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AtualizadoTer, 24 Nov 2020 4pm

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Pacientes preferem que médicos não usem computador na sala de exames

André Junqueira IDEA PC NET OKEstudo apresentado no 2017 Palliative and Supportive Care in Oncology Symposium, em San Diego, Califórnia, sugere que pacientes com câncer avançado preferem que os médicos se comuniquem com eles face a face, com apenas um bloco de notas na mão, ao invés de usar repetidamente um computador. O médico André Filipe Junqueira dos Santos (foto), vice-presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), comenta para o Onconews.

Muitos médicos usam um software de computador para gerenciar registros de saúde eletrônicos, e os pesquisadores buscaram compreender a possibilidade desse comportamento prejudicar a comunicação com os pacientes. Pesquisas anteriores com pacientes com problemas crônicos de saúde, muitas vezes acompanhados de problemas emocionais, sugeriram que os pacientes querem que seus médicos conversem diretamente com eles.

"O prontuário eletrônico é um padrão de atendimento irreversível e que traz muitos benefícios na padronização de diversos atendimentos e acesso a outros dados. A virtude desse estudo é medir o impacto do computador na relação médico-paciente em cuidados paliativos. Um equilíbrio no uso dessa ferramenta (talvez anotar em papel durante a consulta) e registrar no computador em outro local seja uma proposta a ser considerada por todos os profissionais", afirma André Junqueira, coordenador do Serviço de Cuidados Paliativos da Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP), da USP, e médico no Instituto Oncológico de Ribeirão Preto (InORP).

Métodos

O estudo foi realizado em um centro de atendimento ambulatorial. Os pesquisadores randomizaram 120 pacientes com câncer avançado em quatro grupos iguais para assistir dois vídeos padronizados de 3 minutos que descrevem um encontro clínico paciente-médico rotineiro. Ambos os vídeos tinham um roteiro idêntico. Em um vídeo, o médico se comunicou face a face, enquanto no outro vídeo o médico usava o computador da sala de exame durante a conversa.

Os pacientes no estudo tinham doença localizada, recorrente ou metastática. 90% eram totalmente funcionais fisicamente. Para padronizar e controlar a avaliação, os pesquisadores capturaram a informação do paciente sobre fatores psicossociais, idade e nível de escolaridade após a inscrição.

Foram filmados quatro vídeos de aproximadamente dois minutos que apresentaram atores cuidadosamente roteirizados e que utilizaram os mesmos gestos, expressões e outras comunicações não verbais em cada vídeo para minimizar o viés. No vídeo 1, o médico A realiza uma consulta com apenas um bloco de notas; no vídeo 2, o mesmo médico utiliza o computador na consulta. No vídeo 3, o médico B consulta com apenas um bloco de notas, enquanto no vídeo 4 ele utiliza um computador.

Depois de visualizar cada vídeo, os pacientes completaram questionários validados classificando sua percepção de compaixão do médico (0 = melhor, 50 = pior), habilidades de comunicação (0 = pobre, 70 = excelente) e profissionalismo (0 = ruim, 20 = muito bom). Os pacientes também foram solicitados a avaliar a preferência geral do médico.

Resultados

Após assistir o primeiro vídeo, o encontro clínico face a face resultou em melhores pontuações de compaixão (mediana 9 [0-18] vs 20 [6-28]; p=.0003), habilidades de comunicação 65 [54-70] vs 54 [41-63]; p=.0001) e profissionalismo 19 [5-20] vs 14 [11-17]; p=0,013). Após a análise de cruzamento, foi encontrado um período significativo (p=0,004) e efeito de sequência (p=0,005) favorecendo o segundo vídeo sobre a pontuação de compaixão. Após assistir ao segundo vídeo, 86 (72%) dos pacientes preferiram a comunicação face a face.

"Nós sabemos que ter um bom relacionamento com os pacientes pode ser extremamente benéfico para a saúde", disse o autor principal do estudo, Ali Haider, Professor Assistente do Departamento de Paliativos, Reabilitação e Medicina Integrativa da Universidade do Texas MD Anderson Cancer Center. "Pacientes com doença avançada precisam das pistas que acompanham a interação direta para ajudá-los junto com seus cuidados".

Os pesquisadores observam que o estudo responde perguntas sobre as percepções dos pacientes, mas não como abordar a questão do uso do computador em uma sala de exames.

"Nosso estudo foi feito em um ambulatório, por isso é provavelmente mais pertinente nesse cenário em comparação com um hospital onde as interações médico-paciente são mais frequentes e rigorosas", disse Haider. "Estamos certos de que as pessoas vão permitir uma outra entidade na sala de exames, mas nosso estudo mostra que se a terceira entidade for um computador, essa não é a preferência".

Os pesquisadores acreditam que provavelmente encontrariam os mesmos resultados se o estudo fosse conduzido com pessoas com câncer em estágio inicial. No entanto, fica a dúvida sobre essa percepção em uma população mais jovem e mais habituada com o uso de tecnologia. Essa população pode ser objeto de um estudo futuro.

Informações sobre o estudo clínico: NCT02957565

Referência: Effects of examination room computer on cancer patients perception of physician's compassion, communication skills, and professionalism: A randomized clinical trial. - Abstract No: 26 - Poster Board Number: Poster Session A (Board #A3) - Citation: J Clin Oncol 35, 2017 (suppl 31S; abstract 26) - Author(s): Ali Haider et al


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