29112020Dom
AtualizadoSex, 27 Nov 2020 1pm

PUBLICIDADE
Daichii Sankyo

O custo do câncer nos BRICS

Maria Paula Curado NET OKOs custos do câncer incluem perda de produtividade, uma vez que a economia de mercado também é afetada por mortes prematuras em consequência do câncer. Esse custo tem sido sistematicamente avaliado em regiões de alta renda, como Europa e Estados Unidos. Agora, pela primeira vez, um estudo avaliou os custos do câncer no Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS). Os resultados foram publicados no Journal of Cancer Epidemiollogy1 e são tema de análise publicada no Lancet Oncology2. A epidemiologista Maria Paula Curado (foto), do AC Camargo Cancer Center, comenta os resultados e analisa o cenário brasileiro.

Os pesquisadores usaram dados do GLOBOCAN de incidência de câncer e mortes pela doença em 2012, considerando todos os tipos de câncer invasivo (exceto pele não melanoma), para estimar os anos de vida produtiva perdidos entre a morte por câncer e a idade da aposentadoria em cada país, avaliada por dados nacionais e internacionais de salários e estatísticas relativas à força de trabalho.

A partir desses indicadores foram calculados os anos de vida produtiva perdidos por mortes prematuras por câncer. O valor de cada ano perdido foi calculado usando o salário médio ajustado. O custo total da perda de produtividade decorrente das mortes por câncer em 2012 nos cinco países do BRICS alcançou US$ 46,3 bilhões, representando cerca de 0,33 do produto interno bruto combinado e o equivalente a US$ 45.926 por morte por câncer.

Proporcionalmente ao PIB, a China foi o país que mais perdeu em consequência das mortes por câncer (US$ 5,9 milhões) e teve a maior perda de produtividade (US$ 28 bilhões). A África do Sul teve o maior custo por mortes por câncer (US$ 101 105), com um volume cinco vezes maior do que a Índia (US$ 19 691).

Os dados combinados mostram que o câncer de fígado foi responsável pela maior perda de produtividade (US$ 8 bilhões), especialmente em homens (US$ 8,2 bilhões). Nas mulheres, o maior impacto econômico foi resultado do câncer de mama, responsável pela maior perda de produtividade (US$ 2, 1 bilhões).

Apesar de aspectos comuns, há também padrões distintos do impacto do câncer nos cinco países BRICS. Câncer de boca e de cavidade oral foram responsáveis pela maior perda econômica na India, enquanto na África do Sul ainda há o impacto do sarcoma de kaposi, refletindo a carga de HIV/AIDS na África subsaariana.

“No Brasil, assim como nos outros países, a maior perda ocorreu em cânceres preveníveis, como pulmão, combatido com políticas anti-tabaco, fígado, que tem sua profilaxia na vacina de hepatite B, seguido do câncer de estômago (infecção por helicobater pylori), em ambos os sexos”, explica a epidemiologista Maria Paula Curado.

A especialista faz um alerta em relação à realidade brasileira. “Em homens, chama atenção o câncer de testículo, que apesar de ser uma neoplasia com altas taxas de cura em adultos jovens, foi responsável por um grande impacto econômico, com perdas maiores que o câncer de pulmão”, destacou. “Isto nos leva a crer que o acesso ao diagnóstico e tratamento para este tumor precisa ser melhorado urgentemente no Brasil”, recomenda.

Para os autores, “os dados da pesquisa reforçam a importância da prevenção do câncer associada a programas de vacinação e triagem adequados, bem como a importância do diagnóstico e acesso oportuno ao tratamento, indicando que o impacto do câncer afeta não apenas a saúde individual, mas também atinge economias em desenvolvimento, onde a força de trabalho e a produtividade são recursos fundamentais”.

Atualmente, mais de dois terços das mortes por câncer no mundo ocorrem em países em desenvolvimento. O estudo mostra que o controle do câncer nos cinco países do BRICS ajudará 41% da população mundial a aumentar suas taxas de cura e sobrevida livre de câncer, com impacto importante sobre a economia e a saúde.

O estudo tem participação da pesquisadora brasileira Marianna de Camargo Cancela, atualmente na Divisão de Pesquisa Populacional do Instituto Nacional do Câncer (INCA).

Referências:

1 - Pearce A et al. Productivity losses due to premature mortality from cancer in Brazil, Russia, India, China, and South Africa (BRICS): A population-based comparison. Cancer Epidemiol. 2018 Jan 16;53:27-34. doi: 10.1016/j.canep.2017.12.013. [Epub ahead of print]

2 - Venkatesan P. Cancer-related productivity losses in BRICS countries. Lancet Oncol. 2018 Feb 8. pii: S1470-2045(18)30090-1. doi: 10.1016/S1470-2045(18)30090-1. [Epub ahead of print]


Publicidade
banner pfizer 2018 institucional 300x250px
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
banner libbs2019 300x250
Publicidade
banner_janssen2016_300x250_v2.jpg
Publicidade
banner astellas 2019 300x250
Publicidade
Zodiac
Publicidade
Astrazeneca
Publicidade
IBCC
Publicidade
300x250 ad onconews200519