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AtualizadoSeg, 12 Abr 2021 12am

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Daichii Sankyo

Radioterapia estereotática corpórea aumenta sobrevida no câncer de pulmão inicial

Robson Ferrigno NET OK 2Resultados do maior estudo já realizado para avaliar duas técnicas de radioterapia na oncologia torácica mostram que a radioterapia estereotática corpórea (SBRT) pode levar a melhores resultados de sobrevida em comparação com a radioterapia convencional fracionada (CFRT) em pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas em estágio inicial. O radio-oncologista Robson Ferrigno (foto), médico responsável pelos Serviços de Radioterapia dos Hospitais BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo - e BP Mirante, analisa os achados.

O estudo utilizou a base de dados do National Cancer Database (2004-2015) e considerou pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas com doença inicial (cT1-2aN0M0) confirmada histologicamente, submetidos a CFRT ou SBRT. A análise de Kaplan-Meier avaliou a sobrevida global (SG) e a modelos de riscos proporcionais de Cox determinaram variáveis ​​associadas com sobrevida global.

Resultados

Neste estudo retrospectivo foram analisados dados de 23.088 pacientes, dos quais 2286 (10%) receberam CFRT e 20.802 (90%) foram tratados com SBRT. Os autores registram que a SBRT foi empregada com menor frequência ”em afro-americanos, pacientes com menor renda, localização urbana, comorbidades maiores, em centros não-acadêmicos, em tumores maiores e de histologia escamosa (p <0,05 para todos)”.

Os resultados de sobrevida mostram que pacientes tratados com SBRT tiveram mediana de SG mais alta (38,8 meses vs. 28,1 meses, p <0,001). No acompanhamento médio de 44,6 meses, a mediana de SG para o grupo SBRT foi de 38,8 meses versus 28,1 meses para CFRT (p <0,001).

A superioridade da SBRT também foi verificada em análises de subgrupos, com maior SG em múltiplas coortes (T2, escore de comorbidade de Charlson 2 a 3, histologia escamosa). A SBRT também foi independentemente associada com SG na análise multivariada de Cox (p <0,001).

Em conclusão, o maior estudo deste tipo até hoje, compreendendo mais de 23 mil pacientes, demonstrou o benefício de sobrevida com SBRT no CPNPC inicial.

SBRT é tratamento padrão no câncer de pulmão de células não pequenas estádios T1/T2 N0 clinicamente inoperáveis

Por Robson Ferrigno

As análises de banco de dados envolvem quantidades consideráveis de pacientes, porém, possuem baixo nível de evidência por serem estudos retrospectivos (nível 3). Além disso, o desfecho analisado é apenas sobrevida, uma vez que o banco informa se os pacientes estão vivos ou mortos. Não há avaliação de outras variáveis, como controle da doença local ou a distância, complicações e qualidade de vida. No estudo em questão, foram comparadas quantidades muito distantes de pacientes entre os dois grupos (2286 versus 20.802), o que prejudica o poder estatístico da comparação. Ele é apenas um importante gerador de hipótese que precisa ser comprovada com estudos prospectivos e randomizados.

A literatura já havia demonstrado em análises retrospectivas de diferentes grupos que a SBRT possui resultados melhores do que a radioterapia de fracionamento convencional no controle do câncer de pulmão inicial de células não pequenas. Em 2016, foi publicado o primeiro estudo prospectivo e randomizado que comparou SBRT com radioterapia de fracionamento convencional. O estudo chamado SPACE, randomizou 102 pacientes estádio I de células não pequenas, considerados inoperáveis, entre SBRT com dose de 66 Gy em três frações de 22 Gy e radioterapia convencional com dose de 70 Gy em 35 frações. A sobrevida global, a sobrevida livre de progressão e o controle local em três anos foram iguais nos dois grupos. No entanto, pneumonite actínica foi maior no grupo convencional (34% vs 19%), bem como esofagite (30% vs 8%). A qualidade de vida mensurada foi melhor no grupo de SBRT2.

Mesmo que o controle de doença tenha sido igual, a SBRT sai ganhando pelo conforto e logística dos pacientes, uma vez que ela é realizada em três dias úteis contra 35 dias úteis do fracionamento convencional.

No último congresso mundial de pulmão, realizado em Yokohama, no Japão, em outubro de 2017, foi apresentado o segundo estudo randomizado da literatura sobre esse assunto (estudo CHISEL). Foram randomizados 105 pacientes estádios T1 e T2 na proporção de 2:1 para SBRT, sendo 66 tratados com SBRT (3 x 18 Gy ou 4 x 12 Gy) e 35 com fracionamento convencional (20 x 2,5 Gy ou 33 x 2 Gy). Nesse estudo, a sobrevida global em três anos foi estatisticamente superior com SBRT (HR=0.51, CI=0,29 – 0.91; p=0,020) e a probabilidade de falha local em três anos bem menor com a SBRT (HR=0.29, CI=0.13 – 0.66; p=0,002). Os autores concluíram que a radioterapia de fracionamento convencional não é uma alternativa aceitável para tratamento do câncer de pulmão inicial de células não pequenas3.

A análise do banco de dados publicada essa semana, bem como os dois estudos randomizados descritos acima são de fundamental importância para o Brasil, onde as operadoras de saúde e, pior ainda, o SUS, ainda estão relutantes em incorporar tal tecnologia em seus respectivos rols de procedimentos. A SBRT é considerada atualmente como tratamento standard para câncer de pulmão de células não pequenas estádios T1 / T2 N0 clinicamente inoperáveis. Para isso, já temos nível de evidência 1 e grau de recomendação A.

Referências: 

1 - Haque W, Verma V, Polamraju P, et al. Stereotactic body radiation therapy versus conventionally fractionated radiation therapy for early stage non-small cell lung cancer [published online July 18, 2018]. Radiother Oncol. doi: 10.1016/j.radonc.2018.07.008.

2 - Nyman J, Hallqvist A, Lund J, et al. SPACE – A randomized study of SBRT vs conventional fractionated radiotherapy in medically inoperable stage I NSCLCRadiother Oncol 2016.

3 - Ball D, Mai T, Vinod S, et al. CHISEL: A randomized phase III trial of SABR vs conventional radiotherapy for inoperable stage I non-small cell lung câncer. IASLC 18th World Conference on Lung Cancer. October 15-17, 2018.


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