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AtualizadoQua, 20 Jan 2021 8pm

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Daichii Sankyo

Destaques do SGO 2017

SGO_2017_2.jpgOs cirurgiões gineco-oncologistas Audrey Tsunoda e Renato Moretti e o oncologista clínico Donato Callegaro Filho comentam os destaques do encontro anual da Society of Gynecologic Oncology (SGO), realizado de 12 a 15 de março em National Harbor, Maryland.

Wellness
 
Há diversas evidências na literatura suportando a importância da aplicação de técnicas de wellness (bem estar) para pacientes oncológicos, incluindo meditação, ioga e exercícios respiratórios, entre outras. Entretanto, estas técnicas são pouco exploradas para a redução de estresse e melhora de performance das equipes médicas e multidisciplinares envolvidas no tratamento oncológico.
 
Neste congresso, a palestra presidencial foi proferida por Jeffrey M. Fowler,diretor da Divisão de Gineco-Oncologia da Universidade Estadual de Ohio, que abordou como “encontrar significado, equilíbrio e satisfação pessoal na prática médica”. Outras sessões também enfocaram a aplicação das técnicas de wellness para apoiar os profissionais e sua prática cotidiana (T.B. Turner et al. Abstract 9).

Houve expressiva ênfase na procura do bem estar, avaliação e abordagem do burnout entre os profissionais dedicados à ginecologia oncológica. The Energy Project foi apresentado em plenária destacando a necessidade de conduzir a energia de cada profissional de forma eficaz, a partir das quatro dimensões: física, emocional, mental e espiritual. Encontros de corrida, ioga e meditação foram estimulados, assim como foram distribuídos aos participantes contadores digitais de passos.

Cuidados Perioperatórios e Guidelines

Aos moldes do evento a SGO 2016 em San Diego, California, EUA, destacaram-se os trabalhos com enfoque nos cuidados perioperatórios para mais rápida recuperação da paciente com câncer ginecológico, o ERAS (Enhanced Recovery After Surgery). Uma mesa de discussões com ênfase no protocolo ERAS receber atenção especial (R. Neff et at. Abstract 10). Ainda na sessão de controversias em ginecologia oncológica, foi apresentado estudo sobre impacto negativo  na sobrevida e mortalidade das pacientes tratadas em serviços de oncologia que não seguem os guidelines do National Comprehennsive Cancer Network (NCCN). Os guidelines são abrangentes e gerais, o que permite condutas alinhadas com as melhores evidências científicas, resultando em maiores taxas de sobrevida. (K.S. Pfaendler. Abstract 15) 
 
Foco internacional
 
A SGO tem apoiado iniciativas de aumentar a participação internacional nos seus congressos anuais. Pela primeira vez, a Comissão Internacional da SGO passa a ter dois primeiros co-diretores não norte-americanos: Audrey Tsunoda* (Brasil) e David Cantu (México). A sessão internacional incluiu 16 apresentações orais e 42 pôsteres de 15 países. O Brasil teve trabalhos orais relacionados à revisão de milhares de casos de câncer ginecológico, em apresentação de Angélica Nogueira (UFMG e Harvard University, Abstr 8781) e Eduardo Paulino (INCA e Harvard University, Abstr 8779).
 
Os estudos mostram que o câncer cervical permanece uma questão significativa no contexto nacional. Outros temas que marcaram a participação brasileira foram os critérios de análise da CONITEC e o acesso aos tratamentos oncológicos (João Soares Nunes, Hospital Erasto Gaertner, Curitiba,PR, Abstr 8789); a cobertura vacinal para HPV  (Audrey Tsunoda*, Abstr 9004); a aplicação do protocolo de linfonodo sentinela (Glauco Baiocchi, AC Camargo Cancer Center, SP), Abstr 8177; o envolvimento parametrial nas pacientes operadas por câncer de colo (Caetano Cardial, Faculdade de Medicina do ABC, SP, Abstr 8103); a importância da ressonância magnética na avaliação pré-operatória e os resultados da parametrectomia em câncer de colo (Carlos Eduardo M. C. Andrade e Mileide M. D. A. Souza, Hospital de Câncer de Barretos, SP, Abstr 8773 e Abstr 8811).

A implementação de um programa de controle de qualidade nas instituições japonesas de ensino de cirurgia gineco-oncológica resultou em redução significativa na mortalidade, tanto para mulheres que receberam tratamento apenas com cirurgia, como para aquelas  tratadas com radioterapia ou terapias combinadas. O programa avaliou mais de 15 mil casos provenientes de 119 instituições (M. Mikami et al, Abstr 7314).  
 
Ovário
 
O estudo mais esperado foi o SOLO2, apresentado por Eric Pujade-Lauraine. O SOLO2.ENGOT-Ov21 foi um estudo fase III para confirmar os achados do estudo 19. Pacientes com mutação BRCA1/2 com câncer de ovário recidivado platino-sensível, previamente submetidas a pelo menos duas linhas de tratamento com platina e que obtiveram resposta completa ou parcial ao regime mais recente de platina, foram randomizadas (2:1) a receber como manutenção olaparibe na formulação de comprimidos de 300mg  duas vezes ao dia (n=196) ou placebo (n=99). A sobrevida livre de progressão (SLP) foi o endpoint primário, significativamente superior no subgrupo que recebeu olaparibe, tanto na avaliação do investigador, quanto na revisão central independente cega.
 
As curvas impressionaram, com SLP de 19.1 versus 5.5 meses (HR:0.4; 95% CI 0.22 a 0.41, p<0,0001) no grupo olaparibe e placebo, respectivamente, segundo avaliação do investigador; e 30,2 versus 5,5 meses (HR: 0.25; 95% CI 0.18 a 0.35, p<0,0001), segundo revisão central independente cega. Com exceção da anemia, as toxicidades foram principalmente de graus 1 e 2 (LBA).
 
Foi apresentada a análise final de sobrevida do estudo GOG 212, com seguimento mediano de 71 meses. Este estudo fase III incluiu 1.157 pacientes com câncer de ovário, tuba ou peritônio, estádios III ou IV, com resposta clínica completa após terapia de primeira linha, para seguimento ou quimioterapia de manutenção com taxano (paclitaxel ou CT-2103) a cada 28 dias por 12 ciclos. O estudo não mostrou ganho de sobrevida global na manutenção com taxano, com pequeno prolongamento da sobrevida livre de progressão às custas de maior toxicidade, principalmente neuropatia (L.J. Copeland et at. LBA).

O grupo de Chapelhill NC destacaou a esperada morbidade entre pacientes submetidas à citorredução completa ou ótima. Relatou-se o decréscimo das taxas de morbidade perioperatória e reinternaçõeses quando pacientes com câncer de ovário avançado estádio III/IV receberam quimioterapia neoadjuvante (NAC). Entretanto, nas pacientes que receberam NAC observou-se sensível decréscimo nas taxas de sobrevida. A conclusão é que a citorredução completa ou ótima persiste como principal objetivo, a despeito das complicações perioperatórias. (E.L.Barber et at. Abstract 25).
 
Colo do útero
 
O estudo SENTICOL2, apresentado por Patrice Mathevet, randomizou mulheres para biópsia de linfonodo sentinela isolada versus biópsia de linfonodo sentinela seguida de dissecção linfonodal pélvica. Todas as pacientes eram estádio IA, IB1 ou IIA1, sem sinais de metástases no pré-operatorio. No total de 206 pacientes foram randomizadas: 105 para biópsia isolada e 101 para biopsia seguida de linfadenectomia pélvica.
 
Houve redução significativa de morbidade cirúrgica no grupo submetido à pesquisa de sentinela isolada (31,4% versus 51,5%, p=0,0046). A maioria dos eventos mórbidos foram de graus 1e 2. Uma paciente do grupo sentinela isolado e 6 do grupo submetido à linfadenectomia tiveram morbidades graus 3 e 4 (p=0,061). Não houve diferença significativa entre os grupos em relação à sobrevida global e livre de recorrência. Foram observadas duas recorrências linfonodais no grupo da pesquisa de linfonodo sentinela isolada e nenhuma recorrência no grupo submetido à linfadenectomia, ocorridas com 1,7 e 4,4 anos após a cirurgia.
 
A avaliação de qualidade de vida utilizando o questionário SF36 e a análise de linfedema de membros inferiores mostraram escore significativamente melhor para o grupo submetido à pesquisa de sentinela isolado. Este estudo prospectivo mostrou que a avaliação da pesquisa do linfonodo sentinela isolado em pacientes com câncer cervical inicial resultou em menos morbidade cirúrgica.Houve um aumento não significativo do risco de recorrência, possivelmente em virtude do número de eventos e do tamanho da amostra incluída nos dois grupos, que necessita ser considerado no futuro. (P. Mathevet et at. Scientific Plenary)
 
Radioterapia
 
Um estudo retrospectivo comparou mulheres com câncer do colo do útero estádio IVB tratadas com radioterapia pélvica em conjunto com quimioterapia padrão (n=34) versus quimioterapia isolada (n=62 pacientes). Os grupos se mostraram similares em relação à idade, raça, histologia, grau, localização e regimes de quimioterapia recebidos, exceto a aplicação de bevacizumabe (26% versus 12%; P = 0,01).
 
A sobrevida livre de progressão foi de 10 meses versus 5 meses, favorecendo o grupo tratado com radioterapia (p=0,01); a sobrevida global foi de 14,1 versus 6,9 meses (p<0,01), novamente superior nos pacientes que receberam radioterapia. A morbidade pélvica relacionada, incluindo obstrução ureteral, sangramento vaginal/retal, infecção pélvica, dor pélvica e fístulas não foi diferente entre os grupos. O estudo mostra que radioterapia pode ter utilidade nesse subgrupo de pacientes com estádio IVB, embora precise de estudo prospectivo para confirmar estes achados. (V.B. Perkins et al. Scientific Plenary)
 
Vacina de HPV
 
Foi apresentado um estudo com dados de 11.335 mulheres que receberam pelo menos uma dose da vacina de HPV. Destas, 1.975 receberam apenas uma dose, 2.089 duas e 7.271 três ou mais. Mulheres que receberam apenas uma dose tiveram maior incidência de neoplasia intraepitelial cervical(NIC) II ou III, neoplasia in situ e câncer invasivo. Dentre as que receberam duas e três doses, não houve significância entre grupo de alto risco (p=0.17) e NIC (p=0.79). O estudo acrescenta mais dados para as crescentes evidências que duas doses da vacina contra o HPV sejam suficientes, garantindo melhor cobertura e sem potencial perda de eficácia. (B.Zeybek e A. Rodriguez  et al. Scientific Plenary). 
 
Transposição uterina
 
Merece destaque o trabalho pioneiro apresentado pelo brasileiro Reitan Ribeiro, em plenária na sessão de inovação em ginecologia oncológica, presidida por Farr Nehzat. O autor mostrou o racional e a descrição técnica de um procedimento cirúrgico como alternativa para preservação de fertilidade em paciente jovem com desejo reprodutivo, com câncer de reto com indicação de tratamento neoadjuvante com quimiorradioterapia.
 
A técnica inédita foi realizada por laparoscopia convencional, onde o útero e os anexos foram transpostos, mantidos viáveis através dos vasos dos ligamentos infundíbulo-pélvicos, para o abdome superior. O colo uterino foi maturado na cicatriz umbilical e os ligamentos uterinos foram suspensos acima deste nível, através de pontos parietais. Ao término da quimiorradiação pélvica, foi realizada a retossigmoidectomia oncológica laparoscópica, com anastomose colo-anal em duplo grampeamento e ileostomia derivativa temporária em alça, comreversão da transposição uterina no mesmo tempo cirúrgico. (R. Ribeiro et al. Abstract 21).
 
Autores:
 
*Audrey Tsunoda é cirurgiã oncológica do Departamento de Ginecologia Oncológica, Reconstrução e Mastologia do Hospitall Erasto Gaertner, do Instituto de Oncologia do Paraná e do Hospital Marcelino Champagnat em Curitiba, e Diretora de Cursos do IRCAD América Latina.
 
Renato Moretti Marques é ginecologista especialista em câncer ginecológico no Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein, e professor da Pós Graduação da Escola Paulista de Medicina.
 
Donato Callegaro Filho é oncologista clínico do Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein.
 

 

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