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AtualizadoTer, 19 Out 2021 8pm

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Daichii Sankyo

Risco de câncer gastrointestinal em pacientes com fibrose cística

Gastrointestinal Disorders NET OKMeta-análise de Akihiro Yamada e colegas publicada no Lancet Oncology demonstrou que pacientes com fibrose cística apresentam risco de câncer gastrointestinal significativamente aumentado em comparação com a população geral, especialmente tumores do cólon, intestino delgado, trato biliar e pâncreas. Os autores defendem a implementação de protocolos de rastreamento e vigilância específicos para essa população.

 

A fibrose cística é a doença autossômica recessiva mais comum entre as populações brancas, com uma incidência de cerca de 1 em 3.500 nascimentos. O diagnóstico precoce, especialmente a triagem neonatal, melhorias na nutrição, desobstrução brônquica, tratamentos com antibióticos e transplante de órgãos levaram a um aumento substancial na expectativa de vida para pacientes com fibrose cística. Consequentemente, observou-se também um aumento do número de pacientes diagnosticados com câncer, em particular o câncer de cólon. A detecção precoce de adenomas e a remoção de pólipos adenomatosos podem melhorar substancialmente a sobrevida global.

Métodos

A revisão sistemática e meta-análise analisou as bases de dados PubMed, MEDLINE, Google Scholar, Scopus, Embase e Cochrane, sem restrições de linguagem, para estudos avaliando o risco de câncer gastrointestinal em pacientes com fibrose cística publicados desde o início da atividade dos bancos de dados até 1º de agosto de 2017.

Os trabalhos foram incluídos se relatavam a taxa de incidência padronizada (standardised incidence ratio - SIR) ou razão de incidência por pessoa-anos. Não foram utilizados critérios de exclusão quanto às características do paciente (idade, sexo, comorbidades, tipo de mutação da fibrose cística), cenário do estudo (local e período de tempo) ou método de relato de diagnóstico de câncer.

O desfecho primário foi o risco de câncer gastrointestinal e tumores gastrointestinais específicos em pacientes com fibrose cística em comparação com a população geral. Também foram realizadas análises de subgrupos para estabelecer a variação do risco de acordo com o status de transplante pulmonar do paciente.

Resultados

O estudo identificou 95.681 registros, dos quais seis estudos de coorte, incluindo 99.925 pacientes (544.695 pessoas-ano) foram elegíveis para a meta-análise. O risco global de câncer gastrointestinal foi significativamente maior em pacientes com fibrose cística em comparação com a população geral (SIR agrupada 8,13, 95% IC 6,48 – 10,21; p <0,0001; log SIR 2,10, 95% IC 1,87-2,32; p <0, 0001, I2=93, 93%).

As análises de subgrupo mostraram que o risco de câncer gastrointestinal entre pacientes com fibrose cística submetidos ao transplante de pulmão foi aumentado em comparação com pacientes que não receberam transplante (SIR agrupada 21,13; 95% IC 14,82 – 30,14; p <0,0001; log SIR 3,05, 95% IC 2,70 – 3,41; p<0,0001, I2 = 28,52% vs SIR combinado 4,18, 3,10 – 5,62; p <0,0001; log SIR 1,43, 1,13-1,73; p <0,0001, I2= 22,66%).

O risco para tumores específicos também foi significativamente aumentado em comparação com a população em geral: câncer do intestino delgado (SIR combinada 18,94, 95% IC 9,37–38,27; p <0,0001; log SIR 2,94, 95% IC 2,24 – 3,64; p <0,0001, I2 = 38,61%), câncer de cólon (10,91, 8,42 – 14,11; p < 0,0001; log SIR 2,39, 2,13 – 2,65; p < 0,0001, I2 = 88,09%), câncer do trato biliar (17,87, 8,55 – 37,36; p < 0,0001; log SIR 2,88, 2,15 – 3,62; p < 0,0001, I2 = 10,16%) e câncer de pâncreas (6,18, 1,31 – 29,27; p=0,022; log SIR 1,82, 0,27-3,38; p <0,0001, I2= 62,57%).

Os dados sugerem que pacientes com fibrose cística apresentam risco significativamente aumentado de câncer gastrointestinal em comparação com a população em geral, incluindo câncer de cólon, intestino delgado, trato biliar e pâncreas. “Estes resultados destacam a necessidade de desenvolver estratégias de rastreio individualizadas para tumores gastrointestinais em pacientes com fibrose cística”, defendem os autores.

A Fundação Norte-Americana de Fibrose Cística recomenda que a triagem colonoscópica para câncer colorretal em pacientes com fibrose cística se inicie aos 40 anos, com repetição a cada 5 anos. Em pacientes com fibrose cística e adenomas, o intervalo de triagem deve ser reduzido para 3 anos, e nos pacientes transplantados deve começar aos 30 anos de idade, no período de 2 anos após o transplante.

Referência:  Risk of gastrointestinal cancers in patients with cystic fibrosis: a systematic review and meta-analysis - Akihiro Yamada, Yuga Komaki, Fukiko Komaki, Dejan Micic, Samantha Zullow, Atsushi Sakuraba - Published: 26 April 2018 - DOI: https://doi.org/10.1016/S1470-2045(18)30188-8


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