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AtualizadoSex, 27 Nov 2020 1am

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Daichii Sankyo

IDEA FRANCE – nova análise discute depósitos tumorais

Roberto Gil SFBO bx 2020 okO ensaio de fase III IDEA France investigou a duração ideal do tratamento adjuvante (3 X 6 meses) de CAPOX e FOLFOX em pacientes com câncer de cólon. Agora, análise post hoc publicada no Journal of Clinical Oncology determinou o impacto prognóstico de depósitos tumorais (DTs) na sobrevida livre de doença de pacientes inscritos no IDEA France. O oncologista Roberto Gil (foto), médico do Grupo Oncoclínicas, comenta os resultados.

Depósitos tumorais (DTs) parecem afetar o prognóstico de pacientes com câncer de cólon (CC). Na 7ª edição do sistema de estadiamento TNM do American Joint Committee on Cancer (AJCC), a presença de DTs foi considerada uma entidade separada (nova categoria pN1c) das metástases linfonodais. “No entanto, na era da terapia adjuvante baseada em critérios histopatológicos, isso pode diminuir a precisão prognóstica”, argumenta o artigo de Delattre et al. no JCO.

“Embora descritos desde 1935, os depósitos tumorais só foram incorporados ao estadiamento do TNM em 1997, na 5ª edição, mas como parte do estadiamento linfonodal, apenas na 7ª edição. Sua caracterização patológica não é homogênea, não existem critérios claros para sua definição”, explica Gil. “Acredita-se que 20% dos tumores expressam esses depósitos tumorais, mas nesse estudo, por exemplo, foram encontrados em apenas 9,5% dos pacientes”, acrescenta.

Nesta análise, os pesquisadores avaliaram o impacto dos DTs na sobrevida livre de doença (SLD). O efeito da adição de depósitos tumorais à contagem de metástases linfonodais (LNM) no reestadiamento de pN também foi avaliado. Para estabelecer a associação entre depósitos tumorais e SLD os pesquisadores usaram análise multivariável.

Resultados

Dos 1.942 pacientes incluídos na análise, 184 (9,5%) tinham DTs. Os pacientes com presença de DTs (DT positivo) tiveram pior prognóstico na comparação com aqueles sem DTs (DT negativo), com taxas de SLP em três anos de 65,6% (IC 95%, 58,0% a 72,1%) e 74,7% (IC 95%, 72,6% a 76,7%; P = .0079), respectivamente. Na análise multivariável, os DTs foram associados a um maior risco de recorrência ou morte (taxa de risco [HR], 1,36; P = 0,0201) em todos os estágios de pN. A sobrevida livre de doença em três anos foi de 66,2% vs 79,5% entre os pacientes pN1a/b DTs positivo vs DTs negativo (P = 0,0067) e 50,2% vs 60,0% entre os pacientes pN2 com DTs vs aqueles sem depósitos tumorais (P = 0,142).

Outros fatores adversos incluíram doença pT4 e / ou pN2 (HR, 2,21; P <0,001), um curso de 3 meses de tratamento adjuvante (HR, 1,29; P = 0,0029), obstrução do tumor (HR, 1,28; P = 0,0333) e sexo masculino (HR, 1,24; P = 0,0151). Os pacientes reestadiados como portadores de doença pN2 (n = 35, 2,3%) apresentaram SLD semelhante aos pacientes inicialmente classificados como pN2.

Em conclusão, a presença de depósitos tumorais foi associada a pior prognóstico em pacientes com câncer de cólon em estágio III que receberam 3 ou 6 meses de quimioterapia adjuvante com FOLFOX (fluorouracil, leucovorina e oxaliplatina) ou CAPOX (capecitabina e oxaliplatina).“A presença de depósitos tumorais foi um preditor independente de pior sobrevida livre de doença. A adição de TD ao LNM pode ajudar a definir melhor a duração da terapia adjuvante”, propõem os autores.

“Houve uma clara demonstração de que a presença de depósitos tumorais compromete o prognóstico dos pacientes. O número de linfonodos comprometidos fizeram com que você tivesse uma migração do estadiamento, de baixo risco para alto risco, em 35 pacientes (2,4%), trazendo como consequência a definição de que talvez alguns desses pacientes que consideramos baixo risco podem, na verdade, ser pacientes de alto risco”, analisa Gil.

O especialista observa que, para esses pacientes com depóstos tumorais, a estratégia de três meses de duração do tratamento pode não ser a mais conveniente, particularmente nos pacientes que migram para o estágio N2. “O relato mostra que há uma grande dificuldade de estabelecer critérios claros para definição dos depósitos tumorais. Esperamos que, no futuro, essa definição possa ser realizada de forma mais clara pelos patologistas, auxiliando os oncologistas na definição das estratégias de tratamento”, conclui.

Informações do ensaio na plataforma ClinicalTrials.gov: NCT00958737

Referência: Delattre, J.-F., Cohen, R., Henriques, J., Falcoz, A., Emile, J.-F., Fratte, S., … Svrcek, M. (2020). Prognostic Value of Tumor Deposits for Disease-Free Survival in Patients With Stage III Colon Cancer: A Post Hoc Analysis of the IDEA France Phase III Trial (PRODIGE-GERCOR). Journal of Clinical Oncology, JCO.19.01960. doi:10.1200/jco.19.01960 


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