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AtualizadoSeg, 22 Abr 2019 6pm

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Conflitos de interesse na oncologia, as lições do Memorial

conflito interesse 2019 bx“Autoridades do Memorial Sloan Kettering Cancer Center violaram repetidamente políticas de conflitos de interesse, fomentando uma cultura na qual os lucros parecem ter precedência sobre as pesquisas e a assistência ao paciente”. A denúncia foi publicada 4 de abril no New York Times (NYT), depois que uma auditoria externa, a Debevoise & Plimpton’s Advogados, apontou “descumprimento de políticas” e “lapsos éticos” nas relações entre médicos e corporações, especialmente farmacêuticas.

A decisão de passar a limpo as políticas que regem o relacionamento dos médicos com grandes corporações partiu do próprio Memorial, diante das evidências apontadas em 2018 pela ONG ProPublica, uma rede de jornalismo independente que acusou altos executivos e membros da diretoria do MSKCC de lucrar com relacionamentos com empresas farmacêuticas. Foi o que motivou a renúncia de José Baselga, então diretor médico do Memorial, e resulta agora em um novo posicionamento institucional.

"Analisamos profunda e honestamente o que deu errado em nossa instituição, examinamos o que estava ocorrendo na comunidade de pesquisa em câncer e passamos a implementar práticas que nos permitirão aprender com nossos erros, mas também contribuir com a comunidade de pesquisa em geral ”, disse em comunicado o presidente do Conselho de Supervisores e Gerentes do MSKCC, Scott Stuart.

Entre as mudanças incorporadas pelo MSKCC, o NYT destaca a criação de um comitê especialmente criado para a supervisão de conflitos de interesse, além de uma política que institui auditorias regulares no hospital e passa a divulgar publicamente no site institucional os conflitos de interesse de membros do corpo docente, médicos e pesquisadores. As práticas adotadas pelo MSKCC desde o escândalo que culminou com a saída de Baselga também influenciaram outros importantes centros de oncologia a reconsiderar suas políticas, como o Dana-Farber Cancer Institute, em Boston, e o Fred Hutchinson Cancer Research Center, em Seattle, diz o NYT.

Em perspectiva, não está apenas a relação com as farmacêuticas. A ProPublica e o NYT descrevem como altos funcionários do Memorial cultivavam relacionamentos lucrativos com uma startup de inteligência artificial, Paige.AI, fundada por um membro do conselho executivo do MSKCC, em aliança com o presidente do departamento de patologia e o chefe de um dos laboratórios de pesquisa. “O hospital celebrou um acordo exclusivo com a empresa para licenciar imagens de 25 milhões de lâminas de tecido de pacientes coletadas ao longo de décadas”.

Para evitar que situações como essas venham a se repetir, o Memorial vive uma verdadeira revolução, mas, certamente, deixa lições importantes.

Referências: https://www.propublica.org/article/memorial-sloan-kettering-leaders-violated-conflict-of-interest-rules


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