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AtualizadoQui, 18 Abr 2019 1am

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Estudo brasileiro discute técnica cirúrgica no câncer de mama

SILVIO BROMBERG NET OKA técnica de incisão única desenvolvida no Brasil pelo mastologista brasileiro Sílvio Bromberg (foto) é uma cirurgia oncoplástica destinada a remover tanto o tumor quanto o linfonodo sentinela, com segurança oncológica e cosmética superior comparada à cirurgia conservadora convencional. Os resultados iniciais foram publicados em 2018 e agora serão apresentados em sessão oral na conferência anual do TARGIT Collaborative Group, dia 8 de fevereiro, em Orlando, EUA.

“A incisão única proporciona melhores resultados estéticos comparada à técnica convencional com duas incisões, sem diferenças na incidência de complicações ou eventos de recorrência”, diz Bromberg, professor da disciplina de Mastologia da Escola Paulista de Medicina (Unifesp) e mastologista titular do Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein. Em Orlando, a experiência apresentada pela equipe brasileira combina a abordagem videoassistida com o uso de Intrabeam, a radioterapia intraoperatória reconhecida por melhores desfechos estéticos.

Para comparar a segurança oncológica e os resultados estéticos entre a técnica de incisão única e a cirurgia conservadora de mama convencional, a equipe brasileira publicou em 2018 na Plos One os resultados da primeira análise retrospectiva. Entre os desfechos avaliados foram comparados o volume mamário removido, tempo cirúrgico, número de linfonodos dissecados e complicações cirúrgicas como seroma, infecção e deiscência da ferida operatória, além de deformidades, retrações e sequelas estéticas subsequentes.

Nesta primeira análise, foram avaliados 60 pacientes com câncer de mama inicial operados por cirurgia conservadora de mama convencional (N = 26) ou pela técnica de incisão única (N = 34), entre janeiro de 2013 e dezembro de 2015. Não foram observadas diferenças em relação às complicações cirúrgicas nas coortes avaliadas e o volume mamário removido foi significativamente menor no grupo de incisão única, bem como o tempo cirúrgico e o número de linfonodos dissecados. Os resultados cosméticos também favoreceram o grupo operado por incisão única.

A seleção de pacientes para a técnica menos invasiva considera diferentes critérios, a começar da doença inicial, lesão única com tumores de até 25 mm e linfonodos axilares clinicamente negativos. As contraindicações à abordagem de incisão única são radioterapia prévia da mama, doença do tecido conjuntivo envolvendo pele, tumores maiores que 5 cm sem quimioterapia neoadjuvante e margens patológicas focalmente positivas.

Agora, a atualização que será tema de apresentação oral em 2019 considera um número maior de pacientes abordadas cirurgicamente pela técnica de incisão única, desta vez em combinação com a radioterapia Intrabeam. “Estamos preparando nova publicação em periódico de alto impacto com a descrição de 94 casos operados por técnica minimamente invasiva, através da incisão única”, sinaliza Bromberg.


Evidências

Vários estudos randomizados mostraram que a mastectomia com dissecção axilar é equivalente à cirurgia de conservação da mama com dissecção axilar e irradiação total da mama, para a maioria das mulheres com doença inicial (estágio I/II). A opção conservadora é reconhecidamente menos invasiva, mais rápida e mais estética, mas a técnica de incisão única dificulta o procedimento diante do limitado espaço para a visualização e ressecção, exigindo maior experiência do cirurgião.

Para avaliação comparativa da nova técnica cirúrgica, os pacientes receberam 0,2 mL de dextran injetável marcado com radiotraçador (tecnécio - Tc99m) aproximadamente 4 horas antes do procedimento cirúrgico. Os linfonodos sentinela não palpáveis ​​foram identificados por meio de rastreamento com Gamma-Probe. “No grupo de incisão única, usamos o retrator de ferida (modelo XS) e bisturi elétrico monopolar para as dissecções. Durante a cirurgia, foi realizada uma única incisão periareolar envolvendo metade da circunferência da aréola, ou incisão única de 4 a 7 centímetros de comprimento no sulco mamário, quando o diâmetro da aréola foi inferior a 3 centímetros”, descreve Bromberg. Um único paciente foi abordado por via axilar

Após a incisão, a equipe de cirurgia criou uma bolsa cutânea na borda da ferida cirúrgica para inserir o retrator, o que permitiu melhorar a exposição da área cirúrgica. Sobre o retrator da ferida foram utilizados, ainda, retratores longos e iluminados, além de um aspirador de fumaça para melhorar a visibilidade. “Continuamos a dissecação da bolsa cutânea através da fáscia superficial, retirando o tecido glandular até que a área do tumor pudesse ser acessada”, prossegue Bromberg. “Dissecamos a lesão e todo o tecido adjacente”, explica o cirurgião.

Para garantir a segurança oncológica, após a remoção da lesão com garantia de bordas adequadas, as margens foram ampliadas por shaving.

A experiência brasileira começou a ser desenhada a partir de uma visita de Bromberg ao Kameda Medical Center, o principal centro de tratamento de câncer de mama do Japão, onde a equipe do Departamento da Mastologia chefiada por Eisuke Fukuma já utilizava técnicas videoassistidas para o tratamento cirúrgico do câncer de mama. “A maioria das orientais têm mamas pequenas, muitas vezes sem sulco inframamário delimitado, e desejam o menor número possível de cicatrizes.Percebi que poderia transpor aquela técnica e adaptá-la a nossa realidade, com o conceito de cirurgia minimamente invasiva”, conclui o especialista brasileiro.


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