisa dá ênfase às quase 70% de pacientes que não tinham indicação para a mastectomia bilateral, o que alimenta a perspectiva de overtreatment diante de um risco injustificado de recorrência. No entanto, o resultado da pesquisa desconsidera um dado ainda mais significativo: das 136 mulheres com razão clínica para a mastectomia bilateral, apenas 24,3% foram tratadas, o que significa que mais de 75% das mulheres que por segurança oncológica necessitavam da mastectomia bilateral deixaram de realizar a cirurgia. “Descumprir um princípio de segurança na cirurgia oncológica gera certamente prejuízo a essas pacientes, enquanto a mastectomia bilateral é uma opção que permite a mulher reconstruir a mama e sua própria auto-estima”, explica Antonio Luiz Frasson, Diretor da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e mastologista do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

“O estudo considera um perfil de pacientes com altas taxas de cura, mulheres em plena idade produtiva e que são bem informadas”, prossegue o cirurgião.” Elas não querem uma assimetria e por isso decidem com seus médicos um procedimento bilateral, com a possibilidade de preservar pele, aréola e mamilo e fazer uma reconstrução. Eu raras vezes faço uma remoção unilateral, porque o resultado estético também é importante para a qualidade de vida da paciente. A indicação clínica não é tudo. Existe também a indicação cosmética e emocional”, conclui.


Veja mais em Cancer Network ou no artigo na JAMA


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