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AtualizadoQui, 18 Jul 2019 7pm

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Exposição ocupacional a agrotóxicos e resposta a imunoquimioterapia

Otavio Baiocchi ASH2018Estudo de coorte retrospectivo publicado no JAMA Network Open mostrou que a exposição profissional a pesticidas agrícolas pode ser um fator de risco independente na falha do tratamento e foi associada à menor sobrevida livre de eventos e sobrevida global entre os pacientes com linfoma difuso de grandes células B. Otávio Baiocchi (foto), professor adjunto da Unifesp e diretor da Hematologia e Transplante de Medula Óssea do Grupo Americas, em São Paulo, comenta o trabalho.

O uso profissional de pesticidas é um fator de risco para o linfoma não-Hodgkin. Os principais mecanismos biológicos de agrotóxicos e quimioterápicos são a genotoxicidade e a geração de espécies reativas de oxigênio. A adaptação celular entre pacientes expostos a baixas doses de compostos genotóxicos e oxidativos pode dificultar a eficácia da quimioterapia em pacientes com linfoma.

Nesse estudo, os pesquisadores buscaram avaliar a associação da exposição ocupacional a pesticidas com a resposta à imunoquimioterapia e sobrevida em pacientes tratados para linfoma difuso de grandes células B.

Realizado em seis hospitais em Languedoc-Roussillon, França, o estudo avaliou pacientes tratados entre 1º de julho de 2010 e 31 de maio de 2015 para linfoma difuso de grandes células B, com seguimento de 2 anos.

Métodos e resultados

Um total de 404 pacientes com diagnóstico recente de linfoma difuso de grandes células B tratados com imunoquimioterapia à base de antraciclinas foram incluídos antes do início do estudo. A história ocupacional foi reconstruída e analisada com a matriz de exposição profissional PESTIPOP para determinar a probabilidade de exposição ocupacional a pesticidas.

Um total de 244 pacientes (mediana de idade, 61,3 [15,2] anos; 153 [62,7%] homens) apresentaram dados ocupacionais completos. Destes pacientes, 67 (27,4%) apresentavam exposição ocupacional a agrotóxicos, com 38 pacientes expostos por meio de trabalho agrícola.

A exposição ocupacional não foi associada a características clínicas e biológicas no momento do diagnóstico. Pacientes expostos a pesticidas no trabalho tiveram uma taxa de falha do tratamento significativamente maior (22,4% vs 11,3%; p = 0,03; odds ratio ajustada [AOR] para fatores de confusão, 3,0; 95% IC, 1,3-6,9). Essa diferença foi maior entre os pacientes com exposição ocupacional agrícola em comparação com outros pacientes (29% vs 11,7%; AOR, 5,1; 95% IC, 2,0-12,8).

A sobrevida livre de eventos em dois anos foi de 70% no grupo com exposição ocupacional versus 82% no grupo não exposto (hazard ratio ajustado [AHR] para fatores de confusão, 2,2; 95% IC, 1,3-3,9). Entre os pacientes com exposição ocupacional agrícola em comparação com outros pacientes, a diferença foi mais acentuada (2 anos de sobrevida livre de eventos, 56% vs 83%; AHR, 3,5; 95% IC, 1,9-6,5). Da mesma forma, a sobrevida global em 2 anos foi menor no grupo de pacientes com exposição ocupacional agrícola em comparação com outros pacientes (81% vs 92%; AHR, 3,9; 95% IC, 1,5-10,0).

Os pesquisadores concluíram que a taxa de falha do tratamento foi significativamente maior entre os pacientes tratados para linfoma difuso de grandes células B expostos a pesticidas em comparação com os pacientes não expostos; a associação foi mais forte quando os pacientes com exposição a ocupações agrícolas foram comparados com aqueles com outras ocupações.

“Os dados apresentados neste estudo corroboram a influência negativa que o uso de pesticidas e derivados químicos podem causar no desenvolvimento dos linfócitos, provocando alterações que predisponham ao desenvolvimento de linfomas”, afirma Baiocchi, acrescentando que além destes fatores de exposição ambiental, outros fatores de risco conhecidos para as doenças linfoproliferativas são a inflamação crônica, com ou sem a influência de certos vírus ou bactérias, alterações na imunidade, como por exemplo pacientes transplantados com imunossupressão e pacientes com doenças adquiridas como o HIV e o HTLV-1, ou doenças autoimunes.

“O estudo vai além ao mostrar que os pesticidas, além de favorecerem a linfomagênese, provocam uma resposta pior à quimioterapia por questões estruturais nas células do câncer. Estes dados comprovam o que sentimos muitas vezes na prática, que pacientes com este tipo de exposição geralmente possuem evolução clínica desfavorável”, conclui Baiocchi.

Referência: Association of Occupational Pesticide Exposure With Immunochemotherapy Response and Survival Among Patients With Diffuse Large B-Cell Lymphoma – Sylvain Lamure et al - JAMA Netw Open. 2019;2(4):e192093. doi:10.1001/jamanetworkopen.2019.2093 


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