30112020Seg
AtualizadoSeg, 30 Nov 2020 1am

PUBLICIDADE
Daichii Sankyo

A vacina contra a gripe é segura para pacientes que recebem inibidores de checkpoint imune?

TABAK NET OK 2A vacina contra influenza inativada não provoca reações imunes indesejáveis ​​em pacientes de câncer que recebem inibidores de checkpoint imune. A afirmação é de Stephen G. Baum, Professor de Medicina e de Microbiologia e Imunologia no Albert Einstein College of Medicine, em Nova York, que examinou a questão em artigo no Journal Watch, revisando Chong CR et al. “Com base nos achados, os autores apoiam a recomendação atual da vacinação anual contra influenza em pacientes que recebem inibidores de checkpoint”, comenta o onco-hematologista Daniel Tabak (foto), diretor do Centro de Tratamento Oncológico (CENTRON).

 

Em publicação na Journal for ImmunoTherapy of Cancer, Chong CR e colegas identificaram uma taxa elevada (52%) de eventos adversos imuno-relacionados em pacientes com câncer que tomaram vacina contra gripe durante o tratamento com inibidores de checkpoint imune (ICI). O assunto desperta preocupação entre médicos e pacientes.

Stephen G. Baum, apontado como uma das grandes autoridades na imunologia, traz dados tranquilizadores ao descrever os achados de uma revisão retrospectiva com 370 pacientes com câncer que receberam vacina contra a gripe dentro de 65 dias do tratamento com ICI, por três estações consecutivas, a partir de 2014. A maior parte dos pacientes recebeu um anti-PD-1 (pembrolizumabe ou nivolumabe) e a duração mediana do tratamento com ICI foi de 139 dias, especialmente para tratamento de pulmão (46%) e melanoma (19%).

“No acompanhamento mediano de 512 dias, não houve aumento na incidência ou gravidade de IRAEs nesses pacientes”, registra Baum comentando a análise retrospectiva. “No geral, 20% dos pacientes desenvolveram IRAEs; destes, 7% foram IRAEs grau 1 (leve), 53% foram grau 2 (moderado), 36% grau 3 (grave), 4% grau 4 (risco de vida) e nenhum evento foi grau 5 (morte).

Os principais IRAEs foram eventos endócrinos (28%), pneumonite (25%), colite (13%) e transaminite (12%). IRAEs foram mais comuns em pacientes que receberam outros ICIs além de drogas anti-PD-1. O artigo da Journal Watch enfatiza que a maioria dos IRAEs ocorreu em doentes mais velhos que receberam a vacina trivalente de alta dose. “A incidência de influenza confirmada por laboratório entre a coorte estudada durante as 3 estações do ano foi de 3,5%, enquanto a incidência em toda a instituição foi de 10,7%”, compara.

O onco-hematologista Daniel Tabak observa que em uma extensão do mesmo estudo publicado no Clinical Infectious Diseases, Chong CR e cols descrevem as limitações dos resultados obtidos. “A análise foi retrospectiva através de prontuários de pacientes que receberam a vacina contra a gripe no MSKCC. Não foi possível comparar diretamente o risco de IRAE em pacientes vacinados versus não vacinados pois o registro avaliou apenas as vacinas administradas na instituição do estudo”, esclarece.

“Como a vacina contra a gripe pode ser obtida na comunidade, eles não conseguiram estabelecer uma coorte confiável de pacientes não vacinados. Isso introduz viés de seleção (pacientes que iniciam a terapia e não experimentam efeitos colaterais precocemente podem ter maior probabilidade de continuar a terapia e receber vacinação) e o viés do usuário saudável (pacientes mais saudáveis ​​podem ter maior probabilidade de receber a vacina contra a gripe), ambos fatores potenciais para explicar as baixas taxas de efeitos colaterais imunológicos na coorte”, ressalta.

O especialista acrescenta que o estudo é inteiramente observacional: características histológicas e antigênicas dos tumores, potencial reatividade cruzada com antígenos virais, microbioma intestinal podem influenciar os resultados e não foram especificamente explorados. “Em resumo, as complicações imunes da gripe são raras, e na população em geral foram relatadas mais frequentemente após a infecção por influenza do que após a vacinação. Os dados não indicam um aumento na incidência ou gravidade de efeitos colaterais imunológicos após o uso de inibidores de checkpoint em pacientes que recebem a vacina inativada contra a gripe sazonal nos 2 meses que se seguem à imunoterapia”, conclui.

Referências: Chong CR et al. Safety of inactivated Influenza vaccine in cancer patients receiving immune checkpoint inhibitors (ICI). Clin Infect Dis 2019 Mar 15; [e-pub]. (https://doi.org/10.1093/cid/ciz202)

Läubli, H., Balmelli, C., Kaufmann, L., Stanczak, M., Syedbasha, M., Vogt, D., … Rothschild, S. I. (2018). Influenza vaccination of cancer patients during PD-1 blockade induces serological protection but may raise the risk for immune-related adverse events. Journal for ImmunoTherapy of Cancer, 6(1). doi:10.1186/s40425-018-0353-7


Publicidade
banner pfizer 2018 institucional 300x250px
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
banner libbs2019 300x250
Publicidade
banner_janssen2016_300x250_v2.jpg
Publicidade
banner astellas 2019 300x250
Publicidade
Zodiac
Publicidade
Astrazeneca
Publicidade
IBCC
Publicidade
300x250 ad onconews200519