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AtualizadoSáb, 27 Nov 2021 11pm

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Daichii Sankyo

A qualidade do cuidado, podemos avançar?

Paliativos 2017 NET OKMesmo com as diretrizes de melhores práticas da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), que desencorajam cuidados de final de vida de baixo valor, muitos pacientes com câncer metastático continuam a receber intervenções médicas agressivas ao longo das semanas finais de vida. É o que mostra estudo retrospectivo de base populacional publicado por Deeb et al no JAMA Network Open, indicando que pacientes com câncer metastático de minorias raciais e étnicas e aqueles sem seguro privado têm maior probabilidade de serem admitidos no departamento de emergência, receber ventilação mecânica invasiva e ter estadias hospitalares mais longas na fase terminal.

Estudos anteriores que caracterizaram o cuidado de fim de vida entre pacientes com câncer avançado incluíram morte em unidade de cuidado intensivo como sinal de cuidado agressivo, listando ainda estratégias como a ventilação mecânica invasiva e terapias intensivas que prolongam a vida igualmente como sinais de cuidado agressivo.

Neste estudo, os pesquisadores usaram dados do Projeto de Custo e Utilização de Saúde compreendendo 21.335 pacientes da internação com idade ≥ 18 anos com diagnóstico principal de câncer metastático que morreram durante a hospitalização entre janeiro de 2010 e dezembro de 2017.

Os resultados da análise mostram que entre os 21.335 pacientes, a idade mediana foi de 65 anos (intervalo interquartil = 56-75 anos); 54,0% mulheres; 0,5% americanos, 3,3% asiáticos /ilhéus do Pacífico, 14,1% negros, 7,5% hispânicos e 65,9% brancos; 58,2% possuíam Medicare ou Medicaid e 33,2% possuíam seguro privado.

No geral, 63,2% dos pacientes foram admitidos no pronto-socorro; 4,6% receberam terapia sistêmica e 19,2% receberam ventilação mecânica invasiva durante a internação.

Comparado com pacientes brancos, maior probabilidade de admissão no departamento de emergência foi encontrada para pacientes da Ásia / Pacífico (odds ratio [OR] = 1,43, P <0,001), pacientes negros (OR = 1,39, P <0,001) e pacientes hispânicos (OR = 1,45, P <0,001).

Maior probabilidade de receber ventilação mecânica invasiva foi observada entre pacientes negros (OR = 1,59, P <0,001), grupo que teve menor probabilidade de receber terapia sistêmica (OR = 0,78, P = 0,02) e maior probabilidade de internação hospitalar com duração mais longa que a média da coorte (OR = 1,21, P <0,0001), seguido de pacientes da Ásia /Pacífico (OR = 1,21, P = 0,021).

Quando avaliado o custo do cuidado, a maior probabilidade de incorrer em cobranças totais mais altas foi observada em pacientes da Ásia / Pacífico (OR = 1,35, P = 0,001), pacientes negros (OR = 1,23, P <0,001) e hispânicos (OR = 1,50, P <0,001).

Em comparação com os pacientes com Medicare e Medicaid, os pacientes com seguro privado tiveram menor probabilidade de serem admitidos no departamento de emergência (OR = 0,47, P <0,001), assim como tiveram menor probabilidade de receber ventilação mecânica invasiva (OR = 0,75, P <0,001), ter um período de internação hospitalar maior que a mediana (OR = 0,72, P <0,0001) ou de incorrer em cobranças totais mais altas (OR = 0,64, P <0,001), destacam os autores.

“Neste estudo, os pacientes com câncer metastático de grupos de minorias raciais e étnicas e aqueles com cobertura do Medicare ou Medicaid tiveram maior probabilidade de receber intervenções agressivas de baixo valor no final da vida”, conclui a análise, indicando que mais estudos são necessários para avaliar os fatores subjacentes associados às disparidades nos cuidados de final da vida.

Referência: Deeb S, Chino FL, Diamond LC, et al. Disparities in Care Management During Terminal Hospitalization Among Adults With Metastatic Cancer From 2010 to 2017. JAMA Netw Open. 2021;4(9):e2125328. doi:10.1001/jamanetworkopen.2021.25328

 

 

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