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AtualizadoDom, 19 Mai 2019 10pm

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Microambiente tumoral no glioblastoma

camilla yamada lacog BXCom o objetivo de decifrar o papel do microambiente tumoral no prognóstico do glioblastoma, estudo do Instituto Médico de Genética e Imunologia de Dijon, França, se dedicou a identificar linhas celulares de glioblastoma para propor uma nova classificação. Os resultados foram publicados na edição de março da British Medical of Cancer. Camilla Yamada (foto), chair do LACOG-Neuro-Oncology Group, analisa o estudo e aponta as principais limitações.

O estudo avaliou duas grandes coortes de pacientes com glioblastoma (TCGA, n = 481 e Rembrandt, n = 180) para os quais dados clínicos e perfis moleculares estavam disponíveis. Métodos computacionais sofisticados como a deconvolução foram empregados para determinar os perfis de expressão gênica e o infiltrado imunológico e para predizer resultados clínicos.

“A classificação mais utilizada na literatura é do TCGA (The Cancer Genome Atlas) que avalia alterações genômicas na amostra tumoral e classifica o GBM em 4 subgrupos: clássico, mesenquimal, neural e proneural”, explica Camilla.”Klopfenstein et al utilizaram dados transcriptômicos de células isoladas de GBM, portanto sem interferência do microambiente tumoral, combinados com dados das células imunes. Através de um modelo de análise de multivariáveis propuseram uma nova classificação baseada na heterogenidade das células tumorais e quantificação de células imunes”, esclarece.

Resultados

A nova classificação proposta por Klopfenstein et al definiu três novos grupos moleculares no glioblastoma, de acordo com os genes expressos: oncogênicos, metabólicos e de comunicação neuronal (oncogenic-enriched; metabolic-enriched; neuronal communication). Os tumores enriquecidos com componente neuronal foram associados com mau prognóstico em ambas as coortes. O infiltrado de células imunes foi mais frequente no subgrupo de classificação mesenquimal e nos tumores metabólicos.

Para os autores, a combinação de idade, classificação de linhagens moleculares e classificação imunológica pode ser usada para determinar o prognóstico do paciente em ambas as coortes.

A oncologista Camilla Yamada lembra que a técnica não é de fácil acesso e que os pesquisadores utilizaram linhagens celulares e não células do tumor original, o que pode alterar o comportamento tumoral. Além disso, a especialista observa que não é possível concluir se as assinaturas são prognósticas ou preditivas de resposta à terapêutica. “Os principais fatores prognósticos utilizados na prática clínica no GBM são idade, grau de ressecção do tumor, mutação IDH e metilação de MGMT, mas quanto mais informações das alterações gênicas  e das interações com o microambiente tumoral, maior a possibilidade de novas intervenções em um tumor com prognóstico tão sombrio”, destaca a chair do LACOG-Neuro Oncology Group.

O glioblastoma é o tumor cerebral mais frequente e com pior prognóstico. O tratamento atual baseia-se na ressecção cirúrgica seguida de radioquimioterapia e terapia adjuvante com temozolomida. No entanto, a maioria dos pacientes apresenta recorrência após o tratamento inicial e a sobrevida mediana atinge apenas cerca de 15 meses, sustentam os autores.

A íntegra do estudo está disponível em acesso aberto.

Referências: British Journal of Cancer (2019) 120:806–814; https://doi.org/10.1038/s41416-019-0404-y


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