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AtualizadoTer, 03 Ago 2021 4pm

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Daichii Sankyo

Dispositivo médico melhora a sobrevida de pacientes com glioblastoma

Maldaun_NET_OK.jpgPacientes com glioblastoma em tratamento com temozolomida que utilizaram o TTFields, dispositivo médico que fornece campos elétricos de frequências alternadas, apresentaram mediana de sobrevida global significativamente melhor em comparação com aqueles tratados apenas com temozolomida. O cirurgião Marcos Maldaun (foto), presidente da Sociedade Latinoamericana de Neuro-Oncologia (SNOLA), comenta os resultados finais do estudo randomizado de fase III apresentados no congresso anual da AACR.

“A abordagem mostrou bons resultados na recorrência do glioblastoma (estudo EF 11), o que levou ao estudo randomizado de fase III em primeira linha (EF 14). A última vez que qualquer forma de tratamento demonstrou melhorar a sobrevida para os pacientes com glioblastoma foi há mais de 10 anos, quando a adição de temozolomida à radioterapia demonstrou melhorar a taxa de sobrevida em dois anos de 10% para 27%”, afirma Maldaun.
 
A taxa de sobrevida em dois anos para os pacientes no braço TTFields mais temozolomida foi de 43%, confirmando a eficácia desta nova modalidade de tratamento, considerada um dos avanços do ano de 2016 pela Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO). "É emocionante ver que a magnitude do benefício de adicionar TTFields à temozolomida é semelhante à observada pela adição de temozolomida à radioterapia”, disse Roger Stupp, professor de Cirurgia Neurológica da Northwestern University Feinberg School of Medicine e primeiro autor do estudo.
 
TTFields são campos elétricos de baixa intensidade alternando em uma frequência intermediária (200kHz). “Os campos elétricos são gerados por um aparelho portátil que o paciente carrega como uma mochila, e transmitidos por eletrodos colados apropriadamente no couro cabeludo por 18h ao dia. Eles atuam alterando o ciclo celular da célula oncótica e bloqueando a divisão celular”, explica Maldaun. “Foram relatados na literatura poucos casos de intolerância ao dispositivo, principalmente dermatite reacional tópica. Não há relatos de maior incidência de epilepsia nestes pacientes”, acrescenta o especialista.
 
Métodos
 
Entre julho de 2009 e novembro de 2014, Stupp e colegas inscreveram 695 pacientes recém-diagnosticados com glioblastoma no estudo; 466 doentes foram aleatoriamente designados para o tratamento com o dispositivo médico Optune (TTFields) e temozolomida e 229 pacientes foram aleatoriamente designados para receber temozolomida de manutenção isolada.
 
Os dados provisórios dos primeiros 315 pacientes incluídos no estudo levaram o FDA a aprovar o Optune para o tratamento do glioblastoma recém-diagnosticado. "Agora estamos relatando os resultados finais para todos os 695 pacientes inscritos no estudo, incluindo o resultado a longo prazo. Nossos dados estabelecem firmemente o benefício de sobrevida do tratamento com TTFields", disse Stupp.
 
A sobrevida global mediana para os doentes designados ao braço TTFields e temozolomida foi de 21 meses em comparação com 16 meses para aqueles que receberam temozolomida isolada.
 
As taxas de sobrevida em dois, três, quatro e cinco anos para os pacientes que receberam TTFields e temozolomida também foram significativamente melhores em comparação com as taxas observadas nos pacientes que receberam apenas temozolomida: 43% versus 31%; 26% versus 16%; 20% versus 8%; e 13% versus 5%. TTFields mostrou efeito em todos os subgrupos de pacientes tratados, incluindo os pacientes com os fatores prognósticos mais desfavoráveis.
 
A razão de risco para a sobrevida global foi de 0,63, o que significa que os pacientes atribuídos ao braço da combinação (TTFields e temozolomida) tinham um risco de morte 37% menor do que aqueles atribuídos aleatoriamente à temozolomida isolada.
 
"TTFields é uma modalidade de tratamento inteiramente nova", disse Stupp. "Precisamos continuar buscando novos tratamentos e aprender como melhor combiná-los com as modalidades de tratamento já existentes para garantir o máximo benefício ao paciente", concluiu o especialista.
 
O estudo foi financiado pela NovoCure Ltd.


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