02122021Qui
AtualizadoSeg, 29 Nov 2021 7pm

PUBLICIDADE
Daichii Sankyo

Impacto da miosteatose no prognóstico de pacientes com câncer de cólon e reto não-metastático

pozuto cavalheira 2021José Barreto Campello Carvalheira, Professor associado da disciplina de oncologia clínica da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), é autor sênior de estudo publicado no periódico Frontiers in Oncology que avalia o impacto da associação da miosteatose com o prognóstico em pacientes com câncer de cólon e reto. A nutricionista Lara Pozzuto é a primeira autora do trabalho.

A composição corporal realizada por tomografia computadorizada (TC) afeta o prognóstico dos pacientes com câncer e as respostas ao tratamento. “A miosteatose tem sido relacionada à sobrevida global e sobrevida específica da doença em câncer colorretal; no entanto, o impacto independente da associação da miosteatose com o prognóstico em câncer de cólon e câncer retal ainda não está claro”, observam os autores.

No estudo, a tomografia computadorizada foi realizada no nível L3 para avaliar as características da composição corporal em 227 pacientes com câncer colorretal; os parâmetros clínicos foram coletados. A sobrevida global (SG) foi o desfecho primário; o desfecho secundário foi a sobrevida livre de doença (DFS). A atenuação músculo-esquelética e a área de tecido adiposo intramuscular foram associadas com a sobrevida livre de doença (p = 0,003 e p = 0,011, respectivamente) e sobrevida global (p <0,001 e p <0,001, respectivamente) em pacientes com câncer de cólon, mas não em pacientes com câncer de reto.

Apenas a área músculo-esquelética foi associada a melhor prognóstico relacionado à sobrevida global em pacientes com câncer retal (p = 0,009). Quando o câncer de colón e de reto foram analisados ​​separadamente, a miosteatose influenciou negativamente a sobrevida em pacientes com câncer de cólon, piorando a sobrevida livre de doença (hazard ratio [HR], 2,70; 95% CI, 1,07-6,82; p = 0,035) e sobrevida global (HR, 5,76); 95% CI, 1,31-25,40; p = 0,021). Em contraste, a presença de miosteatose não influenciou a sobrevida livre de doença (HR, 1,02; 95% CI, 0,52–2,03; p = 0,944) ou sobrevida global (HR, 0,76; 95% CI, 0,33–1,77; p = 0,529) em pacientes com câncer de reto.

“Nosso estudo mostrou claramente a interferência da miosteatose no tratamento e sobrevida dos pacientes com câncer de cólon, mas não no câncer de reto, reforçando a importância da separação dos dois tipos de câncer nos estudos de composição corporal. Além disso, a miosteatose na recuperação pós-cirúrgica afetou negativamente a não indicação de terapia adjuvante e contribuiu para a diferença marcante que encontramos entre câncer de cólon e reto”, destacam os autores.

Carvalheira observa que atualmente está claro que uma baixa radiodensidade e reduzida área músculo-esquelética influenciam negativamente o prognóstico de pacientes com câncer. Dessa maneira, acredita-se que a composição corporal reflita a reserva nutricional e funcional do paciente, a qual será exposta a destruição imposta pelo câncer ao paciente. “Dentro dessa linha de raciocínio, o nosso estudo demonstra que o impacto da composição corporal em desfechos relacionados à sobrevida é variável de acordo com a "necessidade da reserva nutricional", ou seja, o paciente com câncer de reto que faz seu tratamento de forma neoadjuvante tem menor "necessidade da reserva nutricional" recebendo sua quimioterapia adequadamente antes da cirurgia independente da radiodensidade muscular, enquanto o paciente com baixa radiodensidade muscular e câncer de cólon, para os quais a quimioterapia é administrada de forma adjuvante, apresenta dificuldade para completar o tratamento após a agressão cirúrgica imposta pela colectomia, sugerindo que a avaliação pormenorizada da composição corporal possa contribuir tanto para a melhor titulação da dosagem dos quimioterápicos como para determinar a estratégia adequada para o sequenciamento dos tratamentos oncológicos. Portanto, a análise da composição corporal deve ser incorporada na prática clínica não apenas para complementar o estadiamento do câncer, mas também para "estadiar" o hospedeiro", conclui.

Referência: Pozzuto L, Silveira MN, Mendes MCS, Macedo LT, Costa FO, Martinez CAR, Coy CRS, da Cunha Júnior AD and Carvalheira JBC (2021) Myosteatosis Differentially Affects the Prognosis of Non-Metastatic Colon and Rectal Cancer Patients: An Exploratory Study. Front. Oncol. 11:762444. doi: 10.3389/fonc.2021.762444

 


Publicidade
NOVARTIS
Publicidade
Publicidade
https://xperienceforumoncologia21.com.br/
Publicidade
MERCK
Publicidade
SANOFI
Publicidade
banner libbs2019 300x250
Publicidade
Zodiac
Publicidade
300x250 ad onconews200519