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AtualizadoSex, 27 Nov 2020 1pm

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Daichii Sankyo

Radiofármacos no tratamento do câncer de próstata

Xofigo_1.jpgÉ inegável a expectativa em torno de novas incorporações para o tratamento do câncer de próstata metastático resistente a castração. A chegada do radium-223, o Xofigo®, da Bayer, é cercada de uma expectativa adicional, já que deve ficar para a história entre os primeiros radiofármacos registrados pela Anvisa no Brasil. 

“Os dados de qualidade estão em análise interna e consultores ad hoc avaliam eficácia e segurança. São formadores de opinião que vão elaborar seu parecer em caráter consultivo e subsidiar a tomada de decisão da Anvisa, para deferimento ou indeferimento do produto”, explica Marcelo Moreira, Gerente-Geral de Produtos Biológico, Sangue, Tecidos, Células e Órgãos da Anvisa.
 
Sob a análise da agência brasileira está o estudo de fase III ALSYMPCA, que embasou a aprovação do radioisótopo-alfa em vários países e demonstrou seu papel na doença avançada.
 
O estudo considerou pacientes com câncer de próstata metastático resistente a castração, com mais de duas lesões ósseas, sintomáticos, sem metástases viscerais e sem linfonodomegalias acima de três centímetros. Os pacientes elegíveis foram randomizados para receber radium-223 mais suporte clínico, incluindo tratamentos hormonais, versus placebo mais suporte clínico. “A análise final demonstrou redução do risco de morte de 30% com o uso do radium comparado com placebo e a mediana de sobrevida foi de 15 meses versus 11,3 meses, com vantagens para os pacientes que utilizaram radium”, diz Diogo Assed Bastos, médico do Icesp e do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
 
O ALSYMPCA também aumentou significativamente o tempo para a progressão de um evento esquelético, de 10 para 16 meses, e alcançou todos os demais desfechos secundários. Os resultados sugerem que o benefício foi ainda maior no subgrupo com alto volume de doença, com 6 ou mais lesões ósseas. “Foi uma medicação muito bem tolerada. Os efeitos colaterais dos pacientes do grupo placebo foram comparáveis aos dos pacientes tratados com radium. Numa análise de qualidade de vida, o uso do radioisótopo trouxe benefícios e esse é um desfecho muito importante para o paciente oncológico”, lembra Bastos.

Evolução

Historicamente, estrôncio e samário estão associados a melhora sintomática e qualidade de vida, apesar da toxicidade hematológica significativa. No entanto, nunca estiveram associados a ganhos de sobrevida global. Na prática, a experiência mostra que boa parte dos pacientes é encaminhada numa fase tardia e se beneficia pouco dessas estratégias.
 
“Mais de 100 anos atrás, o radium já era visto como um antineoplásico promissor. Depois, ficou esquecido por muitos anos e mais recentemente foi retomado em novas investigações”, observa o oncologista.
Agora, estudos comprovam que além de eficaz, a droga é bem tolerada, com baixa toxicidade. A dose aprovada é de 50 kBq/kg, administrada por via intravenosa,  mas doses de até 250 kBq/kg foram testadas e se demonstraram seguras, principalmente em termos hematológicos.
 
“A minha impressão é de que a história do radium está só começando. Especialistas agora apostam em estudos de combinação com quimioterapia e com as novas terapias hormonais, como abiraterona e enzalutamida. Estudos estão sendo desenhados e estão em andamento para testar essas estratégias”, avisa Bastos.

Mecanismo de ação

Os beta emissores promoviam baixa transferência de energia linear, já que o peso de suas partículas é muito pequeno. Os radioisótopos-alfa, ao contrário, são partículas mais pesadas, que depositam de forma muito concentrada a sua energia. “Isso significa a possibilidade de concentrar muito mais radiação na área de interesse”, diz George Barberio Coura Filho da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN). “Assim como o cálcio, o rádium também se deposita nos ossos”, compara. “A meia-vida é de 11,4 dias, com 93% das emissões representadas por partículas alfa. Isso muda o paradigma no tratamento de doença metastática óssea”, diz o especialista da SBMN.

Coura Filho lembra da importância da abordagem multidisciplinar no câncer de próstata metastático resistente a castração. “O médico nuclear vai receber esse paciente, seja do urologista ou do oncologista clínico. Cabe ao médico nuclear fornecer orientação ao paciente durante o tratamento e estar atento à perspectiva da radioproteção, como já está habituado a fazer com outros radiofármacos”, esclarece.

 

 

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