26102021Ter
AtualizadoSeg, 25 Out 2021 12am

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Daichii Sankyo

Vacinação contra HPV e risco de câncer de orofaringe

eliana wendland bxResultados de novo estudo de pesquisadores da Johns Hopkins, publicado 2 de setembro no JAMA Oncology, mostram que o maior número de casos de câncer de orofaringe até 2045 vai ocorrer entre indivíduos mais velhos e que não foram vacinados. “O impacto da vacinação será sentido a longo prazo, daí a importância da prevenção e diagnóstico precoce, especialmente em uma geração que não se beneficiou do acesso à vacina contra o HPV”, analisou Eliana Wendland (foto), epidemiologista do Hospital Moinhos de Vento e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

Os pesquisadores da Bloomberg School analisaram dados nacionais de câncer de orofaringe e projetaram o impacto da vacinação contra o HPV nas taxas desses cânceres em diferentes grupos etários. O modelo estimou que a taxa de câncer de orofaringe cairia quase pela metade entre 2018 e 2045 entre pessoas com idades entre 36-45 anos.

“Estimamos que a maioria dos casos de câncer de orofaringe entre 2018 a 2045 vão ocorrer entre pessoas com 55 anos ou mais e que não foram vacinadas”, destaca o autor principal do estudo, Yuehan Zhang. Nesta análise, Zhang e colegas estimaram que as taxas de vacinação até 2045 chegarão a cerca de 72% das pessoas com idades entre 36 e 45 anos, 37% na faixa entre 46 e 55 anos, 9% entre 56 e 69 anos e 0% entre 70 e 83 anos. Essas projeções mostram altas taxas contínuas de câncer de orofaringe em grupos mais velhos, principalmente não vacinados, e quase nenhuma mudança na taxa geral desses cânceres nos EUA - 14,3 por 100.000 supondo que não haja vacinação para este corte etário; e 13,8 por 100.000, com vacinação, em 2045.

Esses resultados sugerem que levará mais de 25 anos para desacelerar o aumento da incidência de câncer de orofaringe pelas taxas atuais de vacinação contra o HPV, porque a maioria dos casos da doença ocorrerá entre indivíduos mais velhos que ainda não foram vacinados.

“Nós vamos ter dois cenários”, avalia Fulana. “Um é a proteção a longo prazo da vacina contra  HPV; outro o desafio de tentar identificar precocemente os casos de câncer em uma geração que não teve acesso a essa medida protetiva”, diz.

O HPV é o vírus infeccioso sexualmente transmissível mais comum em todo o mundo. As infecções por HPV costumam ser silenciosas e, embora a maioria das infecções seja eliminada, algumas são crônicas e podem desencadear diferentes tipos de câncer, incluindo tumores de boca e garganta (orofaringe) e câncer cervical.

O câncer de orofaringe é o câncer mais comum relacionado ao HPV e de acordo com a Oral Cancer Foundation há mais de 50 mil novos casos nos Estados Unidos a cada ano. O uso de álcool e tabaco também está entre os fatores de risco, embora menos importantes do que o HPV.

“A vacinação é uma arma médica poderosa contra essa família de vírus e pode prevenir, mas não tratar. Portanto, é recomendado principalmente para os jovens que ainda não foram expostos ao HPV sexualmente transmissível que se vacinem”, alertam os pesquisadores.

Referência: Zhang Y, Fakhry C, D’Souza G. Projected Association of Human Papillomavirus Vaccination With Oropharynx Cancer Incidence in the US, 2020-2045. JAMA Oncol. Published online September 02, 2021. doi:10.1001/jamaoncol.2021.2907

 


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