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AtualizadoSeg, 23 Nov 2020 12pm

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Vigilância ativa no câncer renal

Fabio_Schutz_1301315.jpgUm estudo prospectivo, multicêntrico, de fase II mostrou que pacientes com carcinoma de células renais metastático cuidadosamente selecionados acompanhados com vigilância ativa adiaram com segurança o início do tratamento sistêmico por uma média de 14,9 meses. Os dados do estudo liderado pelo oncologista Brian Rini, da Cleveland Clinic, foram publicados dia 03 de agosto na edição online do Lancet Oncology. O oncologista Fabio Schutz (foto), do Centro Oncológico Antônio Ermírio de Moraes (COAEM), comenta o estudo.

“Não há a necessidade de se tratar todos os pacientes no primeiro dia do diagnóstico da doença metastática. Muitos destes pacientes apresentam doença de volume muito pequeno e são assintomáticos. Não é incomum termos pacientes com prognóstico bom ou intermediário (de acordo com os critérios do IMDC ou do MSKCC) com sobrevida excedendo três anos. Esse estudo apresenta uma evidência importante sobre a possibilidade da observação vigilante inicial dos pacientes com baixo volume de doença e/ou com prognóstico bom ou intermediário, postergando o início do tratamento sistêmico com inibidores de VEGFR”, afirma o oncologista Fabio Schutz, do Centro Oncológico Antônio Ermírio de Moraes (COAEM).

O estudo forneceu evidências de que os pacientes com diagnóstico recente, extensão limitada de carcinoma de células renais metastático e bom performance status podem entrar em vigilância ativa sem consequências indesejáveis. O racional veio da evidência observacional de que um subgrupo de pacientes com carcinoma de células renais metastático tem tumores com comportamento indolente.

"O câncer de rim metastático é considerado, na maioria das vezes, uma condição crônica incurável. Ao mesmo tempo, os tratamentos sistêmicos atuais, principalmente com os inibidores de VEGFR, apresentam perfil de toxicidade desfavorável e que muitas vezes afeta a qualidade de vida dos pacientes”, acrescenta Schutz.

"Dada a toxicidade e a natureza não-curativa dos medicamentos disponíveis, talvez o momento da sua aplicação possa ser considerado”, disse

Segundo o primeiro autor do estudo, Brian Rini, o trabalho mostrou que alguns pacientes não são relutantes em adiar o tratamento: "Se você tiver tempo para explicar e convencer os pacientes de que a observação é uma boa abordagem, a maioria prefere não ser tratado - mais do que eu imaginava", afirmou.

Métodos
 
Entre 21 de agosto de 2008 e 7 de junho de 2013, foram inscritos 52 pacientes com carcinoma de células renais metastático assintomáticos, sem tratamento prévio, de cinco hospitais nos Estados Unidos, Espanha e Reino Unido. Os pacientes foram avaliados radiograficamente no baseline, a cada 3 meses no primeiro ano, a cada 4 meses no segundo ano, e então a cada 6 meses.
 
Os pacientes foram selecionados devido às características indolentes da sua doença, por isso o adiamento do tratamento não os levou a perder uma oportunidade terapêutica.
 
O endpoint primário foi o tempo até o início da terapia sistêmica. Mais de 90% dos pacientes tinham bom performance status (Karnofsky de 90% a 100%). A histologia de células claras respondeu pela maioria dos casos (96%), embora pacientes com qualquer histologia fossem elegíveis. Um quarto dos pacientes não tinha fatores prognósticos adversos, e apenas um paciente tinha três ou mais fatores. Todos os pacientes preencheram os critérios do MSKCC para doença de risco bom ou intermediário. Metade dos pacientes tinham um local do órgão acometido e 31% tinham dois.
 
Resultados
 
Os investigadores relataram os resultados depois de um período de acompanhamento médio de 38,1 meses (IQR 29,4 – 48,9).Nos 48 pacientes incluídos na análise, o tempo médio de vigilância do registro no estudo até o início da terapia sistêmica foi de 14,9 meses (95% IC 10,6 – 25,0).
 
Desses 48 pacientes avaliados, 43 preencheram os critérios RECIST de progressão da doença em algum momento do follow-up, e 37 de 43 iniciaram a terapia sistêmica.Seis pacientes optaram por continuar em vigilância ativa na progressão.Vinte e três de 43 pacientes iniciaram a terapia sistêmica imediatamente em progressão, enquanto 20 continuaram a vigilância ativa, incluindo os seis pacientes que não iniciaram o tratamento sistêmico durante o follow-up.
 
Os pacientes com progressão definida por RECIST tiveram crescimento de metástases existentes em 32 casos, desenvolvimento de novos sítios metastáticos em oito, e os três restantes tiveram tanto agravamento dos tumores existentes quanto o desenvolvimento de novos sítios metastáticos. Uma análise exploratória mostrou uma taxa de sobrevida livre de progressão em 12 meses de 41%, diminuindo para 22% em 18 meses.
 
A análise multivariada mostrou que os números mais elevados de fatores de risco adversos (p=0,0403) do IMDC (International Metastatic Database Consortium) e um maior número de locais de metástase (p=0,0414) foram associados com um período de vigilância mais curto. Vinte e dois pacientes(46%) morreram durante o período de estudo, todos de carcinoma de células renais metastático.

Dados laboratoriais disponíveis sugerem que a coorte, no seu conjunto, tinha uma população de células imunológicas mais favorável. Qualidade de vida, ansiedade e depressão não pioraram durante o estudo.

Os autores afirmam que um subgrupo de pacientes com carcinoma de células renais metastático pode ser submetido à vigilância de forma segura antes de iniciar terapia sistêmica. Estudos adicionais são necessários para definir melhor os benefícios e os riscos desta abordagem.

"Provavelmente, existe um determinado tempo de observação que nos permite conhecer a agressividade da doença metastática e avaliar a necessidade do início do tratamento sistêmico sem prejudicar a segurança e sobrevida dos pacientes. No estudo, inclusive, alguns destes pacientes em observação foram submetidos à ressecção, portanto este período de observação permitiu selecionar os pacientes para estes tratamentos cirúrgicos", concluiu Schutz.

Referência: Active surveillance in metastatic renal-cell carcinoma: a prospective, phase 2 trial - Prof Brian I Rini, MD, Tanya B Dorff, MD, Paul Elson, ScD, Cristina Suarez Rodriguez, MD, Dale Shepard, MD, Laura Wood, MSN, JordiHumbert, BSc, Linda Pyle, RN, Yu-Ning Wong, MD, Prof James H Finke, PhD, Patricia A Rayman, MS,James M G Larkin, FRCP, Jorge A Garcia, MD, Elizabeth R Plimack, MD - Published Online: 03 August 2016 - DOI: http://dx.doi.org/10.1016/S1470-2045(16)30196-6

 

 

 


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