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AtualizadoSeg, 30 Nov 2020 1am

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Daichii Sankyo

FDA alerta para implantes mamários e risco de câncer

Protese_Mama_NET_OK.jpgEm 2011, a agência norte-americana FDA identificou uma possível associação entre implantes mamários e o desenvolvimento de linfoma anaplásico de grandes células (LAGC), um tipo raro de linfoma não-Hodgkin. Agora, novo alerta do FDA enfatiza a necessidade de coletar dados adicionais sobre a associação de LAGC em mulheres com implantes mamários. O mastologista Gustavo Zucca-Matthes, coordenador do Departamento de Mastologia e Reconstrução Mamária do Hospital de Câncer de Barretos, comenta para o Onconews.

Em comunicado oficial divulgado dia 21 de março, o FDA esclarece que todas as informações até agora sugerem que as mulheres com implantes mamários têm um risco muito baixo, mas aumentado, de desenvolver LAGC. A Organização Mundial da Saúde também reconheceu o linfoma anaplásico de grandes células associado ao implante mamário como um raro linfoma de células T que pode se desenvolver após a colocação de próteses mamárias.
 
Desde 1º de fevereiro de 2017, o FDA recebeu um total de 359 relatórios de casos de LAGC associados a implantes de mama, incluindo nove mortes. Desse total, 231 relatórios incluíram informações sobre o tipo de superfície, sendo 203 implantes texturizados e 28 lisos. Informações sobre o tipo de preenchimento estavam disponíveis em 312 dos 359 relatórios, com 186 próteses de silicone e 126 de solução salina.
 
O FDA reconhece “ limitações significativas nos relatórios mundiais e a falta de dados globais sobre a vendas de implantes”.
 
Nos Estados Unidos, a Fundação de Cirurgia Plástica e a National Comprehensive Cancer Network (NCCN) publicaram recomendações para ajudar os médicos a compreender a doença e fornecer diagnóstico e tratamento.
 
Agências reguladoras fora dos Estados Unidos também confirmaram casos de linfoma anaplásico de grandes células associados a implantes mamários.
 
A Australian Therapeutic Goods Administration (TGA) relatou 46 casos confirmados na Austrália, todos com implantes lisos, incluindo três mortes. A agência francesa de medicamentos e produtos de Saúde pediu aos fabricantes de implantes de mama texturizados que realizem testes de biocompatibilidade e relatem seus achados dentro de um ano.

“Em 2015, o Instituto Nacional de Câncer da França demonstrou um desconforto em relação a um possível aumento no número de casos diagnosticados de LAGC, que passaram de dois casos em 2012, para 11 em 2014 no país”, afirma Zucca.
 
O mastologista explica que o linfoma anaplásico de grandes células associado às próteses mamárias é um subtipo bastante raro de linfoma de células T, com estimativa de um caso em cada 500 mil mulheres com próteses. “Os implantes mamários são feitos de elastômeros de silicone e estas próteses evoluíram muito desde seu início, em 1962, até os dias atuais. Sua utilização é muito estudada na literatura médica, reforçando sua segurança”, ressalta.
 
Segundo o especialista, nos poucos casos até hoje relatados na literatura, a maioria das pacientes aparecem com seromas (líquido ao redor da prótese) de aparecimento tardio, na forma de aumento de volume local. “A grande maioria destas pacientes foi curada apenas com a remoção da prótese e da cápsula ao seu redor. Apenas em um número pequeno de casos foi necessário realizar o tratamento sistêmico com quimioterapia ou complementação com radioterapia. A chance de cura com os tratamentos neste tipo de linfoma passa de 90%”, diz o médico.
 
O especialista acrescenta que éimportante que mastologistas e cirurgiões plásticos estejam atentos para estes quadros e não se esqueçam, quando do tratamento cirúrgico, de solicitar o exame anatomopatológico desta cápsula ressecada. No entanto, no Hospital de Câncer de Barretos, onde são realizadas em torno de 350 cirurgias envolvendo implantes mamários de silicone por ano, até hoje nenhum caso de LAGC foi detectado no serviço. “Não há motivo para pânico, basta atenção e orientação para que pacientes com implantes mamários sejam submetidas a exames clínicos e de imagem regulares, o que já é frequentemente recomendado para  quaisquer mulheres adultas”, conclui.
 
 


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