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AtualizadoSeg, 23 Nov 2020 12pm

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Radioterapia e qualidade de vida no câncer ginecológico

Bernardo Salvajoli NET OKA toxicidade aguda relatada pelo paciente pode ser menor em mulheres com câncer cervical ou endometrial tratadas com radioterapia pélvica de intensidade modulada (IMRT) em vez de radioterapia pélvica padrão. É o que mostram os resultados do estudo NRG Oncology – RTOG 1203, publicado no Journal of Clinical Oncology1. O radio-oncologista Bernardo Salvajoli (foto), médico do serviço de radioterapia do HCOR-Onco e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), comenta os resultados.

“Este é mais um estudo mostrando vantagens com a evolução técnica da radioterapia ao longo dos anos. Apresentado preliminarmente no congresso Americano de Radioterapia (ASTRO) em 2016, e desde então aguardávamos a publicação final deste estudo conduzido no MD Anderson Cancer Center pela radio-oncologista Ann H. Klopp e participação de diversos outros centros e colaboradores”, afirma Bernardo.

Segundo Salvajoli, outros estudos retrospectivos haviam mostrado dados similares, menos toxicidade gastrointestinal e geniturinária, mas agora é possível afirmar com dados de alto nível de evidência que a radioterapia pélvica ginecológica pós-operatória é melhor tolerada e com menos efeitos colaterais aos pacientes. “Quem faz esse tipo de tratamento com IMRT já percebe diferenças clínicas em relação ao tratamento tridimensional com 4 campos (como do estudo) versus o tratamento com IMRT. As pacientes realmente apresentam menos diarreia e necessidade de medicações e interrupções de tratamento. Com a radioterapia tridimensional acabamos incluindo rotineiramente mais bexiga e alças intestinais na área irradiada, e com IMRT conseguimos diminuir essas áreas, mas até a publicação do estudo faltava evidência científica para confirmar os dados dosimétricos”, acrescenta.

Sobre o estudo

O NRG Oncology/RTOG 1203 foi desenvolvido para comparar a toxicidade e a qualidade de vida relatada pelo paciente durante a radioterapia pélvica padrão 3D ou radioterapia pélvica de intensidade modulada (IMRT) no tratamento do câncer ginecológico (cervical e endometrial).

As pacientes foram aleatoriamente designadas para receber radioterapia padrão (RT) ou tratamento com IMRT. O endpoint primário foi a mudança na toxicidade gastrointestinal aguda relatada pelo paciente desde o início até o final da RT, medida pelo Composite Expand Index Prostate Cancer (EPIC). Os endpoints secundários incluíram alterações na toxicidade urinária e gastrointestinal relatadas pelas pacientes, avaliada pelo Trial Outcome Index.

Resultados

De 2012 a 2015, foram inscritos 289 pacientes, dos quais 278 eram elegíveis. Entre o início e o final da RT, a pontuação média do EPIC declinou 23,6 pontos no grupo RT padrão e 18,6 pontos no grupo IMRT (P = 0,048). A pontuação urinária EPIC média diminuiu 10,4 pontos no grupo RT padrão e 5,6 pontos no grupo IMRT (P = 0,03). A pontuação média do Trial Outcome Index diminuiu 12,8 pontos no grupo RT padrão e 8,8 pontos no grupo IMRT (P = 0,06). No final da RT, 51,9% das mulheres que receberam RT padrão e 33,7% das que receberam IMRT relataram diarréia frequente ou quase constante (P = 0,01), e mais pacientes no grupo RT padrão estavam tomando medicamentos antidiarreicos quatro ou mais vezes ao dia (20,4% v 7,8%; P = 0,04).

Para os autores, os dados mostram que a IMRT pélvica foi significativamente associada com menor toxicidade GI e urinária do que a RT padrão na perspectiva do paciente.

“No Brasil, infelizmente, ainda são poucos os centros que oferecem a técnica de IMRT para seus pacientes, principalmente pela falta de reajustes de tabelas de pagamento, falta de máquinas públicas prometidas e custos altos por diferença cambial e altos impostos. Muitas cidades não têm centros de radioterapia disponíveis, e outras contam apenas com tratamento bidimensional (2D), inferior ao braço padrão utilizado no estudo. Espero que num futuro próximo possamos utilizar esse tipo de técnica para tratamentos pélvicos e outros sítios que tenham seus benefícios, não só em grandes centros e hospitais particulares, mas para todos os pacientes que necessitem de tal modalidade”, conclui Salvajoli.

Referência: Patient-Reported Toxicity During Pelvic Intensity-Modulated Radiation Therapy: NRG Oncology–RTOG 1203 - Ann H. Klopp et al - DOI: 10.1200/JCO.2017.77.4273 Journal of Clinical Oncology - published online before print July 10, 2018


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