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AtualizadoTer, 24 Nov 2020 4pm

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Tempo para início do tratamento e mortalidade no câncer de pulmão

FERNANDO ABRAO NET OKO cirurgião torácico Fernando Abrão (foto), médico da Faculdade de Medicina Santa Marcelina e do Hospital Alemão Oswaldo Cruz é o primeiro autor de estudo publicado no Journal Of Thoracic Disease que avaliou o impacto da espera para início do tratamento de câncer de pulmão após seu tratamento ter sido definido (tratamento sistêmico, cirurgia ou radioterapia). Os resultados do trabalho sugerem que uma espera de dois meses aumenta em três vezes o risco de óbito em pacientes com doença estádio II. O especialista comenta os principais achados do trabalho, o primeiro a mostrar associação entre espera por tratamento e mortalidade para pacientes com doença localizada.

Foi realizada uma análise de sobrevida em uma coorte de pacientes (n=359) internados em um centro de referência de câncer. Foram coletados dados de idade, sexo, tabagismo, estadiamento do tumor, tipo de câncer de pulmão e tempo desde a data do diagnóstico de câncer até o início do tratamento efetivo.

Os pacientes foram divididos em dois grupos: G1 foram aqueles que receberam tratamento em até dois meses; e G2 foi composto por pacientes que receberam tratamento após 2 meses.

Na análise inicial, a entrega tardia do tratamento foi um fator de proteção para o risco de morte, com uma taxa bruta de risco (HR) = 0,75 (0,59-0,97; P = 0,02) e uma HR ajustada = 0,59 (0,46-0,77; P < 0,001). No entanto, uma interação estatisticamente significativa com a mortalidade foi observada entre o tratamento oportuno e o estádio do tumor. Pacientes com doença em estádio II que receberam tratamento tardio (após dois meses) apresentaram um risco de morte três vezes maior [HR = 3,08 (1,05-9,0; P = 0,04)].

Outro resultado interessante foi em relação aos pacientes em estadio IV. Para estes pacientes, o atendimento tardio foi um fator de risco que impactou de maneira positiva na sobrevida, com uma redução de 52% na mortalidade [HR =0.48 (0.35–0.66; P<0.001)]. Acreditamos que este último resultado seja um viés de seleção, ou seja, há uma priorização dos pacientes mais graves (sintomáticos ou compressão medular, por exemplo) para início do tratamento. Porém, por serem mais graves, estes pacientes possuem risco mais elevado de óbito.

O estudo foi o primeiro a mostrar associação entre espera por tratamento e mortalidade para pacientes com doença localizada (estádio II). Para estádios I e III o trabalho não teve poder estatístico para detectar pequenas diferenças na sobrevida entre os dois grupos.

Estes resultados devem ser interpretados com cautela, pois o estudo incluiu pacientes de apenas uma instituição e seu desenho é retrospectivo. No entanto, até que estudos mais robustos sejam publicados, é importante monitorar nossas filas de espera, principalmente para proteger pacientes em estádio II. Acreditamos também que este achado relacionado ao estádio II reforça a necessidade de screening para câncer de pulmão.

Referência:  Interaction between treatment delivery delay and stage on the mortality from non-small cell lung cancer. - Abrao FC1,2, de Abreu IRLB1,2, Rocha RO1, Munhoz FD1, Rodrigues JHG1, Batista BN3. - J Thorac Dis. 2018 May;10(5):2813-2819. doi: 10.21037/jtd.2018.05.22.


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