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AtualizadoSeg, 15 Ago 2022 6pm

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Daichii Sankyo

Perspectiva epigenética dos tumores de cabeça e pescoço

sheila inca 21Diego Camuzi, Pesquisador do Programa de Carcinogênese Molecular do Instituto Nacional do Câncer (INCA) é primeiro autor de artigo de revisão publicado na Cancers que explora como as alterações na metilação do DNA e na expressão de microRNA contribuem para o desenvolvimento e progressão do carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço (CCECP). A pesquisadora Sheila Coelho Soares-Lima (foto) é a autora sênior do trabalho.

“O trabalho descreve a associação dessas alterações epigenéticas com a exposição a fatores de risco, etapas precoces da carcinogênese, risco de transformação e prognóstico, além de discutir a aplicação potencial do uso de biomarcadores epigenéticos no carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço”, esclarecem os autores.

Os carcinomas de células escamosas de cabeça e pescoço (CECP) estão entre os dez tipos de câncer mais frequentes em todo o mundo, e ainda são diagnosticados em estágios avançados, apresentando baixa sobrevida global. Além disso, os pacientes com CCECP frequentemente apresentam recidivas e o desenvolvimento de segundos tumores primários, como consequência do processo de cancerização de campo.

Os carcinomas de células escamosas afetam diferentes subsítios de cabeça e pescoço e, embora tenham origem do mesmo revestimento epitelial e compartilhem fatores de risco, eles diferem em termos de comportamento clínico e mecanismos de carcinogênese molecular. “As diferenças entre os tumores HPV-negativos e HPV-positivos são as mais frequentemente exploradas, mas dados adicionais sugerem que a heterogeneidade molecular observada entre os subsítios de cabeça e pescoço pode ir além da infecção por HPV”, destaca a publicação.

Segundo os autores, uma melhor compreensão dos mecanismos moleculares envolvidos no desenvolvimento e progressão do CECP pode permitir a antecipação do diagnóstico e fornecer ferramentas valiosas para a previsão do prognóstico e resposta à terapia. “No entanto, os diferentes comportamentos biológicos desses tumores em função do sítio anatômico afetado e da exposição aos fatores de risco, bem como a alta heterogeneidade genética observada no CCECP são os principais obstáculos nessa busca”, afirmam.

Nesse contexto, alterações epigenéticas têm se mostrado comuns no CCECP, por discriminar os subsítios anatômicos tumorais, serem responsivas à exposição aos fatores de risco e apresentarem resultados promissores no desenvolvimento de biomarcadores. “A heterogeneidade intratumoral, uma das principais causas de falha e recidiva do tratamento do câncer, não pode ser abordada apenas geneticamente. A epigenética confere diferentes fenótipos aos subclones e, devido à sua reversibilidade, surge como um potencial alvo terapêutico. Para melhorar o manejo clínico, é de extrema importância que todos os profissionais envolvidos na assistência ao paciente conheçam esse campo pouco explorado”, defendem, acrescentando que até o momento, a maioria dos estudos se concentrou na metilação de promotores de genes supressores de tumor, e embora essa abordagem já tenha identificado possíveis vias carcinogênicas e biomarcadores, muito ainda precisa ser aprendido com as alterações epigenéticas no CECP.

Não apenas a metilação de outros genes e outras regiões genômicas, mas também outros atores, incluindo RNAs não codificadores e remodeladores de cromatina, devem ser explorados. Por exemplo, a hipometilação global, associada a mau prognóstico em outros tipos de câncer, parece diferir de acordo com o status do HPV e pode ajudar a explicar as diferenças de prognóstico observadas. Além disso, as mutações nas histonas metiltransferases NSD1 e NSD2 definem um grupo de bom prognóstico entre os pacientes com carcinoma de células escamosas de laringe, mas não em outros subtipos de CCECP.

“O câncer de cabeça e pescoço é um grupo bastante heterogêneo de doenças que são agrupadas devido à proximidade anatômica e ao manejo clínico. Apesar de compartilharem alterações genéticas, como as mutações em TP53 (gene mais frequentemente mutado nesses tumores), os tumores de cabeça e pescoço apresentam uma grande heterogeneidade em temos de comportamento clínico e representam um dos poucos grupos tumorais para os quais as taxas de sobrevida global não melhoraram nos últimos 30 anos”, afirma Sheila. “Nosso grupo vem desenvolvendo trabalhos na área de alterações epigenéticas em câncer de cabeça e pescoço, mostrando que vias de sinalização ativas durante o desenvolvimento embrionário são comumente alteradas por este mecanismo em todos os tipos tumorais. Por outro lado, os perfis globais de metilação, assim como alterações em genes específicos diferem bastante, levando à aquisição de fenótipos específicos. Assim, nesta revisão, apresentamos o estado da arte de alterações epigenéticas em câncer de cabeça e pescoço, discutindo nossos dados e de outros autores, e apontamos os passos que consideramos serem importantes na busca de uma melhor compreensão desses tumores. Esse conhecimento tem o potencial de trazer benefícios para os pacientes em todas as etapas do cuidado oncológico”, conclui.

O artigo pertence à edição especial Frontiers in Head and Neck Cancer Biology and Clinical Management.

Referência: Camuzi, D.; Simão, T.d.A.; Dias, F.; Ribeiro Pinto, L.F.; Soares-Lima, S.C. Head and Neck Cancers Are Not Alike When Tarred with the Same Brush: An Epigenetic Perspective from the Cancerization Field to Prognosis. Cancers 2021, 13, 5630. https://doi.org/10.3390/ cancers13225630

 

 

 

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