TRIO-013: interação medicamentosa no câncer gastroesofágico

Est__mago_News_3_OK.jpgO uso de inibidores da bomba de protons (IBPs) prejudica a atividade de capecitabina em pacientes com câncer gastroesofágico metastático. É o que mostram os achados do TRIO-013, estudo randomizado de fase III que avaliou o uso de IBPs nesses pacientes. O artigo completo foi publicado em outubro no Jama Oncology. O TRIO-013 considerou pacientes tratados com capecitabina e oxaliplatina (CapeOx) com ou sem lapatinib e identificou que o uso de inibidores de bomba de prótons afetou negativamente a sobrevida livre de progressão (4,2 vs 5,7 meses), sobrevida global (9,2 vs 11,3 meses) e taxa de controle da doença (72% vs 83%).

Os resultados mostram que oncologistas que utilizam capecitabina no tratamento de seus pacientes devem estar atentos ao potencial de interação negativa com inibidores de bomba de prótons.
 
Métodos
 
Foram inscritos 545 pacientes com câncer gastroesofágico metastático tratados com capecitabina e oxaliplatina (CapeOx) com ou sem lapatinib.  Os pacientes foram randomizados 1: 1 entre CapeOx com ou sem lapatinibe e o uso de inibidores da bomba de prótons foi identificado a partir dos registros de medicação.   Os desfechos primários foram sobrevida livre de progressão (SLP) e sobrevida global (SG) comparando pacientes tratados com IBP vs pacientes não tratados. Os desfechos secundários incluíram taxa de resposta e perfil de toxicidade.
 
Resultados
 
Dos 545 pacientes (idade média de 60 anos; 74% homens), 229 receberam IBP (42,0%) e foram distribuídos uniformemente entre os braços. No braço do placebo, os pacientes tratados com IBP tiveram pior sobrevida livre de progressão mediana, 4,2 vs 5,7 meses ([HR], 1,55; 95% CI, 1,29-1,81, P <0,001), assim como apresentaram pior sobrevida global, com 9,2 vs 11,3 meses (HR, 1,34; IC 95%, 1,06-1,62; P = 0,04) e pior taxa de controle da doença (83% vs 72%, P = 0,02).
 
Na análise multivariada, considerando idade, raça, estágio da doença e sexo, os pacientes tratados com IBP também tiveram resultados mais pobres de SLP (HR, 1,68; P <0,001) e SG (HR, 1,41; P = 0,001).
 
Em pacientes tratados com CapeOx e lapatinib, o uso de inibidores de bomba de prótons teve menos efeito sobre a SLP (HR, 1,08; P = 0,54) e SG (HR, 1,26; P = 0,10); porém, a análise multivariada nesse grupo demonstrou diferença significativa na sobrevida global (HR, 1,38; IC 95%, 1,06-1,66; P = 0,03).
 
Em conclusão, os achados do TRIO-013 mostram que inibidores de bomba de prótons afetam negativamente a eficácia da capecitabina, possivelmente por aumentar os níveis de pH gástrico, levando a alterações na concentração e absorção. O artigo de Chu e colegas traz resultados consistentes com estudos anteriores com erlotinibe e sunitinibe e esclarece que diante da prevalência da capecitabina no tratamento do câncer de mama e cólon, mais estudos estão em andamento (NCT00680901).
 
Referência: Association of Proton Pump Inhibitors and Capecitabine Efficacy in Advanced Gastroesophageal Cancer - Secondary Analysis of the TRIO-013/LOGiC Randomized Clinical Trial – MichaelP. Chu, MD1;  J.Randolph Hecht, MD2; Dennis Slamon, MD2; et al - JAMA Oncol. Published online October 13, 2016. doi:10.1001/jamaoncol.2016.3358