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AtualizadoQui, 26 Nov 2020 3pm

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Daichii Sankyo

Panorama do câncer ginecológico no Brasil

angelica paulino 2020Qual é o panorama do câncer ginecológico no Brasil? A literatura é escassa de dados consolidados sobre a epidemiologia desses tumores no país. Para preencher essa lacuna, artigo publicado no JCO Global Oncology descreve a incidência, morbidade e mortalidade de mulheres no Brasil afetadas com tumores ginecológicos entre os anos de 2000 e 2017. Os oncologistas Eduardo Paulino e Angélica Nogueira-Rodrigues, do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA/GBTG), são coautores do trabalho.

“A maioria dos dados clínicos e epidemiológicos sobre cânceres ginecológicos vêm de países de alta renda. Pouco se sabe sobre a epidemiologia do câncer ginecológico em países de baixa e média renda como o Brasil, locais onde as pacientes podem enfrentar muitos obstáculos para receber cuidados preventivos e tratamento para muitos tipos de câncer”, observam os autores.

De acordo com a última publicação de dados de incidência do Instituto Nacional do Câncer (INCA), os tumores de colo do útero, ovário e uterino foram o terceiro, sétimo e oitavo cânceres mais comuns no Brasil, com 16.590, 6.650 e 6.540 novos casos, respectivamente, esperados em 2020.

O trabalho incluiu informações de incidência, morbidade e mortalidade de pacientes com diagnóstico de um dos cinco tumores ginecológicos mais comuns - colo do útero, útero, ovário, vulva e vagina – obtidos de três fontes de dados governamentais.

Foram analisados dados de 382.932 mulheres com tumores ginecológicos. Entre 2000 a 2015, as taxas de incidência de câncer de colo do útero, ovário e vagina diminuíram, enquanto as taxas de incidência para câncer do corpo do útero e vulva permaneceram relativamente estáveis.

A maioria das pacientes apresentava doença localmente avançada ou avançada no momento do diagnóstico: 60,1% das pacientes com câncer cervical, 31,2% das pacientes com câncer do corpo do útero, 67,2% das pacientes com câncer de ovário, 45,2% das pacientes com câncer de vulva e 67,0% das pacientes com câncer de vagina.

O tempo desde o diagnóstico até o primeiro tratamento foi ≥ 60 dias em 58% das pacientes com câncer cervical, 58,5% daquelas com câncer do corpo do útero, 27% dos casos de câncer de ovário, 55,3% das pacientes com câncer de vulva e 52,7% das pacientes com câncer de vagina. Com exceção de câncer de colo e corpo do útero e vulva, que apresentaram ligeira redução, as taxas de mortalidade permaneceram estáveis ​​entre 2000 e 2017.

O artigo destaca as diferenças regionais em um país de dimensões continentais como o Brasil, com diferenças importantes no que se refere ao índice de desenvolvimento e renda e reflete no acesso à prevenção e tratamento do câncer. “No entanto, o consolidado nacional, em comparação com dados internacionais, indica que as pacientes brasileiras têm diagnóstico de doença mais avançada e enfrentam maior atraso entre o diagnóstico e o primeiro tratamento. Apesar dos avanços no rastreamento e no tratamento, a mortalidade por tumores ginecológicos não diminuiu de forma satisfatória no país”, afirmam.

“Esses dados também podem espelhar a situação de outros países de baixa e média-baixa renda, porque a maioria das barreiras não é exclusiva do Brasil, e contribuir para informar o futuro manejo clínico e decisões políticas locais”, concluem.

Referência: Panorama of Gynecologic Cancer in Brazil - Eduardo Paulino, Andreia Cristina de Melo, Agnaldo Lopes Silva-Filho, Luiza de Freitas Maciel, Luiz Claudio Santos Thuler, Paul Goss, and Angelica Nogueira-Rodrigues – DOI: 10.1200/GO.20.00099 JCO Global Oncology no. 6 (2020) 1617-1630. Published online October 27, 2020.


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