28092021Ter
AtualizadoTer, 28 Set 2021 1pm

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Daichii Sankyo

Teste de DNA nas fezes e o câncer colorretal

Nota1_Diversas_Cologard_DNAFezes_OK.jpgUm grande estudo clínico prospectivo publicado hoje no New England Journal of Medicine mostrou que um teste de DNA de fezes detectou significativamente mais casos de câncer colorretal em comparação com o tradicional teste imunoquímico fecal (fecal immunochemical test (FIT)), em pacientes de risco intermediário. O teste, chamado Cologuard, é produzido pela Exact Sciences e foi codesenvolvido pela Mayo Clinic.

Investigadores de 90 instituições na América do Norte incluíram indivíduos de 50-84 anos, com risco médio, programados para passar por colonoscopia. A população do estudo foi enriquecida com pacientes com idade ≥ 65 anos, em uma tentativa de aumentar o número de casos de câncer na amostra pesquisada. O endpoint primário foi o desempenho do teste de DNA para detecção de lesões cancerosas identificadas durante a colonoscopia, e o endpoint secundário foi a capacidade para detectar lesões pré-cancerosas.

A análise final incluiu dados de 9.989 pacientes, 65 com câncer colorretal em colonoscopia e 757 com lesões pré-cancerosas avançadas. O teste de DNA identificou 60 dos 65 tumores malignos, incluindo 56 de 60 lesões consideradas relevantes para triagem (estadios I-III). O Cologuard detectou 321 lesões pré-cancerosas avançadas identificadas por colonoscopia, resultando numa especificidade de 42,4%, enquanto a FIT teve uma especificidade de 23,8% (P <0,001). A sensibilidade também favoreceu o teste de DNA, com 92,3% para todas as doenças malignas e 93,3% para as lesões relevantes para a triagem. Os valores correspondentes para FIT foram 73,8% e 73,3% (P = 0,002). "A sensibilidade é a característica mais importante para testes de rastreamento", afirmou Thomas F. Imperiale, primeiro autor do estudo. A sensibilidade do teste para a detecção de lesões pré-cancerosas foi cerca de metade da observada para a detecção do câncer.

Os bons resultados do teste de DNA de fezes não o isentam de algumas críticas ao seu desempenho. Ele foi associado a uma taxa muito mais elevada de testes de exclusão relacionados à coleta de amostras ou à aplicação do ensaio (6,3% versus 0,3%), apresentou menor especificidade para lesões pré-cancerosas não-avançadas (86,6% contra 94,9%) e para os resultados negativos da colonoscopia (89,8% contra 96,4%), e traz mais resultados falso-positivos.

Revisão do FDA é unânime ao endossar teste

O estudo serviu como base para a recente revisão do Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora norte-americana, que endossou o exame de fezes que utiliza o DNA para detectar câncer colorretal e tumores pré-cancerosos. A comissão de peritos em genética do FDA foi unânime (10 x 0) em afirmar que os benefícios do teste Cologuard superam seus riscos. A votação equivale a uma recomendação para que o FDA aprove o teste.

A revisão do Cologuard pelo FDA sugere que são necessários estudos adicionais de follow up para verificar sua precisão ao longo de vários anos e determinar qual papel pode desempenhar no rastreamento do câncer colorretal.
O estudo foi financiado pela Exact Sciences, desenvolvedora do teste de DNA, e funcionários da companhia participaram da investigação como co-autores.

Números do câncer colorretal

O câncer colorretal é a segunda principal causa de mortes por câncer nos Estados Unidos, com mais de 50 mil previstas para este ano, de acordo com a American Cancer Society. No Brasil, é o segundo mais prevalente entre as mulheres e o terceiro em homens. Segundo as estimativas do Instituto Nacional do Câncer José de Alencar (INCA), este ano teremos 17.530 novos casos em mulheres e 15.070 em homens, com maior prevalência nas regiões Sul e Sudeste.

Referência:
1 - New England Journal of Medicine
Source reference: Imperiale TF, et al "Multitarget stool DNA testing for colorectal-cancer screening" N Engl J Med 2014; DOI: 10.1056/NEJMoa1311194.

2 - New England Journal of Medicine
Source reference: Robertson DJ, Dominitz JA "Stool DNA and colorectal-cancer screening" N Engl J Med 2014; DOI: 10.1156/NEJMe1400092.

 
 

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