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AtualizadoTer, 24 Nov 2020 4pm

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Fusões e incorporações movimentam Oncologia

A UICC deu o alerta em 2005, quando os números da Globocan previam estimar uma verdadeira epidemia de câncer em 2020. A transição epidemiológica continua a avançar nos países emergentes e a tendência é o câncer ultrapassar as doenças cardiovasculares, numa curva que começa a se desenhar no Brasil. De olho nesse nicho, também os serviços de assistência vivem uma nova dinâmica e uma onda de fusões e incorporações chega ao mundo da Oncologia.

A Rede Copa D'or e o Hospital São Luiz ilustram o modelo, numa transação firmada em setembro de 2010 que marcou a entrada do grupo no mercado paulista e criou uma das maiores redes de saúde do país. O grupo continua em expansão. Com restrições impostas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para garantir a concorrência na área, o Copa D'or - São Luiz adquiriu 50% do grupo Acreditar, proprietário de clínicas oncológicas no Distrito Federal, além de parte de outros grupos como Oncotech Oncologistas, Oncologistas Associados, Central Clinic, Centro Radioterápico e Instituto Oncológico de Pernambuco.

Outro grupo que tem atuado fortemente na aquisição de clínicas oncológicas é a rede Oncoclínicas, de Minas Gerais. O grupo possui hoje unidades espalhadas em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Sergipe e Pernambuco, em um investimento de aproximadamente R$ 200 milhões. Entre as aquisições mais importantes está o Centro Paulista de Oncologia (CPO), nome de tradição na assistência oncológica em São Paulo. A transação foi anunciada em outubro do ano passado.

A Clínicas Oncológicas Integradas (COI), do Rio de Janeiro, também tem realizado fusões para se consolidar como um grande centro de assistência oncológica. O grupo tem três unidades e planeja abrir mais duas clínicas no Rio e expandir sua atuação para os estados de Minas Gerais e Espírito Santo, além de inaugurar um hospital especializado no tratamento de câncer.

Novos modelos de negócio

As aquisições são apenas um entre os diversos modelos de negócio que vem sendo praticados na oncologia. De olho no paciente conveniado, hospitais gerais de médio porte começam a constituir seus centros de tratamento de câncer, e centros de excelência passam a administrar serviços de oncologia.
Um exemplo disso é o Hospital Santa Paula, em São Paulo. Inspirado nos melhores cancer centers do mundo e com o amparo de um serviço de excelência local, o Santa Paula inaugurou seu Instituto de Câncer em junho, com investimentos que giram em torno de R$ 20 milhões. A gestão técnica do Santa Paula é fruto de uma parceria com o Hospital Sírio Libanês, hospital que possui outros centros de atendimento em oncologia. Outro centro de excelência privado no atendimento de câncer, o Hospital Israelita Albert Einstein também ampliou o atendimento oncológico para outras unidades, e conta com a consultoria do M.D. Anderson Cancer Center.

Também em 2013, os hospitais São José e São Joaquim, da Beneficência Portuguesa, passaram a concentrar o atendimento de seus pacientes com câncer no novo Centro Oncológico Antônio Ermírio de Moraes, que deve ter um prédio exclusivo para oncologia em aproximadamente três anos. Nos últimos anos a Beneficiência Portuguesa de São Paulo investiu cerca de R$ 12 milhões no aprimoramento e exapansão de sua área de oncologia. Foram 4 mil atendimentos no primeiro quadrimestre de 2013, e a expectativa é que o novo centro aumente esse número em 30%.

Outro hospital geral que tem dado atenção especial à oncologia é o São Camilo, que em novembro de 2011 inaugurou na zona norte da cidade de São Paulo um Centro de Oncologia Clínica próprio. O Centro conta com dois consultórios, farmácia de manipulação para quimioterápicos, 10 leitos para quimioterapia, 19 leitos de internação, e um espaço especialmente preparado para atendimento e orientação aos pacientes e familiares.

Serviços públicos

E se as fusões dão o tom na movimentação de mercado entre as clínicas de câncer privadas, nos serviços públicos a doença também começa a justificar investimentos. Em março de 2013 foi inaugurado um ambulatório oncológico público no Hospital Heliópolis, em São Paulo. Com investimento de R$ 47 milhões, a unidade fica numa área de 5,6 mil m2 e realiza atendimentos de combate ao câncer de cabeça e pescoço, neurologia, gastroenterologia, coloproctologia e ginecologia. O serviço tem 40 consultórios voltados para o atendimento clínico-oncológico, e quando estiver em pleno funcionamento deve atender cerca de 30 mil pacientes por mês.

A Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) também possui um serviço de referência para o tratamento do câncer, com capacidade para trinta atendimentos diários. Conta com o serviço de quimioterapia do Centro de Oncologia Clínica da Escola Paulista de Medicina e atende exclusivamente pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Envelhecimento Populacional

A tendência de maior prevalência de doenças crônico-degenerativas com o envelhecimento da população já é uma realidade no Hospital do Servidor Estadual, em São Paulo. Em 2012, o câncer superou as doenças cardíacas entre as principais causas de mortalidade no hospital. Foram 686 óbitos por câncer, 68% a mais do que as 408 mortes por problemas do coração. E essa diferença na mortalidade pelas duas causas, que vem aumentando cerca de 60% ao ano na unidade, é atribuída ao perfil dos pacientes da instituição. Enquanto o SUS apresenta 20,3% da sua população atendida com mais de 60 anos, no Iamspe essa taxa sobe para 35,20% nesta faixa etária. Hoje, o Iamspe atende 10% da população com 60 anos ou mais de todo o Estado de São Paulo, e 60% dos pacientes internados no HSPE são idosos.

Por isso, o Hospital anunciou recentemente o projeto Hospital Amigo do Idoso do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), que inclui a reforma e adaptação do complexo hospitalar em um investimento de R$ 147 milhões.

O Centro de Oncologia do hospital terá capacidade operacional ampliada em 25%, passando a realizar cerca de 14,3 mil procedimentos por ano. O número de leitos de UTI Adulto será ampliado, passando dos atuais 52 para 78. Ainda fazem parte do projeto uma nova área da Central de Esterilização de Materiais e um novo Centro de Diagnóstico por Imagem.

Até Hospitais especializados estão de olho na expansão da assistência oncológica. O Hospital do Coração, em São Paulo, anunciou seu ingresso na oncologia em setembro do ano passado. Serão três unidades em São Paulo, incluindo um prédio totalmente dedicado a pacientes oncológicos, planejado sob o conceito de centro integrado de tratamento do câncer. O prédio dedicado deve ser inaugurado em 2015, mas a estruturação do serviço especializado já começou.
Na área de pesquisa, o Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) terá um núcleo de oncologia, onde serão desenvolvidos trabalhos com novos medicamentos e novos procedimentos, além de estudos epidemiológicos.  


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