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AtualizadoSeg, 19 Abr 2021 9pm

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Seguimento de pacientes com câncer de pulmão operados: que exames e qual a frequência?

RIAD NET OKUm grupo de pesquisadores analisou a associação entre intensidade de vigilância e sobrevida pós-operatória no câncer de pulmão não pequenas células (CPNPC). Os resultados foram publicados na edição de outubro da Annals of Surgery e mostram que a frequência de vigilância por métodos de imagem não foi associada a melhor sobrevida global ou sobrevida pós-recidiva em pacientes com CPNPC. Quem comenta o trabalho é o cirurgião torácico Riad Younes (foto), diretor geral do Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Por Riad Younes

Pacientes com câncer de pulmão submetidos a ressecção cirúrgica completa têm maior chance de sobrevida a longo prazo. Infelizmente, muitos ainda apresentam recidiva local, à distância, ou até o surgimento de um segundo tumor primário de pulmão. Como seguir estes pacientes após uma ressecção completa?

Até hoje, existem muitas controvérsias sobre este tema. Vinte anos atrás realizamos um estudo (Younes RN: Follow-up in lung cancer: how often and for for what purpose? Chest 1999, 115: 1494) em nosso serviço para avaliar o melhor modo de seguir estes pacientes. Já naquela época um seguimento intensivo, com imagens radiológicas (tomografias ou radiografias), não demonstrou nenhum impacto positivo sobre as chances de cura e de sobrevida a longo prazo, quando comparado com seguimento esporádico.

Desde então, continuamos sem demonstrar um benefício claro de seguimento frequente, usando tomografias ou até PET-CT. Metanálises recentes confirmaram a não indicação de retornos intensivos, ou uso de PET-CT no seguimento destes doentes.

Há poucos dias, um grupo de pesquisadores de vários centros de câncer dos EUA, incluindo Memorial Sloan-Kettering Cancer Center e MD Anderson Cancer Center, e liderados por Dar Timothy L. McMurry, da Universidade da Virginia, analisou a associação entre intensidade de vigilância e sobrevida pós-operatória no câncer de pulmão não pequenas células (CPNPC). Os resultados foram publicados na edição de outubro da Annals of Surgery e mostram que maior frequência de vigilância por métodos de imagem não foi associada a melhor sobrevida global ou sobrevida pós-recidiva em pacientes com CPNPC.

Neste estudo, os pesquisadores coletaram dados selecionando de pacientes de instituições credenciada pela Commission on Cancer (CoC), um programa do American College of Surgeons. Foram considerados pacientes com CPNPC estádio I-III tratados entre janeiro de 2006 e dezembro de 2007. Esses pacientes foram acompanhados até dezembro de 2012 ou até o primeiro diagnóstico de recidiva, segundo tumor primário ou morte. Os pacientes foram alocados para receber vigilância com TC em três grupos de intensidade: três meses (1.614 pacientes), seis meses (1.999 pacientes) e anualmente (850 pacientes).

Análise comparando os 3.165 pacientes nos grupos de três meses e seis meses mostra que a vigilância mais frequente não mostrou benefício de sobrevida. Nestas coortes, 10,6% dos pacientes desenvolveram um novo câncer primário e 28,9% tiveram recidiva. Essas taxas foram consistentes entre os dois grupos, relataram os autores.

Para Benjamin Kosower, pesquisador sênior do estudo, os resultados não chegam a surpreender os pesquisadores, mas provavelmente devem surpreender a maioria dos pacientes submetidos à vigilância do câncer de pulmão e até parcela da comunidade médica. "Os pacientes realmente acreditam que, se consultarem um médico a cada três meses para a tomografia, será possível encontrar muito cedo uma recorrência do câncer, permitindo o tratamento precoce. Infelizmente, na maioria dos casos de recorrência do câncer de pulmão, não é o que acontece”, disse Kozower.

Em conclusão, os dados fornecem evidências de que a vigilância pós-cirúrgica mais frequente, em intervalos trimestrais ou semestrais, não está associada à melhor sobrevida, achado que tem implicações para guiar estratégias de vigilância na oncologia torácica. Os oncologistas poderão manter uma frequência de CT a cada 6 meses nos primeiros 2 anos, e imagens anuais após este período. Até o momento, não há nenhuma indicação de seguimento rotineiro com PET-CT.

Referência: McMurry TL, et al: More Frequent Surveillance Following Lung Cancer Resection Is Not Associated With Improved Survival. A Nationally Representative Cohort Study. Annals of Surgery: October 2018 , 268: 632–639

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