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AtualizadoDom, 16 Jun 2019 10pm

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Exposição a poluentes é associada a diferentes tipos de câncer

poluentes_atmosf.jpgA exposição a poluentes ambientais por longo prazo foi associada com o aumento do risco de mortalidade por diferentes tipos de câncer em uma população de Hong Kong. É o que mostra estudo publicado na Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention, que avaliou os efeitos de longo prazo da exposição a material particulado com diâmetro aerodinâmico <2,5 micrômetros (μm).

O co-autor do estudo, Thuan Quoc Thach, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Hong Kong, lembrou que a exposição prolongada a material particulado tem sido associada à mortalidade por câncer de pulmão, mas estudos emergentes mostram também uma associação com a mortalidade por outros tipos de câncer.
 
Thach e colegas inscreveram 66.280 pessoas entre 1998 e 2001. Os pesquisadores acompanharam os sujeitos do estudo até 2011, período em que avaliaram as causas de morte e estimaram as concentrações anuais de material particulado nas casas de cada indivíduo pesquisado, usando dados de satélite e monitores ambientais.  Os dados foram comparados aos registros de Hong Kong e ajustados para excluir as mortes que ocorreram dentro de três anos da linha de base. A análise final mostrou que para cada 10 microgramas por metro cúbico (ug/m3) de material particulado no ambiente, o risco de morrer de qualquer tipo de câncer aumentou em 22%.  O aumento de 10 ug/m3 de material particulado foi associado com um risco 42% maior de mortalidade por câncer no trato digestivo superior [1.42 (1.06–1.89)], e 35% maior de tumores de fígado, vias biliares e pâncreas [1.35 (1.06–1.71)].
 
Para as mulheres, a cada 10 ug/m3 de aumento na exposição a material particulado, o risco de mortalidade por câncer de mama cresceu 80% [1.80 (1.26–2.55)]; nos homens, a cada 10 ug/m3 de aumento na exposição a material particulado, o risco de mortalidade por câncer de pulmão cresceu  36% [1.36 (1.05–1.77)].
 
Para os autores, a associação entre câncer e exposição a material particulado pode incluir defeitos na função de reparo do DNA, alterações na resposta imunológica ou processos inflamatórios que desencadeiam a angiogênese. No caso dos órgãos digestivos, a exposição a poluentes derivados de metais pesados ​​pode afetar a microbiota intestinal e influenciar no desenvolvimento do câncer.
 
O estudo chinês avaliou micropartículas encontradas no ar, incluindo hidrocarbonetos e metais pesados ​​produzidos por transporte e geração de energia, entre outras fontes, com um diâmetro aerodinâmico inferior a 2,5 micrômetros.
 
Os autores acrescentam que mais pesquisas são necessárias para determinar se outros países experimentam associações semelhantes entre poluição e morte por câncer, mas o estudo chinês corrobora evidências existentes e sugere que outras populações urbanas podem sofrer os mesmos riscos. "A poluição atmosférica continua a ser uma clara preocupação de saúde pública", concluiu Thach.
 
ReferênciaCancer Mortality Risks from Long-term Exposure to Ambient Fine ParticleChit Ming Wong, Hilda Tsang, Hak Kan Lai, G. Neil Thomas, Kin Bong Lam,King Pan Chan, Qishi Zheng, Jon G. Ayres, Siu Yin Lee, Tai Hing Lame Thuan Quoc Thach
 


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