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AtualizadoSeg, 19 Abr 2021 9pm

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Daichii Sankyo

JCO publica série sobre dor oncológica

Dor_1_OK.jpgO Journal of Clinical Oncology publicou na edição de 1º de junho (JCO Jun 1, 2014:1637-1639) um estudo de revisão que traz uma série de abordagens baseadas em evidências para a avaliação e gestão da dor no paciente oncológico. Conhecimentos recentes levaram a uma mudança de paradigma no tratamento da dor, permitindo aos médicos oferecer condutas personalizadas e adaptadas às necessidades individuais. 

O adequado manejo da dor começa com o rastreio sistemático, seguido de uma avaliação abrangente para identificar a etiologia da dor e as melhores escolhas de tratamento. A recomendação da ASCO também reforça que o planejamento terapêutico deve levar em conta os moduladores da expressão da dor, como alcoolismo, uso de drogas e estados de aflição psicológica, fundamentais para a abordagem individualizada de cada paciente.

O trabalho reúne uma série de recomendações, com a participação de diferentes especialistas, e entre as várias perspectivas mostra a importância de um plano de tratamento multidimensional associado a um acompanhamento longitudinal personalizado para melhorar a adesão do paciente e, em última instância, otimizar o controle da dor. “A dor é um dos aspectos mais temidos do câncer e é uma preocupação presente não só nos pacientes com câncer que recebem tratamento ativo, mas também em sobreviventes de longo prazo, e pode ter impacto negativo na qualidade de vida. A dor subtratada ou não tratada ainda é uma triste realidade na oncologia brasileira”, admite Sandra Serrano, do AC Camargo Cancer Center, também membro da Sociedade Brasileira de Estudos da Dor (SBED).

A série do JCO sobre dor oncológica também confere atenção à biologia da dor no câncer, explorando temas como dor óssea, dor e nocicepção e os complexos mecanismos da dor inflamatória e da dor neuropática. O trabalho discute ainda elementos associados ao próprio câncer, que ajudam a explicar porque a dor oncológica pode ter uma intensidade tão variável e difícil de gerir.

A série abre espaço para debater temas como “opioides, farmacologia e alívio da dor”, mostrando como o tratamento com novos agentes pode impactar seletivamente os estímulos nociceptivos relacionados, introduzindo o conceito de "agonismo parcial", sem deixar de lado questões importantes, tais como tolerância, riscos e benefícios do uso de opioides na dor do paciente oncológico, seleção de drogas, individualização da dose e vias de administração.

Entre os novos agentes, comercializados ou em desenvolvimento, estão o tapentadol, um analgésico oral de ação central, além de agentes combinados (oxicodona- naloxona e buprenorfina-naloxona) que têm sido desenvolvidos para reduzir a toxicidade e minimizar o potencial de abuso. O artigo de revisão traz ainda o papel de antiinflamatórios, corticóides, medicamentos antidepressivos, anticonvulsivantes e bisfosfonatos, com tabelas que oferecem informações importantes sobre evidências de benefício, potenciais mecanismos de ação, toxicidade e interações com outros agentes.
A série também examina a contribuição de intervenções não farmacológicas no manejo da dor do câncer.

“É uma leitura obrigatória para a prática clínica”, recomenda Sandra Serrano, para quem a publicação do JCO provoca também uma reflexão sobre a realidade atual e o potencial de mudança. “Tratar a dor no contexto do tratamento do câncer é fundamental e precisa entrar na agenda da assistência oncológica”, diz a especialista.

“Na página da SBED, uma sociedade que está completando 30 anos, você encontra uma lista de centros de dor no tratamento oncológico em apenas 18 estados brasileiros, e isso dimensiona o tamanho do desafio. O ideal é que cada centro de oncologia tenha um centro de dor e uma área de cuidados paliativos, o que ainda é uma realidade distante no Brasil”, conclui.

Referência: http://jco.ascopubs.org/content/32/16/1637.full

 

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