06122020Dom
AtualizadoSex, 04 Dez 2020 6pm

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Daichii Sankyo

Novas evidências em favor da triagem do câncer de pulmão

CancroPulmao.jpgO rastreamento é fundamental para diagnosticar e tratar o câncer de pulmão em estágios iniciais. Estudo do Moffit Cancer Center1 a partir de dados de mais de 50 mil pessoas mostra que subgrupos de alto risco rastreados por tomografia computadorizada apresentaram características diferentes, com impacto nos desfechos de sobrevida. O estudo avaliou dados de prevalência de câncer de pulmão na triagem inicial e na sequência de intervalos do exame tomográfico, a partir de dados do National Lung Screening Test.

“O artigo demonstra bem a complexidade do tema rastreamento, e o quanto ainda temos que aprender sobre a biologia, comportamento e prognóstico do câncer de pulmão nessa população vulnerável devido ao tabagismo”, afirma Ricardo Sales dos Santos, cirurgião torácico do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, e Diretor do Instituto Tórax (iTorax).

O estudo incluiu mais de 53 mil pessoas de 55 a 74 anos de idade, fumantes atuais ou antigos, que fumaram pelo menos um maço de cigarros por dia durante 30 anos ou mais. Aqueles que apresentaram nódulo indeterminado no exame inicial de tomografia computadorizada de baixas doses (LDCT) e tiveram diagnóstico de câncer de pulmão confirmado nos anos seguintes tiveram melhores resultados do que os pacientes que apresentaram imagem positiva na triagem inicial por LDCT.

Métodos
 
Os indivíduos selecionados foram agrupados em diferentes coortes, de acordo com as características verificadas no início da investigação: de um lado, aqueles com nódulo pulmonar indeterminado ao exame tomográfico e que tiveram diagnóstico de câncer de pulmão confirmado nos exames de intervalo aos 12 meses (S1) e 24 meses (S2); no outro, indivíduos que tiveram achados tomográficos positivos para câncer de pulmão ao exame inicial e que desenvolveram novos nódulos identificados no seguimento de 12 meses (S3) e 24 meses (S4).
 
O estudo avaliou os desfechos de sobrevida global (SG) e sobrevida livre de progressão (SLP) e concluiu que as taxas de mortalidade câncer específica foram mais elevadas nos dois últimos subgrupos (136,6/1000 pessoas-ano versus 71,3/1000 pessoas-ano, p <0,001).
 
A sobrevida global (HR = 1.80; 95% CI 1.21–2.67) e a sobrevida livre de progressão (HR = 1.89; 95% CI 1.31–2.74) foram significativamente menores para S3 / S4 em comparação com S1/S2 (P <0,004; P <0,002, respectivamente). Os resultados foram consistentes quando estratificados por estadiamento e histologia.
 
“A principal conclusão do estudo é que tumores "de novo", isto é, aqueles que são diagnosticados em anos subsequentes à primeira tomografia (também chamada de T0 ou baseline) são mais agressivos e ocasionam uma pior sobrevida. A baixa ocorrência desses tumores, entretanto, quando comparada àquela da primeira sequência de tomografias T0 motivou anteriormente um outro autor, Dr. Patz2, a sugerir que poderíamos aumentar o tempo de intervalo entre as tomografias. O achado dessa revisão "pos hoc" do NLST impacta a política de rastreamento pois traz evidências dessa maior agressividade; sendo assim, aumentar esse intervalo pode não ser uma boa ideia”, esclarece Ricardo.
 
Segundo o especialista, outro dado interessante foi que o perfil histológico dos tumores encontrados na tomografia de prevalência (T0) é diferente daquele encontrado nas tomografias de intervalo e subsequentes (T1 , T2): houve predominância dos adenocarcinomas, pequenas células e tumores escamosos, respectivamente. “Embora isso não tenha afetado a sobrevida, é um dado interessante do ponto de vista evolutivo”, acrescenta. 
 
Recomendações de rastreamento

O Preventive Services Task Force dos Estados Unidos recomenda exames regulares de triagem com LCDT para câncer de pulmão em pessoas de 55-74 anos que fumaram pelo menos um maço de cigarros por dia durante 30 anos ou mais. As recomendações também incluem fumantes pesados ​​que pararam nos últimos 15 anos.

As orientações são baseadas em um grande estudo randomizado, o National Lung Screening Test, que constatou que o rastreio de câncer de pulmão com LDCT reduziu significativamente as mortes por câncer de pulmão em 20% em relação ao rastreio com raios-X de tórax.
 
Agora, os achados do Moffitt sugerem a importância de prosseguir o rastreio em pacientes de alto risco. "A cessação do tabaco é uma das maneiras mais eficazes para reduzir o risco de câncer de pulmão e o rastreamento é um método comprovado para detectar precocemente a doença, quando é mais fácil de tratar. Para que seja eficaz, os indivíduos de alto risco precisam ser rastreados em intervalos anuais regulares", disse Matthew Schabath, membro do Programa de Epidemiologia de Moffitt Cancer Center e primeiro autor do estudo.
 
Para Ricardo, os dados do estudo reforçam o conceito de que o rastreamento não é apenas um exame, e deve ser encarado como um processo com sistemas de navegação e acompanhamento dos participantes de forma precisa e contínua. “Para exemplificar tal complexidade: em nosso estudo nacional, o ProPulmão-BRELT1, desenvolvemos o Sistema de Prontuário Inteligente-SPI com a função de emitir alertas de acompanhamento e adequada tabulação dos mais de 500 nódulos suspeitos (acima de 4mm) encontrados numa população de 790 pessoas, seguindo os mesmos parâmetros de variáveis do I-ELCAP (International Early Lung Cancer Action Project)”, diz o especialista.
 
“Como foi sugerido pelos autores, tais achados confirmam que novas ferramentas de análise genética e marcadores continuam necessárias para melhor seleção dos pacientes sob risco”, conclui.

Os resultados foram publicados no dia 10 de agosto na edição online da PLoS ONE.

Referências: 1 - Differences in Patient Outcomes of Prevalence, Interval, and Screen-Detected Lung Cancers in the CT Arm of the National Lung Screening Trial - Matthew B. Schabath,Pierre P. Massion, Zachary J. Thompson,Steven A. Eschrich,Yoganand Balagurunathan, Dmitry Goldof,Denise R. Aberle e Robert J. Gillies - Published: August 10, 2016 - http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0159880
 
2 - Lung cancer incidence and mortality in National Lung Screening Trial participants who underwent low-dose CT prevalence screening: a retrospective cohort analysis of a randomised, multicentre, diagnostic screening trial. - Patz EF Jr1, Greco E2, Gatsonis C3, Pinsky P4, Kramer BS4, Aberle DR5. - Lancet Oncol. 2016 May;17(5):590-9. doi: 10.1016/S1470-2045(15)00621-X. Epub 2016 Mar 18.


 

 
 


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