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AtualizadoQui, 22 Out 2020 9pm

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Triagem e tratamento do vírus da hepatite B em pacientes com câncer

Duilio Rocha 2020 ok 2A Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) publicou uma atualização do Parecer Clínico Provisório (PCO) sobre a triagem e manejo da infecção pelo vírus da hepatite B (HBV) em pacientes em tratamento de câncer. Publicada no Journal of Clinical Oncology (JCO), a atualização sugere a triagem do HBV através de testes sorológicos em pacientes no início do tratamento anticâncer. O oncologista Duilio Rocha Filho (foto), chefe do Serviço de Oncologia Clínica do Hospital Universitário Walter Cantídio (UFC-CE), comenta as recomendações.

“Diversas diretrizes internacionais sobre o rastreamento de infecção por vírus B em pacientes oncológicos foram publicadas, com recomendações divergentes entre si. O PCO mais recente da ASCO modificou a orientação da Sociedade e passou a recomendar a pesquisa de vírus B em todo paciente em tratamento oncológico, em substituição ao rastreamento apenas de indivíduos com fatores de risco”, explica Duilio. “A posição da ASCO agora assemelha-se à de órgãos como o NCCN e a American Association for the Study of Liver Diseases”, acrescenta. 

Os PCOs são baseados em uma abordagem rigorosa e baseada em evidências e são projetados para oferecer orientação clínica oportuna após publicação ou apresentação de informações que possam mudar a prática. Em 2010, a ASCO publicou o primeiro Parecer Clínico Provisório, atualizado em 2015 com a introdução de um algoritmo clínico adaptável ao risco para ajudar a identificar e tratar pacientes com infecção por HBV e reduzir o risco de reativação do HBV por terapia anticâncer.

Segundo o PCO, todos os pacientes antes do tratamento sistêmico devem ser rastreados para a hepatite B com três testes - antígeno de superfície da Hepatite B (HBsAg), imunoglobulina do anticorpo contra hepatite B (anti-HBc total ou Anti HBc IGM), e anticorpo contra o antígeno de superfície da Hepatite B (anti-HBs). O documento ressalta que a terapia anticâncer não deve ser adiada para os resultados desses testes de triagem. “Achados de infecção crônica por HBV (HBsAg positivo) ou anterior (HBsAg negativo e anti-HBc positivo com anti-HBs negativo ou positivo) requerem avaliação do risco de reativação do HBV (Tipo de recomendação: evidência; Força da recomendação: Forte)”, destaca.

Pacientes com HBV crônico que recebem qualquer terapia sistêmica anticâncer devem receber terapia profilática antiviral durante o tratamento e por pelo menos 12 meses após a última dose. “A terapia hormonal, por si só, não deve representar um risco substancial de reativação do HBV em pacientes com HBV crônico recebendo terapia hormonal isoladamente; esses pacientes podem seguir as orientações para monitoramento e tratamento do HBV sem câncer”, afirma o documento.

As recomendações de monitoramento incluem a verificação da alanina aminotransferase (ALT) uma vez por mês nos primeiros três meses após a interrupção da terapia antiviral e a cada 3 meses posteriormente, além do nível de DNA do HBV no baseline antes ou no início da terapia antineoplásica, bem como a cada 6 meses durante a terapia antiviral. “Os surtos de hepatite, apresentando níveis elevados de ALT, podem ocorrer após a descontinuação da terapia antiviral”, observam os autores, acrescentando a importância da coordenação do tratamento com um clínico com experiência no tratamento do HBV para pacientes com HBV crônico para determinar o monitoramento e a terapia antiviral após a interrupção da terapia anticâncer e avaliar doenças hepáticas avançadas, como cirrose ou câncer de fígado. (Tipo: consenso informal; Força da recomendação: forte).

O documento recomenda ainda que pacientes com infecção prévia pelo HBV submetidos a terapias anticâncer associadas a um alto risco de reativação do HBV, como anticorpos monoclonais anti-CD20 ou transplante de células-tronco, devem receber profilaxia antiviral durante e pelo menos 12 meses após a conclusão da terapia anticâncer, com tratamento individualizado posteriormente. “O monitoramento cuidadoso pode ser uma alternativa se pacientes e profissionais de saúde puderem seguir um acompanhamento frequente e consistente, para que a terapia antiviral possa começar com o sinal mais precoce de reativação. Pacientes com HBV anterior submetidos a outras terapias anticâncer sistêmicas não claramente associadas a um alto risco de reativação do HBV devem ser monitorados com HBsAg e alanina aminotransferase durante o tratamento do câncer; a terapia antiviral deve começar se a reativação do HBV ocorrer”, diz a publicação.

Duilio observa que a superioridade do rastreamento universal em comparação com a pesquisa dirigida por risco não foi documentada em estudo controlado. “Questões como a ansiedade associada ao teste, os custos e a disponibilidade do rastreamento e do tratamento antiviral precisam ser consideradas e podem ser diferentes no Brasil em relação aos EUA. Por outro lado, a incidência de hepatite B no Brasil, em especial nas regiões Norte e Sul do país, é superior à detectada nos EUA, o que sugere que a recomendação da ASCO poderia ser estendida para o cenário brasileiro”, conclui.

Informações adicionais estão disponíveis em www.asco.org/supportive-care-guidelines.

Referência: Hepatitis B Virus Screening and Management for Patients With Cancer Prior to Therapy: ASCO Provisional Clinical Opinion Update - DOI: 10.1200/JCO.20.01757 Journal of Clinical Oncology - Published online July 27, 2020.

 


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