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AtualizadoSeg, 12 Abr 2021 12am

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Daichii Sankyo

EPHOS-B mostra resultados do combo anti-HER2

EBCC10_logo.jpgCerca de 1/4 das mulheres com câncer de mama HER2 positivo tratadas com a combinação de lapatinib e trastuzumab 11 dias antes da cirurgia tiveram regressão da doença ou viram seus tumores desaparecer. É o que mostra estudo de Nigel Bundred apresentado na 10ª Conferência Europeia de Câncer de Mama (EBCC 10). Para o oncologista Gilberto Lopes, o EPHOS-B é interessante não por mostrar que a combinação de lapatinibe e trastuzumabe leva a respostas completas em uma significativa minoria de pacientes, mas sim pela velocidade da resposta e a possibilidade de obter respostas completas sem quimioterapia.

"É um estudo com potencial inovador porque nos permitiu identificar um grupo de pacientes que no prazo de 11 dias viu seus tumores desaparecer exclusivamente com terapia anti-HER2 e que podem não exigir quimioterapia subsequente. Isto oferece a oportunidade de adequar o tratamento individualmente para cada mulher ", declarou Bundred durante o encontro em Amsterdã, Holanda.

Gilberto explica que resultados em relação à combinação já tinham sido observados no estudo Neo-Altto. "Entretanto, já temos um novo padrão, que é o uso de pertuzumabe e trastuzumabe com um taxano no tratamento neoadjuvante de pacientes cujos tumores sobre-expressam HER2. Assim, o papel da combinação na prática clínica fica restrito", pondera o diretor médico e científico do Grupo Oncoclínicas. 

O estudo clínico avaliou 257 mulheres recém -diagnosticadas, com doença HER2 positivo operável, recrutadas entre novembro de 2010 e setembro de 2015. Os pesquisadores consideraram duas etapas de investigação. Na primeira, 130 mulheres foram randomizadas para receber nenhum tratamento pré-operatório (grupo controle) ou trastuzumab ou lapatinib isoladamente, pelo período de 11 dias após o diagnóstico e antes da cirurgia. No entanto, diante de novas evidência da eficácia da combinação de lapatinib + trastuzumab para o tratamento de câncer de mama HER2 positivo em outros cenários, a segunda parte do estudo foi alterada e 127 mulheres foram randomizadas para o grupo controle ou para receber apenas trastuzumab ou o tratamento combinado.

As amostras de tecido tumoral foram tomadas na primeira biopsia, de confirmação diagnóstica, e, em seguida, novamente durante a cirurgia. Analisaram-se as amostras para avaliar os níveis da proteína Ki-67, um indicador de proliferação celular, ou um aumento de 30% ou mais na apoptose (morte celular programada) desde a primeira biópsia. Além disso, os pesquisadores revisaram os relatórios de patologia da peça cirúrgica para categorizar as mulheres como tendo resposta patológica completa (PCR) ou doença residual mínima (DRM), quando nenhuma célula cancerosa ativa foi encontrada, ou doença residual mínima (DRM), se o tumor for menor que 5 mm de diâmetro. 

Resultados 

Os resultados da segunda parte do ensaio, analisados ​​em fevereiro de 2016, revelaram que, além de observar uma queda na Ki67, 11% das mulheres que receberam o tratamento de combinação alcançaram resposta patológica completa e 17% apresentaram doença residual mínima.
 
No braço randomizado para receber exclusivamente trastuzumab não houve registros de PCR (0%) e 3% apresentaram DRM.  No braço controle não houve PCR ou DRM. O grupo de mulheres que respondeu ao tratamento combinado incluiu pacientes com câncer de mama  estadio 2 (com disseminação linfática).
 
"Estes resultados mostram que com o tratamento de combinação podemos ter uma indicação precoce de resposta patológica no prazo de apenas 11 dias, na ausência de quimioterapia. A maioria dos estudos anteriores olhou para a resposta patológica após vários meses de tratamento”, disse Judith Bliss, pesquisadora-chefe do Cancer Research Institut, em Londres, que co-liderou o estudo."É evidente que estes resultados precisam ser confirmados, mas diante da emoção de ver a velocidade com que os tumores desapareceram acredito que vários ensaios tentarão confirmar estes achados", sinalizou (Abstract: 6 LBA).

Segundo Gustavo Werutsky, diretor científico do Latin American Cooperative Oncology Group (LACOG), o resultado confirma dados de estudos anteriores, como NeoSphere e EGF104900, que sugerem que uma parte dos pacientes HER2+ poderiam ser tratados com duplo-bloqueio sem necessidade de quimioterapia. "A novidade é a possibilidade de identificar pacientes que respondem de forma precoce (11 dias). O próximo passo será confirmar se esta resposta inicial se correlaciona com uma sobrevida similar ou maior daquelas obtidas hoje com os tratamentos atuais”, afirma .

Referência: “Effects of perioperative lapatinib and trastuzumab, alone and in combination, in early HER2+ breast cancer – the UK EPHOS-B trial (CRUK/08/002)”.
 
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