31072021Sáb
AtualizadoQui, 29 Jul 2021 4pm

PUBLICIDADE
Daichii Sankyo

Câncer colorretal e microbioma intestinal

Patricia prolla NET OKA polipose adenomatosa familiar (PAF) cursa com ocorrência de dezenas a milhares de pólipos benignos ao longo do cólon e praticamente todos os pacientes não tratados com colectomia desenvolverão câncer de cólon até os 40 anos de idade. Para entender como os pólipos influenciam a formação do tumor, estudo de Dejea et al. examinou a mucosa colônica de pacientes com PAF e identificou cepas oncogênicas de duas espécies bacterianas, Escherichia coli e Bacteroides fragilis. Os achados foram publicados na revista Science1 dia 2 de fevereiro. Quem comenta é Patrícia Ashton-Prolla (foto), Professora do Departamento de Genética da UFRGS e do Serviço de Genética Médica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

Neste estudo, os pesquisadores analisaram a mucosa colônica de pacientes com polipose adenomatosa familiar (FAP) que desenvolveram lesões precursoras benignas (pólipos). A análise revelou que o tecido do cólon desses pacientes contém biofilmes bacterianos irregulares compostos predominantemente de Escherichia coli expressando colibactiba (toxina codificada pelo gene clbB) e a enterotoxina de Bacteroides fragilis (codificada pelo gene bft). Essas oncotoxinas apareceram altamente enriquecidas na mucosa colônica dos pacientes com FAP em relação a indivíduos saudáveis.

Em cobaias com tumores de cólon colonizados com E. coli (expressando colibactina) e B. fragilis foi observado aumento da interleucina-17 no DNA no epitélio colônico, que induziu o crescimento mais rápido do tumor e levou a maior mortalidade. Estes dados sugerem correlação entre neoplasia precoce do cólon e bactérias tumorigênicas.

Para os autores, os achados podem embasar estratégias preventivas, como a procura por bactérias em indivíduos submetidos a colonoscopias.

Referências:  Patients with familial adenomatous polyposis harbor colonic biofilms containing tumorigenic bacteria - Dejea et al., Science 359, 592–597 (2018). - DOI: 10.1126/science.aah3648

Microbioma e CCR

Por Patrícia Ashton-Prolla

O câncer colorretal (CCR) é um dos tumores sólidos mais prevalentes no mundo e 5% dos casos estão relacionados à presença de uma mutação herdada em gene de predisposição. Entre estes casos, os portadores de mutações no gene APC desenvolvem polipose adenomatosa familiar (PAF). Virtualmente 100% dos pacientes com PAF são diagnosticados com CCR até os 40 anos de idade se não houver intervenção preventiva. No entanto, o número e distribuição de pólipos, bem como a idade ao diagnóstico do CCR, mesmo em pessoas com a mesma mutação em APC , é variável, sugerindo a presença de fatores modificadores do risco genético, até então pouco conhecidos.

Em um estudo caso-controle recentemente publicado na revista Science, Dejea e cols. relataram que em pacientes com PAF submetidos a colectomia preventiva, se observam focos de invasão bacteriana do muco colônico, com formação de regiões de biofilme adjacente ao epitélio colônico mais comumente do que em controles. Ademais, o biofilme não foi observado em pacientes submetidos à antibioticoterapia oral 24h antes da cirurgia.

Os principais componentes bacterianos do biofilme nos pacientes com PAF foram E. coli e B. fragilis, que produzem enterotoxinas já previamente associadas com câncer colorretal. A cocolonização com ambas as bactérias foi significativamente mais frequente nos pacientes com PAF (50%) do que em indivíduos sem PAF (25%). Em uma etapa seguinte, os investigadores induziram a colonização do cólon murino com cepas oncogênicas de E.coli, B.fragilis e ambas, sendo evidenciado que animais monocolonizados desenvolviam poucos ou nenhum tumor enquanto naqueles com a cocolonização se observou importante indução de tumores, incluindo presença de tumores invasivos e maior mortalidade dos animais.

Os autores concluem sugerindo que a cocolonização do intestino com cepas oncogênicas de E. coli e B. fragilis tem maior potencial de induzir tumores, em especial nos pacientes com PAF, e esta indução é mediada por dois eventos complementares: (a) lesão das células do epitélio colônico por colibactina e (b) indução de intraleucina 17 (IL-17) promovida pela enterotoxina de B.fragilis com efeito aditivo da presença de colibactina.

Estes resultados mostram pela primeira vez uma relação estreita entre o efeito combinado de enterotoxinas produzidas por bactérias frequentemente encontradas no cólon e os estágios iniciais do processo de carcinogênese do cólon. A análise quantitativa precoce da expressão dos genes responsáveis por estas enterotoxinas pode se tornar um biomarcador importante para guiar diagnóstico e intervenções preventivas do câncer colorretal em pacientes com PAF.


Publicidade
NEXT FRONTIERS 2021
Publicidade
MERCK
Publicidade
SANOFI
Publicidade
banner astellas 2019 300x250
Publicidade
banner libbs2019 300x250
Publicidade
Zodiac
Publicidade
300x250 ad onconews200519