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AtualizadoQua, 12 Maio 2021 12pm

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Daichii Sankyo

Diabetes tipo 2 e risco de câncer de mama ER-negativo em mulheres afro-americanas

Mulher Negra NET OKEstudo publicado na Cancer Research, periódico da American Association for Cancer Research (AACR), sugere que as mulheres afro-americanas com diabetes tipo 2 (DT2) estão em maior risco de desenvolver câncer de mama receptor de estrogênio negativo (ER-). Os resultados demonstram ainda que nessas pacientes, distúrbios metabólicos podem ser mais importantes do que a obesidade para este subtipo da doença.

O câncer de mama receptor hormonal positivo tem maior incidência, melhores respostas ao tratamento e maiores taxas de sobrevida. No entanto, mulheres afro-americanas apresentam o dobro da incidência de câncer de mama ER- em comparação com as mulheres brancas.

"Ainda estamos tentando entender os processos biológicos básicos que levam ao câncer de mama ER-negativo. Uma maneira de fazer isso é estudar fatores mais comuns em uma população afro-americana", afirmou a primeira autora do estudo, Julie R. Palmer, diretora associada do Centro de Epidemiologia Slone e professora de epidemiologia da Escola de Saúde Pública da Universidade de Boston.

Vários estudos sugerem que o diabetes é um fator de risco para o câncer de mama, e o diabetes tipo 2 é duas vezes mais prevalente em mulheres afro-americanas em comparação com as mulheres brancas. Um estudo anterior analisou a associação entre diabetes tipo 2 e câncer de mama em mulheres afro-americanas, mas não apresentou resultados separadamente para câncer de mama ER-negativo e ER-positivo.

O estudo

As análises foram baseadas em informações fornecidas por participantes no Black Women’s Health Study (BWHS), uma coorte prospectiva com informações de 59 mil mulheres afro-americanas estabelecida há mais de 20 anos, com follow-up bienal. Com este grande conjunto de dados, os pesquisadores observaram muitos fatores, incluindo idade e índice de massa corporal (IMC).

Durante 847.934 pessoa-anos de follow-up, houve 1.851 tumores de mama invasivos, incluindo 914 casos ER + e 468 casos ER-. Os modelos de risco proporcional Cox multivariável foram utilizados para calcular hazard ratios (HR) para a incidência de câncer de mama associada ao DT2 em comparação ao não-DT2, controlando o índice de massa corporal (IMC) e outros fatores de confusão.

O HR para o DT2 em relação ao não DT2 foi de 1,18 [95% IC 1,00-1,40) para a incidência geral de câncer de mama, com aumento observado para o câncer de mama receptor de estrogênio negativo: HRs foram 1,02 (95% IC, 0,80-1,31) para ER+ e 1,43 (95% IC, 1,03-2,00) para câncer ER-. O HR para DT2 e câncer de mama ER- foi maior entre as mulheres não obesas (1,92; 95% IC, 1,22-3,04).

"Nossos resultados mostraram evidências estatisticamente significativas de um risco aumentado de câncer de mama ER-negativo em mulheres afro-americanas que apresentavam diabetes tipo 2 antes do câncer de mama, principalmente nas mulheres com diabetes há pelo menos cinco anos", disse Palmer. Não foi encontrada associação com o câncer de mama ER-positivo na mesma coorte.

Vale ressaltar que a associação entre diabetes tipo 2 e câncer de mama ER-negativo foi observada apenas entre mulheres com menor IMC (<30), o que sugere que anormalidades no estado metabólico podem desempenhar um papel maior no câncer de mama ER-negativo do que a obesidade.

Dada a elevada prevalência de DT2 em mulheres afro-americanas, a associação observada poderia, em parte, explicar as disparidades raciais na incidência de câncer de mama ER-.

Palmer enfatizou que é necessário estudos adicionais para corroborar essas descobertas. "Se esses resultados forem confirmados, diabetes tipo 2 seria um fator de risco modificável para o câncer de mama ER-negativo. As mulheres poderiam reduzir suas chances de ter a doença se pudessem evitar o desenvolvimento de diabetes tipo 2. O monitoramento dos níveis de açúcar no sangue para identificar a pré-diabetes pode permitir intervenções precoces”, conclui a pesquisadora, que agora pretende testar se a medicação para diabetes, como a metformina, poderia reduzir o risco de câncer de mama ER-negativo.

O estudo foi financiado pelo National Institutes of Health e, em parte, pelo Programa Dahod Breast Cancer Research na Faculdade de Medicina da Universidade de Boston.

Referência: Type II Diabetes and Incidence of Estrogen Receptor Negative Breast Cancer in African American Women - Julie R. Palmer, Nelsy Castro-Webb, Kimberly Bertrand, Traci N. Bethea and Gerald V. Denis - DOI: 10.1158/0008-5472.CAN-17-1903 Published November 2017


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