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AtualizadoSex, 04 Dez 2020 6pm

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Daichii Sankyo

FIRE: radiocirurgia estereotática em metástases cerebrais

Robson Ferrigno NET OKArtigo publicado no JAMA Oncology detalha os resultados do estudo FIRE-SCLC Cohort Study, que mostrou desfechos favoráveis da radiocirurgia como tratamento primário de metástases cerebrais de pacientes com câncer de pulmão de pequenas células. Robson Ferrigno (foto), médico especialista em radioterapia e Coordenador dos Serviços de Radioterapia dos Hospitais BP Paulista e BP Mirante, comenta os resultados.

Por Robson Ferrigno

O estudo é uma análise retrospectiva de 28 Instituições de seis países, incluindo Japão, Estados Unidos da América, Canadá, Tailândia, Alemanha e Suíça, de 710 pacientes com metástases cerebrais de câncer de pulmão de células pequenas (CPCP), sem tratamento prévio com radioterapia craniana profilática (PCI) ou terapêutica (WBRT), tratados primariamente com radiocirurgia (SRS)1.

Os autores ainda compararam os resultados encontrados com de outros 219 pacientes na mesma situação tratados inicialmente com WBRT, cujos dados foram extraídos de outra série retrospectiva de uma Instituição alemã previamente publicada2.

Nessa comparação, a sobrevida mediana dos pacientes tratados com SRS foi superior aos tratados com WBRT (8,5 meses versus 5,2 meses; p<0.001), assim como a sobrevida mediana livre de progressão em sistema nervoso central (SNC) (5 meses versus 3,8 meses; p=0,03). Em análises de propensão combinadas comparando SRS com WBRT, o emprego de WBRT foi associado a um maior tempo para recaída em SNC (taxa de risco de 0,38; IC95%, 0,26-0,55; p<0,001), a sobrevida mediana continuou maior com SRS (6,5 versus 5,2 meses; p=0,003) e a sobrevida mediana livre de progressão em SNC foi semelhante (4,0 meses para SRS versus 3,8 meses para WBRT; p=0,79).

No grupo de pacientes tratados com SRS, a sobrevida mediana de acordo com número de lesões foi de 11 meses para lesão única, 8,7 meses para 2 a 4 lesões, 8 meses para 5 a 10 lesões e 5,5 meses para 11 ou mais lesões.

O estudo possui nível de evidência inferior em relação aos estudos prospectivos e randomizados, porém, é um importante gerador de hipótese pelo número considerável de pacientes tratados com RC.

A sobrevida mediana maior observada nos pacientes tratados com RC foi provavelmente devido as características diferentes entre os dois grupos. Os pacientes tratados com WBRT tinham pior estado geral medido pelo “KPS” (escore ≤60: 30,1% versus 7,2%) e maior número de lesões cerebrais (≥5: 58,9% versus 32%). Essas diferenças são características de estudos retrospectivos que comparam dois coortes diferentes.

Quatro estudos prospectivos e randomizados previamente publicados já demonstraram sobrevida semelhante em pacientes com metástases cerebrais com até 4 lesões tratados inicialmente com SRS ou WBRT (3-6). No entanto, nenhum desses estudos incluiu pacientes com CPCP uma vez que esse tipo de tumor possui a característica de rápida progressão e, como consequência, o tratamento standard desses pacientes com metástases cerebrais têm sido WBRT.

A vantagem da SRS é a possibilidade de adiar ou evitar o emprego da WBRT, permitindo assim, que os pacientes não desenvolvam potenciais toxicidades inerentes à mesma, tais como, déficit neurocognitivo, síndrome de sonolência, alopecia temporária, surdez, fadiga, entre outras.

O estudo em questão, embora não randomizado, gera a hipótese da possibilidade de tratarmos as metástases cerebrais de CPCP inicialmente com SRS, deixando a WBRT para possível resgate nos casos de progressão através de múltiplas lesões e que não estejam respondendo ao tratamento sistêmico. Nos pacientes desse estudo, apenas 16,1% necessitaram de resgate com WBRT e outros 33,5% puderam ser resgatados com SRS.

Um dado curioso foi a ausência de impacto na sobrevida independente do número de lesões. Mesmos entre os pacientes com 2 a 4 lesões ou os com 5 a 10 lesões, a sobrevida mediana não foi inferior aos tratados com WBRT. Esse dado provocante, aliado à integração da imunoterapia no manejo atual do CPCP metastático, traz a tona a estratégia de considerarmos a SRS como tratamento primário das metástases cerebrais de CPCP como várias Instituições dentro e fora do Brasil já estão adotando.

Referências

1 - Rusthoven CG, Yamamoto M, Bernhardt D, et al. Evaluation of First-line Radiosurgery vs Whole-Brain Radiotherapy for Small Cell Lung Cancer Brain Metastases: The FIRE-SCLC Cohort Study. JAMA Oncol. Published online June 04, 2020. doi:10.1001/jamaoncol.2020.1271

2- Bernhardt D, Adeberg S, Bozorgmehr F, et al. Outcome and prognostic factors in patients with brain metastases from small-cell lung cancer treated with whole brain radiotherapy.J Neurooncol. 2017;134 (1):205-212. doi:10.1007/s11060-017-2510-0

3- Kocher M, Soffietti R, Abacioglu U, et al. Adjuvant whole-brain radiotherapy versus observation after radiosurgery or surgical resection of one to three cerebral metastases: results of the EORTC 22952-26001 study. J Clin Oncol. 2011;29 (2):134-141. doi:10.1200/JCO.2010.30.1655

4- Chang EL, Wefel JS, Hess KR, et al. Neurocognition in patients with brain metastases treated with radiosurgery or radiosurgery plus whole-brain irradiation: a randomised controlled trial. Lancet Oncol. 2009;10(11):1037-1044. doi:10. 1016/S1470-2045(09)70263-3

5- Brown PD, Jaeckle K, Ballman KV, et al. Effect of radiosurgery alone vs radiosurgery with whole brain radiation therapy on cognitive function in patients with 1 to 3 brain metastases: a randomized clinical trial.JAMA. 2016;316(4):401-409. doi:10.1001/ JAMA. 2016.9839

6- Aoyama H, Shirato H, Tago M, et al. Stereotactic radiosurgery plus whole-brain radiation therapy vs stereotactic radiosurgery alone for treatment of brain metastases: a randomized controlled trial. JAMA. 2006;295(21):2483-2491. doi:10.1001/jama. 295.21.2483

 


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