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AtualizadoSáb, 18 Set 2021 9pm

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Daichii Sankyo

IP1-PROSTAGRAM: triagem de câncer de próstata com ressonância magnética ou ultrassonografia

felipe galiza bxEstudo publicado no JAMA Oncology comparou o desempenho do teste de PSA, ressonância magnética e ultrassonografia no rastreamento do câncer de próstata. “Este estudo é um marco no rastreio do câncer de próstata, pois pela primeira vez demonstra relevância clínica e a superioridade de um método de imagem na detecção de tumor clinicamente significativo comparado com o tradicional rastreio bioquímico com dosagem do PSA”, destaca Felipe de Galiza (foto), radiologista especialista em oncologia e imagem molecular.

A triagem para câncer de próstata através do teste de PSA pode levar ao subdiagnóstico de câncer clinicamente significativo e superdiagnóstico de câncer indolente que não necessitaria de tratamento. A ressonância magnética (MRI) de curta duração pode ajudar a superar essas limitações.

Este estudo prospectivo de coorte cegado para as informações clínicas, de base populacional, foi conduzido em 7 centros de atenção primária e 2 centros de imagem no Reino Unido. Entre 10 de outubro de 2018 a 15 de maio de 2019, um total de 2.034 homens entre 50 a 69 anos de idade foram convidados a participar; destes, 411 compareceram à triagem e 408 consentiram em receber todos os testes.

Todos os participantes foram submetidos a triagem com teste de PSA, ressonância magnética biparamétrica (sequências ponderadas em T2 e difusão) e ultrassonografia (modo B e elastografia). Os testes foram interpretados de forma independente, sem conhecimento de outros resultados. Ambos os exames de imagem foram relatados em uma escala validada de 5 pontos (probabilística). Caso algum resultado do teste fosse positivo, uma biópsia sistemática de 12 fragmentos era realizada. Biópsias adicionais direcionadas às lesões alvo com fusão de imagens foram realizadas nos casos triados pelos métodos de imagem (ressonância magnética e/ou ultrassonografia).

O principal desfecho avaliado foi a proporção de homens com triagem positiva pela ressonância magnética ou ultrassonografia (definida como um score de 3-5 ou 4-5) ou teste de PSA (definido como PSA ≥3 μg / L). Os desfechos secundários foram o número de cânceres clinicamente significativos (Gleason de 3 + 4 / ISUP 2 ou superior) e clinicamente insignificantes detectados em cada teste isolado.

Resultados

A proporção de resultados positivos com ressonância magnética (score 3-5) foi maior do que a proporção de resultados positivos com teste de PSA (72 [17,7%; 95% CI, 14,3% -21,8%] vs 40 [9,9%; 95% CI, 7,3 % -13,2%]; P <0,001). A proporção com resultados positivos de ultrassonografia (score 3-5) também foi maior em comparação com os resultados de teste PSA positivos (96 [23,7%; 95% CI, 19,8% -28,1%]; P <0,001).

Para um limiar de score de 4 a 5 dos exames de imagem (maior especificidade), a proporção de resultados positivos de ressonância magnética foi semelhante à proporção de resultados de teste de PSA positivos (43 [10,6%; 95% CI, 7,9% -14,0%]; P = 0,71), assim como a proporção de resultados de ultrassonografia positivos (52 [12,8%; 95% CI, 9,9% -16,5%]; P = 0,15).

O teste de PSA (≥3 ng / mL) detectou 7 cânceres clinicamente significativos, a ressonância magnética (score 3 a 5) detectou 14 casos de câncer de próstata, ressonância magnética (score 4 a 5) detectou 11 casos, ultrassonografia (score 3 a 5) detectou 9 casos e a ultrassonografia (score 4 a 5) detectou 4 casos. Os cânceres clinicamente insignificantes foram diagnosticados por testes de PSA em 6 casos, por ressonância magnética (score 3 a 5) em 7 casos, RM (score 4 a 5) em 5 casos, ultrassonografia (score 3 a 5) em 13 casos e ultrassonografia (score 4 a 5) em 7 casos.

“Ao rastrear a população em geral para câncer de próstata, a ressonância magnética com score de 4 ou 5 para definir um resultado de teste positivo em comparação com o PSA isolado (3 ng/mL ou superior) foi associada a mais homens com diagnóstico clínico de câncer significativo, sem aumento no número de homens aconselhados a fazer biópsia ou superdiagnóstico de câncer clinicamente insignificante. Não houve evidência de melhor desempenho da ultrassonografia em comparação com o teste de PSA isolado”, concluíram os autores.

Melhorias no rastreio do câncer de próstata através de um método de imagem

Por Felipe de Galiza (foto), radiologista especialista em oncologia e imagem molecular

Por décadas o rastreio do câncer de próstata é realizado com toque retal (TR) e PSA sérico, e quando um destes está alterado indica-se biópsia prostática. Há alguns anos foi-se questionado o real benefício do rastreio com PSA nos EUA; porém, muitos autores vêm alertando pro aumento do diagnóstico de câncer de próstata em estágios mais avançados pela ausência de rastreio.

A utilização da ressonância magnética multiparamétrica da próstata tem ganhado força principalmente nos últimos cinco anos, sendo indicação formal de guidelines internacionais para o estadiamento local do tumor de próstata e também pra selecionar os pacientes com rastreio clínico alterado (TR e PSA) que necessitam de biópsia da próstata, além de detectar lesões focais para serem amostradas com maior precisão. Além disso foi testado um protocolo de exame de curta duração, conhecido como biparamétrico, que não utiliza injeção venosa de contraste, o que torna o exame mais rápido e mais barato. Essas são duas características muito importante quando se pensa em métodos de rastreio populacional, já que a escala numérica é muito grande em si pensando em homens entre 50-70 anos.

O que este estudo trouxe de inovador foi demonstrar o potencial benefício da utilização da RM como método de escolha no rastreio do câncer de próstata e eventualmente substituir o PSA. Porém ainda há um caminho a ser estudado e avaliado para tornar factível essa abordagem numa escala populacional, principalmente no contexto brasileiro. Ainda é necessário verificar impacto financeiro, bem como custo x benefício dessa implementação. Além disso não há aparelhos de RM que dê conta desta demanda. O primeiro passo foi dado no sentido de melhorar o rastreio do câncer de próstata utilizando um método de imagem, portanto ficamos ansiosos pelos próximos passos científicos que nos dê segurança de mudar nossa prática clínica diária.

Referência: Eldred-Evans D, Burak P, Connor MJ, et al. Population-Based Prostate Cancer Screening With Magnetic Resonance Imaging or Ultrasonography: The IP1-PROSTAGRAM Study. JAMA Oncol. Published online February 11, 2021. doi:10.1001/jamaoncol.2020.7456

 


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