06122020Dom
AtualizadoSex, 04 Dez 2020 6pm

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Daichii Sankyo

Produtos químicos cancerígenos em usuários de cigarros eletrônicos

Marcelo Cruz NOVA NET OKEstudo de pesquisadores da Universidade da Califórnia publicado em março no periódico Pediatrics identificou a presença de substâncias químicas cancerígenas associadas ao uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes. “Este estudo mostra que não existem níveis seguros para se consumir tabaco", afirma o oncologista Marcelo Cruz (foto), do Developmental Therapeutics Program da Divisão de Hematologia e Oncologia da Northwestern University.

Os resultados do estudo demonstraram que adolescentes que fazem uso dos chamados e-cigarettes podem ingerir muitos dos mesmos produtos químicos que tornam os cigarros tradicionais tão nocivos. O trabalho demonstrou ainda que os sabores frutados, populares entre esse público, parecem ser ainda piores.

Métodos e resultados

Adolescentes (mediana de 16,4 anos) usuários de cigarro eletrônico (≥1 uso nos últimos 30 dias, ≥10 episódios de uso de cigarro por vida) foram divididos em usuários de cigarros eletrônicos (sem cigarro convencional nos últimos 30 dias, urina 4-[metilnitrosamino]-1-[3-piridil] -1-butanol [NNAL] 30 pg / mL; n = 16), usuários duplos (uso de cigarros convencionais nos últimos 30 dias + cigarros eletrônicos, NNAL level >30 pg/mL; n = 16), e grupo controle de não fumantes (n = 20). A saliva foi coletada no período de 24 horas do último uso de cigarro eletrônico para análise de cotinina e a urina para análise de NNAL e níveis de 8 compostos químicos orgânicos voláteis.

As análises bivariadas compararam os níveis de substâncias tóxicas entre usuários apenas de cigarro eletrônico com usuários duplos, e as análises de regressão compararam os usuários de cigarro eletrônico com usuários duplos e grupo controle.

A excreção na urina de metabólitos de benzeno, óxido de etileno, acrilonitrilo, acroleína e acrilamida foi significativamente maior em usuários duplos versus usuários apenas de cigarros eletrônicos (todos P <0,05). A excreção de metabolitos de acrilonitrilo, acroleína, óxido de propileno, acrilamida e crotonaldeído foram significativamente maiores nos usuários de cigarros eletrônicos em comparação com o grupo controle (todos P <0,05).

Mark Rubinstein, médico da Divisão de Medicina da Adolescência da UCSF e primeiro autor do estudo, observou que os produtos químicos não estão listados nos ingredientes do vapor líquido. “Eles são encontrados sob a descrição de aromas. Vale ressaltar que entre os usuários apenas de e-cigarette, o uso de produtos com sabor de frutas produziu níveis significativamente maiores dos metabólitos do acrilonitrilo", afirmou.

Os autores observam que embora o vapor do cigarro eletrônico possa ser menos perigoso do que o fumo do tabaco, os achados desafiam a ideia de que o vapor de cigarro eletrônico é seguro, pois muitos dos compostos orgânicos voláteis identificados são cancerígenos. "A presença de ingredientes prejudiciais no vapor de cigarro eletrônico foi estabelecida. Agora podemos dizer que esses produtos químicos são encontrados em adolescentes que fazem uso desses produtos, e eles precisam ser avisados de que o vapor produzido por cigarros eletrônicos não é inofensivo”, concluíram os autores.

Segundo Cruz, o Brasil é um excelente exemplo da queda vertiginosa do consumo do cigarro tradicional, o que levou a indústria do tabaco a procurar formas alternativas de liberação da nicotina. “O cigarro eletrônico é um destes novos meios e, com uma forte campanha de marketing, a indústria procura inserir esta novidade tecnológica na vida das pessoas, principalmente jovens e adolescentes. Apesar de alguns estudos demonstrarem que comparado ao cigarro tradicional o cigarro eletrônico possui uma quantidade menor de carcinogênicos, eles estão presentes. Este estudo é mais uma prova disso", diz.

O especialista acrescenta que além dos e-cigarettes, a indústria do tabaco já possui uma nova estratégia para atrair ainda mais jovens e adolescentes para o consumo do tabaco: o IQOS. “O IQOS é um novo dispositivo eletrônico novo que se denomina ‘heat, not burn’, ou seja, o tabaco não é queimado, e sim aquecido. Novamente, a indústria argumenta que é um dispositivo mais seguro e criado para ajudar tabagistas, vendendo para os jovens um produto que teoricamente é seguro, além de atrativo. No entanto, não existem dados de segurança desse novo dispositivo”, esclarece.

Referência: Adolescent Exposure to Toxic Volatile Organic Chemicals From E-Cigarettes - Mark L. Rubinstein, Kevin Delucchi, Neal L. Benowitz, Danielle E. Ramo - DOI: https://doi.org/10.1542/peds.2017-3557


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