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AtualizadoSeg, 30 Nov 2020 1am

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Daichii Sankyo

Cirurgia robótica ginecológica durante a pandemia de COVID-19

reitan 2020 bxA Society of European Robotic Gynaecological Surgery (SERGS) emitiu uma declaração com orientações para garantir a máxima segurança em procedimentos de cirurgia robótica ginecológica durante a pandemia de COVID-19. “A nota reforça algumas questões importantes sobre cirurgia durante a pandemia, que valem para qualquer via de acesso cirúrgico. A decisão sobre uso de via minimamente invasiva ou aberta segue sendo baseada no equilíbrio entre aumento da morbidade versus aumento do risco da equipe”, ressalta o cirurgião oncológico Reitan Ribeiro (foto), médico do Hospital Erasto Gaertner e do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP) e diretor científico da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO).

A declaração publicada no Journal of Gynecologic Oncology considera apenas cirurgias de emergência que não podem ser adiadas ou cirurgias que, se adiadas, podem causar danos significativos. Entre os procedimentos estão cirurgias de emergência como ruptura de abscesso tubário-ovário, abscesso tubário-ovário que não responde à terapia conservadora, e cerclagem de emergência; e cirurgias que não podem ser significativamente atrasadas, como alguns casos de câncer ou suspeita de câncer e cerclagem do colo do útero.

Os autores observam que em comparação com cirurgia laparoscópica aberta ou convencional, a cirurgia robótica reduz potencialmente não apenas a contaminação com fluidos corporais e eliminação de gases no centro cirúrgico, mas também o número de equipes médicas diretamente expostas. “O valor agregado da cirurgia robótica, tanto para a questão do vazamento de gás quanto do estresse pulmonar, é que a pressão de CO2 pode ser minimizada. Enquanto a pressão para a visão ideal na laparoscopia convencional deve estar entre 10 e 15 mmHg, a visão robótica permanece estável e ideal até 5 mmHg”, explicam.

Outra vantagem do uso de uma plataforma robótica apontada é a diminuição do tempo de hospitalização, o que permite otimizar o uso de recursos em um período de extrema escassez de leitos hospitalares.

Medidas preventivas

Embora algumas recomendações façam uma distinção entre pacientes com teste positivo ou negativo para SARS-CoV-2, em muitos casos os testes pré-operatórios podem não estar disponíveis. Vale notar a taxa significativa de falso-negativos, que em alguns casos pode variar entre 15% e 25%. Além disso, parece haver um atraso em relação aos sintomas associados ao COVID-19. Por esse motivo, a Food and Drug Administration recomendou que um resultado negativo não seja utilizado como a única base para decisões de gerenciamento de pacientes. “Atualmente, independentemente do status de teste dos pacientes, toda cirurgia deve ser considerada de alto risco e medidas preventivas rigorosas devem ser implementadas a cada operação”, afirma o documento.

Entre as recomendações estão o uso do nível mais alto de proteção III para assistente do leito cirúrgico, e nível II para o cirurgião de console robótico; redução do número de funcionários na sala de operações; garantia de evacuação segura e eficaz do gás; redução da pressão intra-abdominal para 8 mmHg ou menos. Além disso, o documento recomenda minimizar a energia do eletrocautério e evitar o uso de dispositivos de vedação ultrassônicos.

Outra medida recomendada pelo SERGS para garantir a disponibilidade contínua de funcionários saudáveis é manter a equipe cirúrgica fora do hospital e aconselhar o auto-isolamento quando não estiver em atividade, sem participar das rondas da enfermaria ou atender pacientes externos.

Reitan Ribeiro observa que a declaração reforça algumas questões importantes sobre cirurgia durante a pandemia, que valem para qualquer via de acesso cirúrgico. “Primeiro, que é preciso continuar realizando cirurgias de casos urgentes ou graves cujo atraso pode resultar em piora dos desfechos. Segundo, a questão do rastreamento de casos assintomáticos e proteção das equipes de saúde. É um tema controverso e de difícil resolução”, diz o cirurgião.

“Nas questões relacionadas diretamente com a via robótica, são opiniões baseadas na defesa da técnica, conflito óbvio de interesse da própria sociedade que redige a nota. Infelizmente, os benefícios da cirurgia robótica nesses casos em relação à laparoscopia não passam de especulação. Para a maioria das situações citadas a cirurgia laparoscópica teria o mesmo benefício, com provavelmente nenhum ou pequeno aumento do risco de contaminação das equipes”, conclui.

Referência: Robot assisted surgery during the COVID-19 pandemic, especially for gynecological cancer: a statement of the Society of European Robotic Gynaecological Surgery (SERGS) - J Gynecol Oncol. 2020 May;31(3):e59. English.
Published online Apr 03, 2020. 
https://doi.org/10.3802/jgo.2020.31.e59


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