25092021Sáb
AtualizadoSex, 24 Set 2021 3pm

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Daichii Sankyo

Imunoterapia e terapia sistêmica no câncer ginecológico

julianne lima bxJulianne Lima (foto), fellow da Royal Marsden NHS Foundation Trust, é primeira autora de estudo que discute imunoterapia e terapia sistêmica no câncer de endométrio e no câncer cervical no cenário da doença recorrente ou metastática.

Estratégias de imunoterapias direcionadas à via PD-1/L1 mostraram atividade clínica em tumores de endométrio e no câncer cervical, assim como a crescente compreensão da biologia molecular desses tumores tem moldado tratamentos específicos. Nesta análise, Lima e colegas revisam as atuais opções de tratamento e os resultados de ensaios clínicos de imunoterapia e terapias-alvo com potencial de transformar a prática clínica.

A pesquisadora brasileira destaca as evidências practice changing. “O tratamento padrão para pacientes com câncer de endométrio ou colo de Útero que apresentam progressão de doença após quimioterapia de primeira linha vai mudar. Pela primeira vez, resultados robustos de ganho de sobrevida global foram demonstrados favorecendo imunoterapia”, analisa.

Como co-investigadora e lead fellow de alguns dos estudos sumarizados neste paper, Julianne é otimista com o cenário atual. “É realmente animador ver os resultados de perto. Eu vejo pacientes em tratamento de doença metastática, em segunda linha, mantendo resposta completa por mais de 12 meses. Isso é algo quase inacreditável considerando o padrão de tratamento atual. Obviamente, resultados individuais como esses são uma pequena porcentagem. Porém, essa é a primeira vez que nós temos resultados robustos com ganho de sobrevida global em segunda linha para pacientes com tumores de endométrio e cânceres de colo uterino”, ressalta.

No câncer endometrial, a promessa vem do estudo de fase III KEYNOTE-775, que mostrou ganho de sobrevida livre de progressão (7.2 vs 3.8 meses, HR 0.56, p<0.0001) e sobrevida global (18.3 vs 11.4 meses, HR 0.63, p<0.0001) em favor da combinação pembrolizumabe e lenvatinibe quando comparado à quimioterapia padrão. A taxa de resposta obtida com a combinação foi o dobro da observada com quimioterapia (31% vs 14%), com 6,6% vs 2,6% de resposta completa, respectivamente. “A eficácia foi superior em tumores com status de instabilidade de microssatélite proficiente [Makker et al, 2021]. A mediana de follow up para os resultados apresentados na SGO 2021 foi de 11,4 meses e resultados individuais até o momento têm sido extremamente animadores”, diz Julianne.

No câncer de colo uterino, pela primeira vez os resultados preliminares do estudo de fase III EMPOWER Cervical 1/GOG-3016/ENGOT-cx9 apresentados na ESMO Virtual Plenary 2021 demonstraram ganho de sobrevida global da ordem de 31% em favor de cemiplimabe versus quimioterapia (HR 0.69, p=0.00011) para pacientes apresentando progressão de doença após uma ou duas linhas de quimioterapia com ou sem bevacizumabe. “A eficácia foi demonstrada a despeito do status PD-L1. A taxa de resposta observada foi mais que o dobro para o braço de cemiplimabe (16,4% vs 6,3%)”, ressalta a pesquisadora.  O perfil de eventos adversos relacionados ao tratamento favoreceu imunoterapia, com eventos Graus 3-4 registrados em 45% vs 53.4% dos pacientes recebendo cemiplimabe vs quimioterapia, respectivamente [Tewari et al, 2021]”, descreve a pesquisadora.

Incorporação 

No Brasil, o câncer de colo uterino se mantém como a neoplasia ginecológica mais prevalente. Estimativas do INCA para o triênio 2020-2022 apontam que a cada ano devem ocorrer 625 mil novos casos de câncer no Brasil. Nas mulheres, o câncer do colo do útero deve representar 7,5% do total de casos. “ A despeito disso, o tratamento da doença avançada refratária à quimioterapia é certamente uma das tarefas mais desafiadoras da oncologia. Assim, a incorporação de novas terapias precisa ser discutida e validada na nossa população, que ainda é sub representada nos principais estudos”, defende. “Quando prevenção e diagnóstico precoce falham, é preciso ser sensível a diferentes alternativas que podem ser complementares ou subsequentes”, diz.

O estudo foi publicado online 23 de julho na Clinical Oncology e tem como pesquisadora sênior a oncologista Susana Banerjee.

Referência: Lima J et al. Immunotherapy and Systemic Therapy in Metastatic/Recurrent Endometrial and Cervical Cancers. DOI:https://doi.org/10.1016/j.clon.2021.07.002

 

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