01122020Ter
AtualizadoSeg, 30 Nov 2020 1am

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Daichii Sankyo

Quimioterapia de consolidação após quimiorradioterapia concomitante para CPNPC estádio III

Vladmir_NET_OK.jpgEstudo do Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT) e do Latin American Cooperative Oncology Group (LACOG) mostrou que a quimioterapia de consolidação não melhorou a sobrevida global em pacientes com câncer de pulmão não-pequenas células (CPNPC) estadio III submetidos à quimiorradioterapia concomitante. O oncologista Vladmir C. de Lima (foto), do A.C.Camargo Cancer Center, comentou os resultados para o Onconews.

O trabalho foi apresentado na 17ª Conferência Mundial de Câncer de Pulmão da IASLC, em Viena.

Aproximadamente 25% dos casos de câncer de pulmão não pequenas células recém-diagnosticados são de doença localmente avançado estádio III. Embora alguns pacientes sejam passíveis de ressecção cirúrgica, a maioria será tratada com quimiorradioterapia concomitante (CRT), enquanto a adição de quimioterapia de consolidação (CC) ainda é um tópico discutível.

Métodos
 
Os pesquisadores recolheram retrospectivamente dados de pacientes com CPNPC estádio III tratados em cinco instituições brasileiras de câncer: A.C. Camargo Cancer Center, Núcleo de Oncologia da Bahia (NOB), Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), Hospital das Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e Instituto Nacional do Câncer (INCA). Os pacientes foram tratados nesses centros entre janeiro de 2007 e dezembro de 2011, e receberam quimiorradioterapia concomitante seguido ou não de quimioterapia de consolidação.
 
Os pacientes elegíveis tinham ≥ 18 anos e deveriam ter sido tratados com cisplatina ou carboplatina mais etoposide, paclitaxel ou vinorelbina, simultaneamente com a irradiação torácica (RT). Pacientes tratados com cirurgia ou quimioterapia neoadjuvante foram excluídos.
 
O endpoint primário foi a sobrevida global (SG) a partir do diagnóstico. A associação entre quimioterapia de consolidação e variáveis ​​clínicas e demográficas foi avaliada pelo teste Pearson's Chi-square (X2). As curvas de sobrevida foram calculadas pelo método Kaplan-Meier e comparadas pelo teste log-rank. Análises univariadas e multivariadas foram feitas utilizando o modelo proporcional de Cox (CPM). P-values <0,05 foram considerados estatisticamente significativos.
 
Resultados
 
Foram coletados dados de 165 pacientes. A média de idade foi de 60 anos (variação: 27-79) e a maioria dos pacientes era do sexo masculino (69,1%), caucasiano (77,9%), tabagista ou ex-tabagista (93,3%) e estádio IIIB (52,7%). O adenocarcinoma foi o tipo histológico mais comum (47,9%). Perda de peso > 5% e PS ECOG 2 foram observados em 39,1% (n=61) e 14,6% (n=24), respectivamente. A mediana de seguimento foi de 25 meses.
 
Segundo o oncologista Vladmir Cordeiro De Lima, primeiro autor do estudo, na prática diária muitos pacientes acabam não recebendo o tratamento padrão. “O número de pacientes analisados foi muito maior, foram mais de 500 pacientes com doença estadio III, mas um percentual razoável de pacientes que seriam eventualmente candidatos a receber quimiorradioterapia receberam um tratamento de eficácia menor. Isso pode ter ocorrido por um conjunto de motivos que vão desde a falta de estrutura do centro de tratamento até a performance status e comorbidades dos pacientes. Essa análise estava fora do escopo do estudo, foi apenas uma constatação a partir dos dados levantados”, explica Vladmir.
 
A quimioterapia de consolidação foi administrada em 27 pacientes. A única variável associada ao CC foi o estágio T (X2 (4)=11,410, p=0,022), com mais tumores T3 recebendo CC do que o esperado. Não houve diferença estatisticamente significativa na sobrevida global entre os pacientes tratados ou não com CC (p=0,211), embora a taxa de sobrevida global em 3 anos tenha sido numericamente maior em pacientes que receberam a quimioterapia de consolidação (40% vs. 31%). A mediana de sobrevida global foi de 24 e 25 meses em grupos CC e não CC, respectivamente (HR 1,408, 95% CI 0,814-2,434). A administração da dose total de RT ≥ 61Gy foi a única variável independentemente associada com uma melhor sobrevida (HR 0,617, 95% CI 0,419-0,909, p=0,012).
 
“O estudo não mostrou benefício nos pacientes que receberam quimioterapia de consolidação. Os dados foram semelhantes àqueles já reportados em estudos maiores realizados em populações americanas, europeias e asiáticas. Vale ressaltar que entre os participantes selecionados se observou que o número de pacientes que recebeu quimioterapia de consolidação foi menor do que aqueles que receberam apenas quimiorradioterapia, o que provavelmente já sinaliza um reflexo da incorporação dessa ideia pelos oncologistas”, conclui o especialista.

Referência: Consolidation Chemotherapy Following Concurrent Chemoradiation for Stage III Non-Small Cell Lung Cancer: A Brazilian Multicentric Cohort - Vladmir Cordeiro De LimaClarissa BaldottoCarlos BarriosEldsamira Sobrinho, Mauro ZukinClarissa MathiasFacundo ZaffaroniRodrigo NeryGabriel MadeiraAlex AmadioGuilherme GeibJuliano CoelhoMaria Fernanda SimõesGilberto De Castro r.- DOI: http://dx.doi.org/10.1016/j.jtho.2016.11.1177

 
 
 

 
 

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