03122020Qui
AtualizadoQui, 03 Dez 2020 4pm

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Daichii Sankyo

Câncer de cabeça e pescoço em foco

gbcp logo atualizada NET OKOs estudos em câncer de cabeça e pescoço publicados em 2019 que tiveram impacto na prática clínica são tema de artigo do Grupo Brasileiro de câncer de Cabeça e Pescoço (GBCP). Quimioterapia de indução nos tumores de nasofaringe, desintensificação de tratamento dos tumores de orofaringe HPV-positivo e imunoterapia em primeira linha no carcinoma epidermoide de cabeça e pescoço recidivado ou metastático estão entre os destaques.

 

Por Grupo Brasileiro de Câncer de Cabeça e Pescoço (GBCP)

Nasofaringe

Estudo randomizado de fase III com 480 pacientes com carcinoma de nasofaringe estadio III e IVb (excluídos T3/4N0) avaliou a quimioterapia de indução com cisplatina e gencitabina seguida de cisplatina concomitante a radioterapia (IC+CCRT) versus cisplatina concomitante a radioterapia isolada (CCRT)1. O endpoint primário foi sobrevida livre de falência (FFS). Após um follow up mediano de 39 meses, a FFS em 3 anos foi de 85.8 % no grupo IC+CCRT e 77.2% no grupo CCRT (intention-to-treat population; HR 0.53, 95% confidence interval 0.34–0.81; P = 0.003). Sobrevida global em 3 anos foi maior no grupo IC+CCRT (94.9 x 90.7% p=0.02), assim como a sobrevida livre de metástases em 3 anos (91.6 x 85.9, p=0.03). Baseado nestes dados e também no estudo de Sun e colaboradores que avaliou TPF como tratamento de indução no câncer de nasofaringe localmente avançado2, podemos afirmar que quimioterapia de indução é o tratamento padrão nesta população de pacientes. No entanto, ainda é controverso qual o melhor esquema de quimioterapia neste contexto (TPF ou GC).

Orofaringe HPV positivo

Sabidamente, os tumores de orofaringe HPV positivo tem melhor prognóstico, principalmente em pacientes não tabagistas. Várias formas de desintensificar o tratamento têm sido estudadas nesta população. Dois estudos publicados na mesma edição da Lancet Oncology avaliaram desintensificar o tratamento substituindo a cisplatina pelo cetuximabe concomitante à radioterapia. O estudo De-Escalate avaliou pacientes com câncer de orofaringe HPV positivo de baixo risco (não tabagistas ou com história tabágica <10 anos-maço)3. O endpoint primário do estudo foi número de eventos de toxicidade graus 3-5 em 24 meses. O estudo foi negativo na avaliação do seu endpoint primário, ou seja, não houve diferença de toxicidade entre os dois braços do estudo (29,2 eventos por paciente no grupo submetido a cisplatina e 30,1 eventos por paciente no grupo submetido a cetuximabe). Entretanto, houve uma diferença estatisticamente significativa na sobrevida global em 2 anos (97,5 x 89,4) e recidiva em 2 anos (6,0 x 16,1%) favorável ao grupo submetido ao tratamento com cisplatina.

O estudo RTOG 1016, randomizado, de não-inferioridade, avaliou pacientes com câncer de orofaringe HPV positivo de risco baixo e intermediário (incluiu pacientes tabagistas)4. O endpoint primário foi sobrevida global, com margem de não inferioridade de 1,45. Radioterapia associada a cetuximabe não atingiu o critério de não-inferioridade para sobrevida global. Sobrevida global em 5 anos foi favorável ao grupo de cisplatina (77,9 x 84,6%). Sobrevida livre de progressão foi inferior no grupo de cetuximabe (67,3 x 78,4%), assim como maior falência locoregional (17,3 x 9,9%). Baseado nestes estudos, o tratamento dos pacientes com câncer de orofaringe HPV positivo localmente avançado deve seguir as mesmas premissas dos pacientes com câncer de orofaringe não relacionados ao HPV.

CECCP recidivado ou metastático

O KEYNOTE-048 é um estudo randomizado fase III, de 3 braços que comparou pembrolizumabe + 5FU + platina versus cetuximabe + 5FU + platina versus pembrolizumabe monoterapia5. O trabalho mostrou superioridade na sobrevida global da quimioterapia associada a pembrolizumabe em comparação com quimio associada a cetuximabe (sobrevida em 3 anos na população com CPS >=20 : 33 x 8%, e na população geral 22 x 10%). As taxas de resposta foram semelhantes. Pembrolizumabe monoterapia apresentou baixa taxa de resposta comparado a cetuximabe + quimio (16 x 36%), sem benefício de sobrevida na população geral, mas com maior sobrevida global no subgrupo PD-L1-positivo.

Referências:

1 - Zhang Y, Chen L, Hu GQ, Zhang N, Zhu XD, Yang KY, et al. Gemcitabine and cis- platin induction chemotherapy in nasopharyngeal carcinoma. N Engl J Med 2019

2 - un Y, Li WF, Chen NY, Zhang N, Hu GQ, Xie FY, et al. Induction chemotherapy plus concurrent chemoradiotherapy versus concurrent chemoradiotherapy alone in locoregionally advanced nasopharyngeal carcinoma: a phase 3, multicentre, randomised controlled trial. Lancet Oncol 2016;17:1509–20.

3 - Mehanna H,; De-ESCALaTE HPV Trial Group. Radiotherapy plus cisplatin or cetuximab in low-risk human papillomavirus-positive oropharyngeal cancer (De-ESCALaTE HPV): an open-label randomised controlled phase 3 trial. Lancet. 2019 Jan 5;393(10166):51-60.

4 - Gillison ML, et al. Radiotherapy plus cetuximab or cisplatin in human papillomavirus-positive oropharyngeal cancer (NRG Oncology RTOG 1016): a randomised, multicentre, non-inferiority trial. Lancet. 2019 Jan 5;393(10166):40-50.

5 - Pembrolizumab alone or with chemotherapy versus cetuximab with chemotherapy for recurrent or metastatic squamous cell carcinoma of the head and neck (KEYNOTE-048): a randomised, open-label phase 3 study. Lancet. 2019; (published online Oct 31)


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