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AtualizadoQui, 29 Out 2020 6pm

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NCI-MATCH, novas evidências na oncologia de precisão

Alessandro Leal

O ensaio NCI-MATCH reuniu dados da análise molecular de quase 6 mil tumores refratários para identificar anormalidades genômicas e correlacioná-las com terapias-alvo já aprovadas ou  em fase experimental direcionadas a essas alterações. Os resultados foram publicados 13 de outubro (ahead of print) no JCO* . “É verdadeiramente a primeira tentativa em larga escala de estabelecer a probabilidade de identificar opções terapêuticas direcionadas em uma coorte clínica representativa da população de pacientes com câncer refratário avançado”, analisa o oncologista Alessandro Leal (foto), do Centro de Oncologia e Hematologia da Família Dayan Daycoval, que comenta os dados do NCI-MATCH e aponta as limitações do estudo.

Neste ensaio de Fase II foram consideradas amostras de biópsia de 5.954 pacientes com câncer refratário,  analisadas por NGS. Pacientes com qualquer alteração molecular correlacionada a uma das terapias-alvo disponíveis foram designados a 1 de 30 subprotocolos de tratamento, em uma análise que comparou as alterações moleculares de sete tumores do estudo NCI-MATCH com os resultados do The Cancer Genome Atlas (TCGA). Os sete tumores analisados no NCI-MATCH foram mama, ducto biliar, colo do útero, colorretal, pulmão, pâncreas e próstata.

Os resultados reportados por Flaherty et al. mostram que a análise molecular do NCI-MATCH foi realizada com sucesso em 93,0% das amostras disponíveis. Uma alteração acionável foi encontrada em 37,6%. “Como marco desta primeira publicação, o grupo identificou alterações potencialmente acionáveis em pouco mais de um terço dos pacientes,  após a devida aplicação de filtros rigorosos”, destaca Leal, reforçando a análise dos autores. “Com base nos dados do NCI-MATCH, o paciente tem grande probabilidade (cerca de 40%) de ter uma alteração genômica para a qual existe um medicamento disponível ou em desenvolvimento”, ressalta nota divulgada pela ECOG-ACRIN, patrocinador do estudo.

Os autores observam que embora a taxa de correspondência  tenha sido de aproximadamente  40%, houve variações importantes entre os tipos de câncer. Mais de 25% dos pacientes com melanoma, câncer de ducto biliar, próstata, útero, junção gastroesofágica, trato urinário, sistema nervoso central ou câncer de colo do útero tinham tumores com alterações genômicas  que correspondiam aos alvos terapêuticos de tratamentos experimentais ou aprovados. “Em contraste, apenas 6% das pessoas com câncer de pâncreas  tinham mutações acionáveis. A taxa de correspondência média foi de 17% para os quatro tipos de câncer mais comuns - mama, colorretal, câncer de pulmão de células não pequenas e próstata”, descrevem.

Mutações de resistência às terapias-alvo foram mais frequentes em tumores NCI-MATCH do que na análise do TCGA.

Lançada em 2015, à época como o maior ensaio de oncologia de precisão,  a pesquisa NCI-MATCH não termina com esta análise, mas conta com 38 braços, explorando especialmente tumores raros. “Importante mencionar que as principais limitações deste ensaio incluem o número limitado de genes analisados, o que reduziu sobremaneira o potencial de caracterizar vias de efeitos ou resistência fora do alvo terapêutico, além do teste de sequenciamento ter detectado apenas fusões canônicas previamente reportadas, não tendo sido capaz de detectar novas variantes de fusão. Aguardamos ansiosamente os resultados de eficácia do pareamento de tratamentos que virão com o amadurecimento dos braços desta coorte multifacetada”, conclui Leal..

Referência: Molecular Landscape and Actionable Alterations in a Genomically Guided Cancer Clinical Trial: National Cancer Institute Molecular Analysis for Therapy Choice (NCI-MATCH) - DOI: 10.1200/JCO.19.03010 Journal of Clinical Oncology - Published online October 13, 2020.


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