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AtualizadoQui, 09 Abr 2020 10pm

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Quimioterapia adjuvante no câncer urotelial

FABIO SCHUTZ LACOG GU NET OKA quimioterapia adjuvante à base de platina melhorou significativamente a sobrevida livre de doença em pacientes com câncer urotelial do trato superior, conferindo redução de 55% no risco relativo de recorrência ou morte e redução de 52% no risco de metástase ou morte. Os resultados estão em artigo de Birtle A et al., no Lancet. Quem comenta é o oncologista Fábio Schutz (foto), da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo. 

Neste estudo multicêntrico de fase III (POUT trial), os pesquisadores avaliaram a eficácia e segurança da quimioterapia sistêmica baseada em platina após nefroureterectomia em pacientes com câncer urotelial do trato superior localmente avançado (apresentado como pT2 – T4, pN0 – N3 M0 ou pTany N1–3 M0). O acompanhamento incluiu avaliações cistoscópicas, radiológicas e clínicas. O endpoint primário foi sobrevida livre de doença, de acordo com avaliação do investigador.

Resultados

Durante um período de 5 anos, 261 pacientes foram randomizados para vigilância (N=129) ou quatro ciclos de 21 dias de quimioterapia adjuvante com gemcitabina (1000mg/m2 EV no D1 e D8) associada a cisplatina (70mg/m2 EV no D1) ou carboplatina (AUC 4,5 a 5 [de acordo com práticas institucionais locais] EV no D1) a cada 3 semanas por 4 ciclos (N=132). A escolha do agente de platina ficou a critério da função renal do paciente sendo permitido a alocação do paciente para carboplatina apenas se Clearance de Creatinina <50mL/min e >=30mL/min. 

O ensaio alcançou seu objetivo primário e aproximadamente 75% dos pacientes completaram os quatro ciclos planejados de quimioterapia.

Em um acompanhamento médio de 30,3 meses (IQR 18,0-047,5), a quimioterapia adjuvante melhorou significativamente a sobrevida livre de doença (Hazard Ratio [HR] de 0,45, IC95% 0,30-30,68; p = 0,0001). As estimativas de SLD em três anos foram de 71% (IC 95% 61-78) e 46% (36-56) para quimioterapia e vigilância, respectivamente.

Em relação ao perfil de segurança, 44% dos participantes que iniciaram quimioterapia tiveram eventos adversos de grau 3 ou pior, porém estes eventos adversos foram compatíveis com os comumente relatados com o esquema de quimioterapia administrado. 

“A quimioterapia combinada gemcitabina-platina iniciada dentro de 90 dias após a nefroureterectomia melhorou significativamente a sobrevida livre de doença em pacientes com câncer urotelial do trato superior localmente avançado. A quimioterapia adjuvante à base de platina deve ser considerada um novo padrão de tratamento após nefroureterectomia para essa população de pacientes”, concluíram os autores.

Fábio Schutz, oncologista da BP - a Beneficência Portuguesa de São Paulo, destaca que o  POUT é o primeiro estudo a ser conduzido especificamente em pacientes com carcinoma urotelial de trato urinário superior. "O estudo POUT também apresenta grande importância por ter permitido a inclusão de pacientes com Clearance de Creatinina <50mL/min, optando pela administração de carboplatina para estes pacientes. O estudo não teve poder estatístico para comparar formalmente os pacientes que receberam cisplatina e os que receberam carboplatina. Entretanto, não foi também observada heterogeneidade significativa entre os dois grupos, apontou Schutz. "Este é outro ponto bastante importante do estudo, visto que a maioria dos pacientes com carcinoma urotelial de trato urinário superior são submetidos a nefroureterectomia e tem, portanto, função renal comprometida. Sabemos que no geral a cisplatina apresenta maior atividade que a carboplatina, e deve, portanto, ser preferida sempre que possível e a função renal permitir. Entretanto, o fato do estudo POUT ter demonstrado resultados positivos para sobrevida livre de doença e sobrevida livre de metástases justifica e autoriza o uso de quimioterapia adjuvante baseada em carboplatina", explica Schutz.

Referência: Birtle, A., Johnson, M., Chester, J., Jones, R., Dolling, D., Bryan, R. T., … Hall, E. (2020). Adjuvant chemotherapy in upper tract urothelial carcinoma (the POUT trial): a phase 3, open-label, randomised controlled trial. The Lancet. doi:10.1016/s0140-6736(20)30415-3

 


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