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AtualizadoQui, 22 Abr 2021 4am

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Daichii Sankyo

Controle do câncer cervical expõe fragilidade do modelo brasileiro

C__ncer_Ov__rio.jpgPrograma tem deficiências importantes e ainda predomina o rastreamento oportunístico. Até 25% dos exames de Papanicolaou têm sido realizados fora do grupo etário recomendado e aproximadamente metade deles com intervalos inadequados.

A saúde pública mundial reconhece a importância do diagnóstico precoce do câncer do colo do útero. “A infecção pelo HPV de alto risco é o fator causal conhecido, o órgão alvo é de fácil acesso ao exame físico e as lesões precursoras (NIC) levam em geral grande tempo para evoluir, podendo ser diagnosticadas e tratadas”, explica Glauco Baiocchi, diretor do departamento de Ginecologia do A.C. Camargo Cancer Center e membro do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA/GBTG). São essas as características que fazem do câncer cervical um modelo emblemático para programas organizados de rastreamento.  
 
Mas a realidade preocupa. Dados do Ministério da Saúde mostram que o câncer do colo do útero é a terceira causa de câncer na mulher brasileira e já se sobrepõe ao de mama como a primeira causa de morte por câncer nas regiões mais carentes do país.
Em 2013, o INCA apontou a extensão do problema. “O padrão predominante do rastreamento no Brasil é oportunístico, ou seja, as mulheres têm realizado o exame de Papanicolaou quando procuram os serviços de saúde por outras razões.
 
Consequentemente, 20% a 25% dos exames têm sido realizados fora do grupo etário recomendado e aproximadamente metade deles com intervalo de um ano ou menos, quando o recomendado são três anos. Assim, há um contingente de mulheres superrastreadas e outro contingente sem qualquer exame de rastreamento”1.
 
“A grande barreira do rastreamento parece estar na cobertura populacional inadequada, na qualidade dos exames e na dificuldade em referenciar mulheres com citologia alterada", avalia Baiocchi.
 
A bióloga Luisa Lina Villa, ex-diretora do Instituto Ludwig de Pesquisa em Câncer e atual coordenadora do Instituto Nacional do HPV confirma os gargalos. “No Brasil, há décadas o Papanicolaou é empregado como método bastante simples e relativamente barato de rastreamento. No entanto, o programa brasileiro tem deficiências importantes, como a baixa cobertura em algumas regiões, a baixa qualidade e problemas no modelo de referência para centros especializados”, diz a especialista.
 
O Papanicolaou é um exame morfológico que requer a adequada coleta, fixação e análise, o que significa que qualquer falha no processo afeta a qualidade do resultado final. “A citologia tem limitações na feitura da lâmina e na análise, assim como existem limitações importantes no acesso das mulheres ao exame, com todos os desdobramentos que isso traz”, reforça Luisa.
 
Outro aspecto importante diz respeito à sensibilidade do exame. “O teste Papanicolaou pode acertar metade das vezes, daí a importância dos intervalos de repetição, que aumentam a segurança do controle. Melhorar o rastreamento é hoje uma preocupação global”, sinaliza.  “Se melhorar a qualidade da lâmina é um progresso, a citologia líquida elimina os problemas envolvidos na confecção da lâmina. E a análise já pode ser feita por robôs”, diz ela, descrevendo um cenário que passa a assumir contornos bem concretos em diferentes experiências internacionais. “Há 10 anos temos acumulado evidências de diferentes trabalhos mostrando que o teste de HPV de alto risco é disparado o melhor método de rastreamento em relação ao exame morfológico”.

Leia mais: Holanda mostra resultados do rastreamento com teste de HPV de alto risco

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