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AtualizadoSáb, 16 Jan 2021 11pm

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Daichii Sankyo

Radioterapia e imunoterapia em melanoma metastático

Nota4_ESTRO_Radiotherapy_1_NET_OK.jpgUm estudo apresentado no 57° Congresso Anual da Sociedade Americana de Radiação Oncológica (ASTRO) demonstrou que a imunoterapia combinada com radioterapia paliativa (RT) reduz o crescimento e propagação do câncer em um subgrupo de pacientes com melanoma metastático. O evento acontece em San Antonio, Estados Unidos, entre os dias 18 e 21 de outubro.

O estudo clínico de fase II é um dos primeiros ensaios clínicos prospectivos a mostrar os resultados do tratamento do melanoma metastático com a combinação de RT e imunoterapia sistêmica.

"Desde a publicação de um “case report” na New England Journal of Medicine1 sobre associação de Ipilimumab e SBRT (Radioterapia Estereotatica Extra-Cranio) com resposta sistêmica de um tratamento localizado, o esquecido “efeito abscopal” ressurgiu com intensidade redobrada e diversos estudos em andamento tiveram novo fôlego, com outros tantos abertos pelo mundo", afirma o radio-oncologista Rodrigo Hanriot, coordenador do serviço de radioterapia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. O especialista explica que o efeito abscopal da radioterapia é relatado quando do uso de doses elevadas de irradiação por fração, notadamente acima de 700cGy, associada a drogas imunomoduladoras, como o Ipilimumab. "A comunidade cientifica aguarda com grande expectativa que desta e de outras associações possam surgir novos horizontes de tratamento para os pacientes com doença metastática", avalia.

Métodos e resultados

No estudo, 20 pacientes com melanoma estadioIV foram tratados com RT paliativa e ipilimumab intravenoso (3mg/kg) a cada três semanas, por um total de quatro ciclos de tratamento. A radioterapia foi iniciada em um ou dois sítios metastáticos de melanoma dentro de cinco dias a partir do tratamento inicial com imunoterapia. Todos os pacientes tinham pelo menos um local de metástase não irradiado que poderia ser utilizado para avaliação da resposta à terapia.

Os pacientes tiveramo sangue colhido durante e após o tratamento para determinar se houve evidência de desenvolvimento de uma resposta imune à terapia. Estudos de imagem tumoral foram concluídos antes do tratamento e avaliações de acompanhamento foram realizadas duas a quatro semanas após a quarta dose da imunoterapia, e a cada três meses até a detecção da progressão da doença. Para verificar as respostas com base em medições de tumor foram utilizadas as diretrizes de critérios de avaliação de resposta em tumores sólidos (RECIST) e critérios de resposta imunológica (IRC).

Em um seguimento médio de 38 semanas, 11 pacientes (55%) tiveram uma resposta inicial à terapia, incluindo respostas completas e parciais, bem como doença estável. Dos 11 pacientes que responderam à imunoterapia, um paciente (9,1%) teve uma resposta sistêmica completa em curso para a terapia de combinação em um seguimento médio de 39 semanas. Três pacientes tiveram resposta parcial à terapia por uma média de 38 semanas (intervalo de 26-52 semanas), e 5 pacientes tiveram doença estável como melhor resposta para uma média de 36 semanas (intervalo de 26-76 semanas). Os outros nove pacientes tiveram doença progressiva, tal como definido por RECIST na primeira análise do tratamento.

Além disso, uma análise de marcadores sanguíneos em um subconjunto de pacientes identificou marcadores imunológicos que parecem se correlacionar com as respostas. Estes dados iniciais sugerem que os marcadores da resposta imune no sangue periférico podem ajudar a distinguir respondedores de não respondedores no futuro, para facilitar a melhor seleção de pacientes para tratamento e detecção precoce das respostas imunológicas potencialmente significativas.

"Ficamos impressionados que metade dos pacientes parece ter se beneficiado desta terapia de combinação, muitos deles com respostas duradouras", disse Susan Hiniker, principal autora do estudo e professora no Departamento de Radioterapia Oncológica da Faculdade da Universidade de Medicina de Stanford. "Dados atuais mostramque três pacientes tiveram resposta completa à terapia em curso, o que sugere que a combinação de imunoterapia mais a radiação pode ser extremamente eficaz em um subconjunto de pacientes”, acrescentou.

Segundo a especialista, os dados também sugerem que a radiação pode potencializar os efeitos desta nova classe de medicamentos imunológicos e apoiar o desenho de ensaios maiores para investigar o potencial de sinergia entre a radio e a imunoterapia no tratamento do câncer.

Referência: A ProspectiveClinicalTrialCombiningRadiationTherapyWithSystemicImmunotherapy in Metastatic Melanoma  

1. Postow MA, Callahan MK, Barker CA, et al. Immunologic Correlates of the Abscopal Effect in a Patient with Melanoma. N Eng J Med 2012;366(10)925-31

 


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