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AtualizadoQui, 30 Jul 2020 6pm

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NRG1 e resistência à terapia antiandrogênica no câncer de próstata

jose mauricio oncogu icesp bxEstudo de pesquisadores do Memorial Sloan Kettering Cancer Center demonstrou que a proteína neuregulina 1 (NRG1), encontrada em quantidade elevada em células estromais, contribui para a resistência à terapia antiandrogênica do câncer de próstata. Os resultados foram publicados no periódico Cancer Cell, em acesso aberto. “Demonstramos a existência de um mecanismo de resistência aos anti-andrógenos em câncer de próstata antes completamente desconhecido. Esse trabalho tem potencial para desenhar novas estratégias de tratamento para esses pacientes”, destaca o oncologista José Mauricio Mota (foto), chefe do Serviço de Oncologia Clínica Geniturinária do ICESP/FMUSP e coautor do trabalho.

A resistência à terapia hormonal continua sendo um desafio no tratamento do câncer de próstata avançado, apesar dos melhores resultados obtidos com os antiandrogênicos de segunda geração. A pesquisa sobre como o câncer de próstata desenvolve resistência à terapia antiandrogênica tem se concentrado principalmente nos mecanismos intrínsecos às células tumorais e à via do AR (gene que produz o receptor de andrógeno).

Nesse estudo, os pesquisadores descobriram que os fibroblastos associados ao câncer (CAFs) contribuem para a resistência à hormonioterapia em modelos pré-clínicos. “Identificamos que a neuregulina-1 (NRG1) é elevada nas células estromais dos tumores de próstata. A NRG1 ativa o receptor HER3, fazendo com que as células cancerígenas contornem o bloqueio hormonal, impulsionando o crescimento do tumor. O bloqueio farmacológico do eixo NRG1/HER3 usando anticorpos específicos ressensibiliza os tumores à deprivação hormonal in vitro e in vivo”, explicam.

Os autores destacaram que conseguiram detectar a presença e atividade de NRG1 e ativação de HER3 apenas em amostras de pacientes com câncer de próstata previamente expostos a hormonioterapia, mas não entre aqueles não previamente tratados. Esse achado reforça que essa via pode ser um mecanismo alternativo de aquisição de resistência à depleção de testosterona nos pacientes com câncer de próstata.

As proteínas HER3 e HER2 são alvos comuns para a terapia do câncer, especialmente no câncer de mama. No entanto, os resultados de medicamentos bloqueadores de HER2 e HER3 foram decepcionantes no tratamento do câncer de próstata em pacientes não selecionados. “Os ensaios clínicos anteriores de inibidores de HER2 no câncer de próstata não tinham conhecimento sobre qual a população de pacientes com maior probabilidade de benefício, e não foram projetados especificamente para testar a hipótese levantada nessa pesquisa”, argumentam, acrescentando que as terapias testadas anteriormente não são ideais para bloquear a ativação do HER3/HER4 mediada por NRG1.

“Este trabalho abre a possibilidade de desenvolver tratamentos com anticorpo que bloqueie essas proteínas de uma maneira diferente daquela testada anteriormente, e possibilita o desenvolvimento de um potencial novo biomarcador para aquisição de resistência à terapia hormonal”, observa Mota. “Além disso, revela um mecanismo de resistência aos antiandrogênicos no câncer de próstata completamente inovador e relacionado ao microambiente tumoral. Acreditamos que pode abrir caminho para futuros testes clínicos usando anticorpos anti-HER3, por exemplo”, conclui.

O trabalho foi financiado por subsídios do National Institutes of Health, entre outros apoiadores.

Referência: Tumor Microenvironment-Derived NRG1 Promotes Antiandrogen Resistance in Prostate Cancer - Zhang et al – Published: July 16, 2020 - DOI: 10.1016/j.ccell.2020.06.005


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