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AtualizadoSáb, 30 Maio 2020 8pm

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Guideline: manejo do câncer de mama hereditário

debora gagliato 2019 1 bxA Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), a Sociedade Americana de Radiação Oncológica (ASTRO) e a Sociedade de Cirurgia Oncológica (SSO) reuniram um Painel de Especialistas para desenvolver recomendações sobre o manejo de pacientes com câncer de mama com mutações germinativas nos genes de suscetibilidade ao câncer de mama. A oncologista Debora Gagliato (foto), da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo – comenta as diretrizes publicadas no Journal of Clinical Oncology (JCO).

Cinquenta e oito artigos preencheram os critérios de elegibilidade e formaram a base de evidências para as recomendações de terapia local; seis ensaios clínicos randomizados de terapia sistêmica preencheram os critérios de elegibilidade.

Recomendações

Pacientes com câncer de mama recém-diagnosticado com mutação BRCA1 / 2 podem ser considerados para terapia conservadora de mama, com controle local do índice de câncer semelhante ao de não portadores de mutação. “O risco significativo de um câncer de mama contralateral, especialmente em mulheres jovens, e o maior risco de novos tumores na mama ipsilateral justificam a discussão da mastectomia bilateral”, observam os autores.

Segundo o guideline, pacientes com mutações nos genes de risco moderado devem receber terapia conservadora da mama. “Para mulheres com mutações BRCA1 / 2 ou nos genes de penetrância moderada elegíveis para mastectomia, a mastectomia poupadora de mamilo é uma abordagem razoável”, afirma o documento. Os autores ressaltam que não há evidências de toxicidade aumentada ou eventos de câncer de mama contralateral da exposição à radiação em portadores BRCA1 / 2.

Para pacientes com mutações na linha germinativa do TP53, a recomendação é a mastectomia; já a radioterapia é contraindicada, exceto naqueles com risco significativo de recorrência locorregional.

As diretrizes também recomendam a utilização de agentes baseados em platina versus taxanos para tratar o câncer de mama avançada em portadoras de BRCA. No cenário adjuvante/neoadjuvante, no entanto, os dados não suportam a adição de platina à quimioterapia baseada em antraciclina e taxano.

Em relação aos inibidores de poli (ADP-ribose) polimerase (PARP), olaparibe e talazoparibe são preferíveis à quimioterapia não platina de agente único para tratamento da doença avançada em portadores BRCA1 / 2. “Os dados são insuficientes para recomendar o uso de inibidor de PARP no cenário inicial ou em portadores de penetrância moderada”, afirmam.

Segundo a oncologista Débora Gagliato, está bastante evidente que as sociedades querem alertar a comunidade médica que pacientes portadoras de mutação germinativa em BRCA 1 e 2 não devem automaticamente ser excluídas do manejo cirúrgico conservador. “Nesse contexto, a conduta cirúrgica deve ser discutida considerando o aumento do risco de câncer de mama contralateral e o possível aumento do risco de um novo câncer de mama primária ipsilateral, sendo a idade da paciente ao diagnóstico da neoplasia e o prognóstico de doença pontos fundamentais a serem colocados em discussão”, explica.

A especialista acrescenta que a história familiar de câncer e a capacidade de aderência ao follow-up up baseado em ressonância das mamas são fatores importantes e devem ser pontos adicionais considerados na discussão. “Além disso, o guideline enfatiza que em pacientes com câncer de mama portadores de mutação em um gene de susceptibilidade com penetrância moderada, a terapia conservadora da mama deve ser oferecida a pacientes para os quais essa modalidade de tratamento é uma opção adequada, e que a mutação isoladamente não deve de forma alguma ser usada como base exclusiva para tomada de decisão em relação à cirurgia mamária”, conclui.

Informações adicionais estão disponíveis em www.asco.org/breast-cancer-guidelines.

Referência: Management of Hereditary Breast Cancer: American Society of Clinical Oncology, American Society for Radiation Oncology, and Society of Surgical Oncology Guideline - Nadine M. TungDana Zakalik et al - Published online April 03, 2020. - DOI: 10.1200/JCO.20.00299 Journal of Clinical Oncology

 


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