28022024Qua
AtualizadoTer, 27 Fev 2024 9pm

PUBLICIDADE
Daichii Sankyo

 

Estratégias no tratamento do melanoma

GBM_NET_OK.jpgApós uma safra importante de novidades em melanoma, pesquisas em melanoma avaliam os dados com maior seguimento e tentam responder às questões levantadas pela prática clínica. Quem comenta é o oncologista Rafael Schmerling, do Grupo Brasileiro de Melanoma.

Desde 2010, o tratamento do melanoma passa por grandes mudanças. Inicialmente, tivemos ipilimumabe e vemurafenibe. A seguir, vieram os inibidores de MEK que estabeleceram um padrão ao serem combinados com os inibidores de BRAF, otimizando a taxa de resposta, sobrevida livre de progressão e sobrevida global. A segunda geração de inibidores de checkpoints imunes, com nivolumabe e pembrolizumabe, superou ipilimumabe e estabeleceu um novo padrão para imunoterapia de primeira linha.
 
Em 2016, com todas estas drogas estabelecidas e disponíveis, novas perguntas formuladas passam a ser respondidas. A primeira combinação de inibidores de BRAF e MEK, dabrafenibe e trametinibe, começa a ter dados com seguimento prolongado. Uma análise post hoc apresentada na ASCO 2016 mostrou que pacientes de melhor prognóstico, com DHL baixo e até três sites de comprometimento metastático, tiveram sobrevida de 60% em 3 anos, o que é superior aos dados de inibidores de checkpoints. Esta informação começa a colocar em xeque o conceito que pacientes de bom prognóstico, mesmo BRAF mutados, devem ser tratados com imunoterapia. Esta definição só será possível com o estudo do ECOG que avalia as duas estratégias, com crossover, que pretende definir a melhor sequência.
 
No cenário da imunoterapia, uma das questões pendentes quanto ao uso dos inibidores de PD-1 é a duração do tratamento. Ambas as drogas foram estudadas com uso até dois anos. Este prazo foi estabelecido arbitrariamente. Na análise de subgrupos do estudo KEYNOTE-001, que avaliou a interrupção de pembrolizumabe em 61 pacientes com resposta completa, somente 2 tiveram recidiva. Ainda que o seguimento destes pacientes seja pequeno, cria-se uma perspectiva para tratamentos mais curtos e, portanto, com menos toxicidade e menor custo.
 
Desde os primeiros dados de ipilimumabe em doença metastática, há uma grande expectativa quanto a seu uso no cenário adjuvante. O estudo do EORTC que comparou ipilimumabe 10mg/kg com manutenção com observação em pacientes com estágio 3 de alto risco finalmente apresentou os dados de sobrevida global. Ainda que o estudo tenha sido desenhado para avaliar sobrevida livre de doença, o grupo tratado teve um risco de morte 25% menor. Este resultado, mesmo que sem comparação direta, foi numericamente melhor que interferon. Pesou sobre o estudo a crítica quanto à dose de 10mg/kg, quando a estabelecida e menos tóxica é de 3 mg/kg. Na ESMO 2016 foi apresentado o estudo que comparou ipilimumabe nas duas doses e neste cenário a dose maior proporcionou melhor sobrevida para os pacientes. Restam ainda duas questões: se ipilimumabe é melhor que interferon em alta dose e se a manutenção é realmente necessária. Um estudo ECOG que compara ipilimumabe nas duas doses, sem manutenção, em comparação com interferon em alta dose, pretende responder a estas questões.
 
Após uma safra importante de novidades em melanoma, estamos na fase de avaliar os dados com maior seguimento e tentar responder às questões levantadas pela prática clínica.


Publicidade
ASTRAZENECA
Publicidade
ABBVIE
Publicidade
LIBBS
Publicidade
SANOFI
Publicidade
ASTRAZENECA
Publicidade
ASTELLAS
Publicidade
NOVARTIS
Publicidade
SANOFI
Publicidade
INTEGRAL HOME CARE
Publicidade
300x250 ad onconews200519