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AtualizadoSeg, 12 Abr 2021 12am

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Daichii Sankyo

WCLC 2017: AC Camargo mostra dados do mesotelioma

Vladmir NET OK 2Em apresentação no WCLC 2017 em Yokohama no Japão, o A.C. Camargo Cancer Center mostrou dados da experiência institucional com mesotelioma pleural maligno, doença de alta morbimortalidade associada à exposição ocupacional ao amianto. O estudo tem como primeiro autor o oncologista Vladmir Cláudio Cordeiro de Lima (foto). O estudo coletou restrospectivamente dados clinico-patológicos de pacientes com diagnóstico de MPM tratados no A.C. Camargo Cancer Center entre janeiro de 2000 e dezembro de 2014.

Foram identificados 30 pacientes com MPM, com seguimento mediano de 108 meses. A mediana de idade ao diagnóstico foi de 67,5 anos (43-85). 73,3% eram homens e  a história de exposição ao amianto  foi positivamente associada em 43,3% da população avaliada. O sintoma de apresentação foi a dispneia (44,8%); seguido de dor torácica (24,1%). O subtipo  epitelioide foi o mais frequente (66,7%) e a maioria dos pacientes foi diagnosticada nos estádios III (33,3%) e IV (26,7%).

76,7% dos pacientes foram submetidos à cirurgia: decorticação pleural (34,8%), pleurodese (30,5%) e pleuro-pneumonectomia + linfadenectomia mediastinal (30,5%). A quimioterapia foi administrada a 70,0% e a radioterapia a 24,1%. A mediana de sobrevida livre de progressão foi de 8 meses (IC 95% 5,4-10,5) e o único fator associado a melhor SLP foi a ressecabilidade da doença (ressecável versus não- ressecável: 10 meses vs. 7 meses; p = 0,041). A sobrevida global mediana foi de 12 meses (IC 95%: 5,6-18,3). As variáveis ​​associadas a melhor SG foram albumina sérica  <2,9mg/dL vs. ≥2,9mg/dL: 3 meses vs. 10 meses; p = 0,005) e ser capaz de receber outras linhas de quimioterapia (sim versus não: 18mo vs. 6mo; p = 0,016).

O mesotelioma pleural maligno (MPM) é uma neoplasia incomum e a maioria dos pacientes é diagnosticada em estádios avançados, com mediana de sobrevida global em torno de 9 a 17 meses. No Brasil, alguns estudos sugeriram que o número de novos casos aumentará até 2030, mas não há dados epidemiológicos oficiais disponíveis.

Os autores argumentam que diante da ausência de dados oficiais que possam dimensionar o panorama do mesotelioma no Brasil, a coleta de dados locais é extremamente relevante para ajudar a desvendar o cenário epidemiológico nacional.

“Nossos dados reforçam a baixa prevalência da doença, embora também possa refletir questões relacionadas ao encaminhamento de pacientes para centros especializados. Como esperado, observamos uma associação com exposição ocupacional ao amianto e uma pobre sobrevida global e livre de progressão”, concluem.

Além disso, os dados ajudam a entender os padrões de tratamento e a avaliar a eficácia dos mesmos, e, dada a associação com exposição ocupacional ao amianto, reveste-se também de relevância social, reforçando a necessidade de políticas de controle mais rígidas para a exploração e beneficiamento dos asbestos. 

Referência: P2.09-002 - Prevalence and Survival of Malignant Pleural Mesothelioma Patients Treated in a Single Brazilian Cancer Center
09:30 - 09:30 | Presenting Author(s): V.C. Cordeiro De Lima | Author(s): João Navarro Reolon, A.B.A. Costa, G. Venturi, J.L. Gross, Helano Carioca Freitas, D.B. Sales

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