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AtualizadoQui, 21 Nov 2019 8pm

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ADT, demência e doença de Alzheimer

DIOGO BASTOS LACOG GU NEW NET OKEstudo de coorte retrospectivo utilizou dados do Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos e do sistema Medicare para analisar a associação entre exposição à ADT e diagnóstico de demência ou doença de Alzheimer entre homens com câncer de próstata. Os resultados estão em acesso aberto, no JAMA Network. "Este é o maior trabalho já publicado sobre terapia de deprivação androgênica (ADT) e risco de Doença de Alzheimer e mostrou associação positiva com declínio cognitivo", avalia o oncologista Diogo Assed Bastos (foto), chair do LACOG GU e médico do ICESP e do Hospital Sírio-Libanês.   

Participaram do estudo 154 089 idosos recém-diagnosticados com câncer de próstata entre 1996 e 2003. As análises foram realizadas entre 1º de novembro de 2018 e 31 de dezembro de 2018.

Resultados

Dos 154 089 homens que preencheram os critérios de inclusão, 62 330 receberam ADT durante 2 anos após o diagnóstico (média de 76 anos de idade) e 91 759 não receberam terapia de privação androgênica (média de 74,3 anos).

Após acompanhamento pela média de 8,3 anos, a exposição a ADT foi positivamente associada ao diagnóstico de doença de Alzheimer (13,1% vs 9,4%; diferença 3,7%; IC 95% 3,3% -3,9%; P <0,001; razão de risco [HR], 1,14; IC95%, 1,10-1,18) e demência (21,6% vs 15,8%; diferença, 5,8%; IC95%, 5,4% -6,2%; P <0,001; HR, 1,20; IC de 95%, 1,17-1,24).

Para 1 a 4 doses de ADT, a razão de risco foi de 1,19 (IC 95%, 1,15-1,24) para doença de Alzheimer e 1,19 (IC 95%, 1,15-1,23) para demência. Para 5 a 8 doses de ADT, a HR foi de 1,28 (IC 95%, 1,22-1,35) para doença de Alzheimer e 1,24 (IC 95%, 1,19-1,29) para demência. Para mais de 8 doses de ADT, a razão de risco foi de 1,24 (95% CI, 1,16-1,34) para doença de Alzheimer e 1,21 para demência (95% CI, 1,15-1,28). O número necessário para gerar prejuízos foi de 18 pacientes (95% IC, 17-19 doentes) e 10 doentes (95% IC, 9,5-11 doentes) para doença de Alzheimer e demência, respectivamente.

Em conclusão, os resultados mostram que entre os pacientes idosos com câncer de próstata, a exposição à ADT foi associada ao diagnóstico subsequente de doença de Alzheimer ou demência.

A íntegra do estudo está disponível, em acesso aberto.

Deprivação androgênica e declínio cognitivo

Por Diogo Assed Bastos 

Este estudo do JAMA Network é o maior trabalho já publicado sobre terapia de deprivação androgênica (ADT) e risco de Doença de Alzheimer. É o estudo mais robusto de todos e mostrou associação positiva com declínio cognitivo. Como interpretar esses dados? Sabemos que ADT é um dos principais tratamentos para o câncer de próstata e é preciso pesar riscos e benefícios. O risco de Alzheimer apontado nesses estudos é pequeno, em torno de 3 a 4%. Na doença avançada, em que o principal tratamento é a terapia de deprivação androgênica, a ADT é fundamental porque os benefícios são muito maiores que os riscos. No entanto, no câncer de próstata localizado, em que o tratamento com ADT e radioterapia tem intuito curativo, o cenário é mais delicado e a análise precisa ser aprofundada, para pesar qual o real benefício da adição da hormonioterapia frente aos riscos.

Vale lembrar que a hormonioterapia também provoca perda de massa muscular, ganho de peso, aumento do risco cardiovascular. Então, em resumo, há estudos que sugerem risco de Doença de Alzheimer em homens tratados com terapia de deprivação androgênica, ainda que o risco seja pequeno e o assunto ainda controverso. Na doença de risco intermediário, há pacientes que não precisam fazer hormonioterapia, que são aqueles com fatores de risco favoráveis, como um Gleason 7 (3+4) com pequeno comprometimento de fragmentos. Nessa população, o benefício da adição de hormonioterapia não foi demonstrado. São pacientes que podem ser tratados com cirurgia ou com radioterapia exclusiva. Pacientes com fatores de risco desfavoráveis aí sim precisam de ADT e radioterapia, assim como os pacientes de alto risco (score de Gleason ≥8).

Outro ponto importante não é simplesmente discutir a adição de hormonioterapia, mas também a duração do tratamento. Você precisa levar em conta a idade do paciente e suas comorbidades, considerando inclusive o aspecto cognitivo. Mesmo em um pacientes com indicação para hormonioterapia é possível avaliar a possibilidade de encurtar a duração do tratamento. No tumor de risco intermediário, a duração está bem estabelecida, é de 4 a 6 meses. Na doença de alto risco, ou seja um tumor T3, com PSA acima de 20 e Gleason ≥ 8, aí há evidências de que a hormonioterapia de longo prazo é superior e geralmente se discute fazer de 2 a  3 anos.

Referência: Association Between Androgen Deprivation Therapy Use and Diagnosis of Dementia in Men With Prostate CancerRavishankar JayadevappaSumedha ChhatreS. Bruce Malkowiczet al - JAMA Network Open. 2019;2(7):e196562. doi:10.1001/jamanetworkopen.2019.6562


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